Bizarrices à parte, até que o FIG tá legal

por - 14:08


Segundo um amigo meu, o FIG - sigla para Festival de Inverno de Garanhuns, cidadezinha simpática do interior de Pernambuco - "é o nosso carnaval fora de época". Não vou mentir, concordo com ele. A edição deste ano veio carregada de expectativas. Okay guy, o atraso de quase dois meses por parte da Fundarpe pra divulgar a programação do evento ajudou, mas no fim das contas, quem frita de calor o ano inteiro em Recife, acaba ficando doido pra se mandar pra Garanhuns no mês de julho pra curtir a brisa fria, tomar vinho, e comer bolo de queijo com chocolate quente (kkk blz fera), independentemente se a programação sai uma bosta ou não. Meu caso.


Devo confessar que há pelo menos dois anos o FIG não me alegrava tanto quanto esta edição. Se você achou fraco, acredite, já esteve bem pior. E eu me contento com pouco. Agora, cá entre nós, fiquei de cara com as insanidades que a organização cometeu no line-up das bandas. Bixiga 70 tocando no mesmo palco que Zizi Possi? Sério? Jorge Vercilo encerrando o mesmo dia em que sobem Siba e Lirinha ao palco. Beleza cara, em que ano estamos? Falando em tempo, Mombojó e China nos sendo colocados güela abaixo novamente. Jorge Ben, Marcelo Jeneci, Lulu Santos.... vou parar por aqui pra não vomitar. E eu só citei as atrações do palco principal. No entanto, catando com muito esmero, podemos encontrar coisas boas, e belas surpresas. Resolvi pinçar algumas atrações que, ao menos pra mim, valem a pena sacar nesse reme-reme sem fim de bandas. Coisa fina.



Junio Barreto é esse carequinha que você tá vendo aí em cima, no topo deste post. Ouvi Junio pela primeira vez há uns quatro anos, na casa do meu pai. O jeitinho sossegado e a cara de gente boa me cativou. Melodia simples e arrebatadora, melancólica, de amortecer o coração de muito troglodita por aí. Viciei na versão dele pra “A Mesma Rosa Amarela”, que dá bem o tom melancólico da parada. Ele toca na terça-feira (17 de julho), lá no Palco Pop do FIG, dedicado a atrações mais pop (tu jura?), rock'n'roll ou independentes. O cara lançou no ano passado Setembro, seu disco novo - o segundo -, e tá uma coisa de doido. Junte Junio Barreto no meio da putaria, a cafagestagem cafuçu de Xico Sá e Mariana Ximenes tacando fogo no cabaré, e você verá "Passione", novo vídeo do cara, dirigido por Lírio Ferreira. Tem até os malas da Mombojó na base musical do negócio. Aproveita, que o clipe tá lindo.



Não sei se a quantidade de músicos na banda - 10 no total - justificou a escolha do Palco Guadalajara (o principalzão) pra sediar o show da Bixiga 70, espaço maior, coisa e tal. Mas dividi-lo com Zizi Possi e Zélia Duncan na mesma noite é de doer, de rir pra não chorar. Faria muito mais sentido que tocassem no Palco Pop ou no Instrumental, que sempre reúne um público mais interessado nas apresentações do que na cachaça, que é muita. Eu nem vou me extender nisso, até porque não vou deixar de ver o show. Bom, de qualquer forma, Bixiga 70 foi uma boa surpresa que tive no carnaval deste ano, quando eles vieram tocar no Rec Beat. Confesso que o show não me animou muito, mas boto a culpa na minha chatice, na cerveja que provavelmente tava quente, e no meu celular que havia sido roubado. De qualquer forma, vou me dar essa chance novamente. A big band lançou no ano passado seu primeiro disco, homônimo, e explora elementos do afrobeat com música latina e brasileira para criar composições instrumentais instigadas pra cacete. Bem legal e mais uma que vale a pena sacar remexendo os esqueletos naquele frio de lascar (pros nossos padrões, óbvio).



Não sou das fãs mais frenéticas de frevo. Na verdade, passo longe disso. Mas é no mínimo interessante quando esse ritmo que tanto enche nossos ouvidos (até demais) durante o carnaval vem atrelado a outros estilos aparentemente distintos, e num contexto bem diferente. No caso o ska, um dos meus mais novos vícios. Frevo e ska, quem poderia dizer? A Ska Maria Pastora, bandinha massa de Olinda, mostrou que isso é possível e que o resultado pode ser bem bacana. A banda toca no domingo (15 de julho) no Palco Pop, e vem num momento bem legal depois do lançamento de As Margens do Rio Doce, seu primeiro álbum em estúdio, com shows importantes como a participação no Abril Pro Rock deste ano, que marcou o lançamento oficial do disco. Na ocasião entrevistei Deco, trombonista da banda (e gente finíssima por sinal), que falou um pouco sobre a felicidade que é trabalhar com o ska de raíz, à la Skatalites, forte influência do grupo, sem tirar os pés das ladeiras pernambucanas.



Ouvi o The Raulis pela primeira vez esse ano, numa festa meio doida no Recife Antigo. Bandinha surf-music de climinha tarantinesco, que incorpora elementos de latinidade como as guitarradas e o carimbó. Segundo a fan page da banda no Facebook, é o The Ventures encontrando o Mestre Aldo Sena. Difícil pensar? O projeto é bem recente, e é composto por membros das bandas Joseph Tourton, Nuda e Mabombe.  Um dos integrantes ainda veste uma máscara de wrestling mexicano durante as apresentações. Dá pra tu? Os Raulis se apresentam na sexta-feira (13 de julho), no Palco Instrumental (agora sim), e definitivamente é uma das que eu tô mais aguardando. Quem ficou curioso pode conferir o Soundcloud do grupo.



E o que falar de Siba que não tenha sido dito e repetido? Absolutamente nada. O cara reaprendeu a pegar na guitarra, e com um dedinho do mestre Catatau, lançou o Avante, um disco muito do foda. Por incrível que pareça eu ainda não conferi o show ao vivo, perdi o lançamento na Rua da Moeda e a apresentação do carnaval, então não poderia dizer que eu não tô doida pra vê-lo no FIG, né não?

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3 comentários

  1. Quero é ir segunda 16/07 palco pop ver MAQUINADO do Lucio Maia NZ

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  2. A galera reclama reclama mas depois tá tudin lá. Obs: Se alguém quiser me lvear pro dia 16 eu agradeço.

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  3. Rivotrill e Anjo Gabriel, tem que ver né.

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