Saia da cidade. Entrevista com o Better Leave Town

por - 08:33

Better Leave Town

Conheci o João em meados de 2005, na época eu tinha um selo e ele tava tocando no Surprise Set, banda la de Blumenau que o selo lançou. O selo morreu, João saiu da banda, mas a produção nunca parou, e além de tocar no Nunca Inverno (Selo Robson!), o mano acabou de lançar o material da sua banda mais nova, o Better Leave Town, que achei bem foda o som, naquela pegada de bandas da Flórida, Hot Water, Samiam, Jade Tree e etc. Trocamos um papo sobre a banda e taí o que rendeu.

Primeiramente, João, fala aí da banda que é nova e muita gente quer saber detalhes: quando surgiu, quem é que toca e o quê toca, quem chega atrasado nos ensaios, etc.

Cara, a banda não é tãão nova. A gente já tá ensaiando há um pouco mais de um ano e já passou por algumas formações até chegar nessa atual. O Carioca (ex- Nunca Inverno, ex-Busscops) foi o primeiro baterista. Depois o Xao (também ex-Nunca Inverno) foi pra bateria e o Piuí entrou pra segurar o baixo. Nesse período todo a gente compôs as 3 primeiras músicas. Aí o Xao quis voltar a tocar guitarra e apareceu o Bino, que é amigo de longa data e já tocou com o Piúi também. Nessa a parada ficou mais sólida, a gente refez o que tava pronto e criou mais coisas novas. Tamo nessa até hoje. E atraso bixo, é geral sempre. Acho que a gente nunca começou um ensaio na hora marcada!

Acho que é inegável a influência da Flórida nessa banda, conta mais sobre as influências da banda.

Sim! Flórida, No Idea... Jade Tree também... A idéia no começo era mais ou menos isso. Essa formação clássica de 4 pessoas, sem o vocalista "solto". Mas acho que hoje, além dessa leva de bandas punk melódicas 90's, a gente acaba misturando tudo. O mais legal é que apesar da proposta ser bem visível pra nós, todo mundo escuta coisas parecidas e muito diferentes ao mesmo tempo e a gente foge da idéia de tirar as idéias sempre da mesma fonte. O processo de criação ficou bem natural e com o passar do tempo juntos, até mais fácil. Lógico que tem algumas influências que ficam mais visíveis, mas a gente tenta roubar coisas desde do Hot Water até o Nirvana, passando por infinitas outras.

 

Better Leave Town

 Sobre o EP, fala aí como foi gravar essas três primeiras músicas e como ta sendo a aceitação dele.

A gente gravou num esquema bem barato e simples. Instrumental ao vivo, todo mundo junto e voz depois. Fizemos tudo com o Lucas do Estudio Passagem aqui em Curitiba. É onde várias bandas geralmente gravam as prés e demos, porque o cara além de gente finíssima manda muito bem. Na real, dessa session saíram 5 sons, mas 2 delas não ficaram do jeito que a gente queria, então lançamos essas 3 de primeira. E cara, a aceitação tá bem legal. Muita gente elogiando, amigos, pessoas que a gente não conhece. Foi uma surpresa boa porque a coisa toda começou sem muita pretensão. Por enquanto o EP tá só na web, mas tamo preparando a versão física. O Rodrigo Botero (tatuador/artísta gráfico) que também é brother de longa data e hoje vive e trampa na Suíça, que fez toda a arte.

Como é acho que pela primeira vez, se eu estiver errado me corrija, ser a voz principal das suas próprias composições em uma banda?

Não é a primeira, mas tá sendo muito legal! Acho que a mais legal que tive nessa posição. Mas o esquema é aprendizado constante. Acho que agora já dá pra entender um pouco melhor do que a gente tá fazendo. O Piuí também tá escrevendo/compondo algumas coisas e tá cantando comigo. O Xao também faz uns vocais. Mas ninguém é cantor. É uma banda punk né, então a gente tá sempre experimentando. heheheheh

É uma pergunta meio babaca, até porque não consigo imaginar esse tipo de som bom em português, mas por que cantar em inglês?

