"Eu queria ser atleta... só que não"

por - 14:10

cronica olimpiada


E começaram. Todo boteco, bar, ristorant (que pra mim é a desculpa mais idiota para dar um ar de requinte a um restaurante) ou qualquer lugar que se tenha uma televisão ligada não me deixa esquecer que as olimpíadas estão acontecendo. É legal ver como tanta gente se importa com as olimpíadas, ainda que não entenda nada sobre os esportes olímpicos. Não que isso seja necessário, já dizia aquele sábio meio arrogante “quem não sabe, fica na plateia”. Olhando bem como esses eventos comovem a galera fico imaginando o por quê de não rolar um apoio financeiro maior. Quer dizer, rola o bolsa atleta, mas para uns isso é dar esmola pra quem não quer trabalhar.



Bem que eu queria ser atleta. Eles são muito elogiados, quase semideuses no meio da população civil comum que usa calça jeans. Ter filho atleta hoje deve ser como ter filho padre antigamente. Mas claro, só estou falando do ponto de vista social. Sabe-se lá qual é o verdadeiro corre que este pessoal deve fazer pra conseguir disputar com outros atletas que também fazem seus corres. Será que é uma competição justa? Você não encontra justiça, ela que te encontra. E isso se você der sorte. Ou for religioso. No fim das contas dá na mesma.



No mundo não basta só querer algo, é preciso conquistar este algo. E é aí que parei de querer ser atleta. Em todos os esportes que tentei me aventurar, fui agraciado com a sinceridade de praticantes mais experientes. “Você é ruim pra caramba, hein” e pronto, voltava para a realidade. Alguns podem até dizer que eu devia treinar mais para mostrar o quanto eles estavam errados, mas com isto, teria que considerar a possibilidade deles estarem certos. Não importa mais, agora já esquentei meu banco na arquibancada e devo acrescentar, estou bem confortável nele.



E falando no tal banco, usei-o para assistir um pouco dos jogos olímpicos. Antes de prosseguir, vale ressaltar que não entendo absolutamente nada de olimpíadas e nem de sua gigantesca história, sendo assim, posso ser o mais boçal que meu corpo permitir. Mas voltando, reparei como alguns esportes podem ser bastante cruéis com seus atletas. A ginastica olímpica é possivelmente o mais maligno deles. Como um ser humano no auge de sua forma física pode ser penalizado por dar várias piruetas no ar e pousar sem a maestria de uma borboleta? Se a pessoa abrisse o espaço tempo contínuo com o número de rodopios no ar, uma medalha olímpica não valeria nada se comparado ao prêmio Nobel de física que esta ganharia.



Assisti ao futebol feminino também. Sendo um fã do esporte, falo com leve segurança quando digo que as goleiras parecem sempre as menos habilidosas do time. Nunca achei que peitos fossem algo tão crucial na prática de um esporte. Todo mundo gosta deles, como eles podem atrapalhar numa hora como essas? Sei lá, mas de qualquer maneira, me diverti com um singelo detalhe fora de campo. Por assistir ao jogo na única emissora transmitindo os jogos olímpicos, e que você deve saber qual é, acabei ouvindo de brinde os comentários do Romário no futebol. E porra, que comentarista. Ouvir seus comentários era como ouvir a explicação de um cara que acabou de trair a namorada. As vezes confuso, as vezes engraçado, mas no fim das contas, desnecessário. Muita coisa acontecerá neste tempo de olimpíadas. E quanto mais assisto, mais me esqueço da antiga vontade de ser um atleta.


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