"O desabafo não-reacionário de um paulista qualquer"

por - 14:13

crônica desabafo


Os shortinhos jeans com o bolso de coador de café e a franja adolescente de quem tenta esconder uma sonda alienígena já estão fora de moda. Usando de todo o meu sensacionalismo, o outono/inverno será dos coletes a prova de bala e dos extintores de incêndio. Ok, agora falando sério, a coisa tá ficando feia. Queria esboçar algum otimismo, mas a cidade de São Paulo está a uma eleição de virar a nova Beirute, com mulheres de burca, homens bomba, fanáticos xiitas e um grande potencial sendo desperdiçado. Muito me impressiona ver gente dizendo que São Paulo é o coração do Brasil. Se for o caso, nosso país precisa parar com o bacon e com o milk-shake.



A cidade atualmente possui uma gestão muito ruim, regada a proibições vistas como desnecessárias. Um prefeito que proíbe artistas de rua, a venda de banana por dúzia e a deitar em banco de praça não me parece ter saído de outro lugar senão das histórias de Monteiro Lobato. Mas não posso culpar somente um prefeito ruim, afinal, ele não possui títulos de eleitor suficientes para se auto eleger. Em algum ponto também erramos. E acredito que ainda estamos errando em algum ponto desde então. Mas gosto de exercitar minha humanidade me eximindo de culpa e depositando ela toda em outro indivíduo. Tão mais fácil.



Agora, graças ao efeito bola de neve mais esquisito que eu já vi, estamos a mercê de protestos ostensivos contra uma polícia “Robocopizada”. Pessoas estão sendo lesadas por conta de tais artifícios e a mídia parece tentar mascarar um problema criado exatamente pela tentativa de mascarar outro problema criado para mascarar outro e assim por diante. Ônibus estão sendo queimados, gente está morrendo, gente está sendo presa e esta “guerra” oculta prossegue até que algo mais aconteça e de fininho as peças (ou cacos) sejam recolocados em ordem. Pelo menos para todo mundo entender o que diabos está acontecendo. Tudo está acontecendo agora.



Cada dia que passa, não vejo muita saída para São Paulo. Acredito que de Texas, ela está virando gradativamente o Irã. A destruição, no sentido figurado, de uma grande cidade se dá pelos pequenos atos contra seus componentes, como fazem as doenças autoimunes. Acho que estou exagerando pra soar mais poético, e espero que seja isso mesmo, mas é triste ver que o progresso outrora visado, hoje é sobreposto com uma politicagem muito parecida com aquelas dos livros de história e com o presente momento de individualização dos cidadãos. Pensando bem, talvez São Paulo tenha uma chance de se reerguer quando se estagnar por completo. Antes de paulistas, paulistanos, brasileiros, latino americanos, somos humanos e estes são bons em se reerguer e se adaptar a novas situações, caso contrário, eu não estaria jogando palavras ao vento.



Apesar dos pesares, só o tempo dirá o quanto certo estava ou o quanto errado fui em falar tanta groselha. Os tempos são difíceis e eu não sei mais a quem perguntar por soluções para São Paulo. Talvez eu saiba a resposta, tal como todos os paulistas, mas não estou apto a arriscar um palpite. E se tudo realmente der merda, me mudo pra Recife... tem praia lá, então tá bacana.



crônica desabafo

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