Exatamente por isso! Eu também não consigo imaginar essa banda em português a não ser que seja alguém que escreva muito bem. Não é o meu caso. A língua portuguesa é extramente rica e pode ser bastante complexa, e as vezes, pode soar meio chulé, mas essa é a minha opininão! Aliás, na minha opinião tem poucos caras que se destacam nisso, dentro do punk/hardcore. O Chinho do Chuva Negra/Full Heart, o Carlinhos do Polara/Againe, praticamente tudo do Noção de Nada. Enfim, não são os únicos, mas são os meu preferidos. A gente cresceu ouvindo bandas em inglês então foi uma coisa natural a gente escrever e cantar em inglês (ou "Safadation English", como a gente chama hahahha). Parece que soa mais fácil.

Better Leave Town

Não gosto do termo "projeto paralelo", mas você toca também no Nunca Inverno que é uma banda bem atuante, que veio de uma turnê grande agora com o RVIVR e quase embarcou pra uma tour nos EUA ano passado, mas que também é uma banda de outra cidade. A pretensão do Better Leave Town é sair da cidade tanto quanto o Nunca Inverno ou apenas ser um "projeto paralelo"?

Essa história da tour nos EUA foi um pesadelo. A gente acompanhou uns amigos gringos numa tour que fizeram pelo Brasil e eles nos chamaram pra fazer o mesmo lá. Estávamos com tudo marcado, 15 shows, van e backline em cima e o consulado simplesmente negou o visto de todo mundo. Foi uma merda. Em compensação a tour com o RVIVR foi fodida. A melhor coisa que a banda fez, sem dúvida. Mas enfim. Concordo contigo. Pra mim o termo soa um pouco como banda B de astro do rock. Não tem isso, é um projeto/banda como qualquer outro. E a idéia é também viajar, pegar estrada, enfim, as coisas que a gente gosta de fazer como banda.

Sobre ainda os projetos paralelos, todos da banda tem alguma outra banda ou só você?

Todos tiveram outras bandas, mas agora, além de mim, só o Piuí que é o multibandman da parada e toca em mais 4 bandas: Onde Eu Me Encaixo? e Contadini Morti (de Guarapuava) e Holodomor e Spara (de Curitiba).

Better Leave Town

Quais planos futuros agora que o EP taí, soltinho na rede?

Tocar! Fazer shows e viajar, o máximo que os nossos empregos permitirem. Ser uma banda na prática, não só no ensaio e na internet. Vamos tocar 2 shows no fim de Agosto em São Paulo, setembro em Blumenau, outubro tem Rio. Tudo meio marcado mas nada certo! Hahahahah Também rola Curitiba de novo, no fim de julho no J13. Em setembro a gente vai pro estúdio mais uma vez. Deve rolar um split com uma banda nova de uns amigos de BH. Se der tudo certo, a coisa sai em 7" até novembro pela Burning London, selo também de BH. Estamos armando também um split com oväzio, do RJ. Tem bastante coisa boa rolando!

Bom João, é isso, valeu a entrevista, e por fim, qual a melhor razão para se deixar a cidade?

Eu e o Xao somos de Blumenau SC. Bino e Piuí de Guarapuava PR. Duas cidades bem parecidas, de interior, com cenas bem misturadas. Quando você entra num esquema punk/hardcore numa cidade pequena, você acaba se envolvendo com todo tipo de gente pra conseguir fazer alguma coisa. Quase nunca tem ninguém pra te mostrar como as coisas acontecem. Não é ruim, pelo contrário, mas é um esquema difícil, que as vezes enche o saco somando as limitações de viver numa cidade pequena. Depois todo mundo mudou pra Curitiba por vários motivos. Trampo, faculdade, namorada. Então quando a gente se juntou a sensação era uma coisa do tipo: Ok, nós somos 4 muleques do interior, que saímos da casa dos pais bem cedo, estamos nos fodendo pra pagar as contas e viver como adultos, mas ao mesmo tempo não temos vontade nenhuma de voltar pra casa. É uma banda de Curitiba, onde ninguém é de Curitiba. Meio que uma coisa que não pertence a lugar nenhum. Aí o Piuí chegou com essa idéia do nome, que é um trecho de uma música do Clash, e o negócio fez sentido. Mas enfim, acho que o melhor motivo pra sair fora é que é sempre melhor estar em movimento, indo de um lugar pra outro, do que ficar parado.
Valeu demais pela entrevista, Diogo. Foi um prazer! E po, leva a gente aí pra João Pessoa né! hehee

 

Contato da banda:
betterleavetown@gmail.com | betterleavetown.bandcamp.com | facebook.com/betterleavetown

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