Dinousaur Jr. e nada além disso

por - 14:09

dinosaur resenha


Uma vez, um professor disse algo que me abriu a mente. Conversávamos sobre as ambições que os jovens carregam profissionalmente e pessoalmente e as consequências que estas acarretam positivamente e negativamente. Após alguns minutos de conversa e de reflexão, ele solta a frase que me fez pensar: “o inimigo do bom é o melhor”. Para mim, isso faz o mais perfeito sentido. Por muitas vezes já vi gente almejando o melhor, sem perceber que o bom não é, de forma nenhuma, ruim. Um pouco de determinação não faz mal a ninguém, mas não acredito que esta deva ser tomada pela obsessão de se tornar o melhor imediatamente. Tudo faz parte de um processo, por vezes longo e demorado, mas que é eficaz em te preparar para possíveis novos ares. Mas o que tudo isso tem a ver com o novo disco do Dinosaur Jr.? Bem, acho que tem tudo a ver.


“I Bet On Sky”, do Juninho Dinossauro é a possível prova do que estou dizendo. O disco me soa ainda melhor que o último registro, “Farm”, e faz um ótimo trabalho mostrando o quanto a banda ganha em estar junta. Instrumentalmente falando, o disco é tão bem tocado quanto o primeiro registro. J Mascis sola como poucos, sem perder em técnica e emoção. Lou Barlow e Murph são a cozinha (termo estranho, mas útil) mais perfeita que a banda poderia ter em anos e anos de existência. Poucos baixos distorcidos são toleráveis para os meus ouvidos, por serem monótonos e sem brilho, mas Lou me agrada por ser sólido e sutil em suas linhas. J Mascis cantando é melancólico e monótono, o que anula qualquer possibilidade de crítica, sabendo que é intencionalmente seu estilo. E tocando uma guitarra daquelas, eu cantaria como se tivesse uma meia na boca também.




[caption id="attachment_16593" align="aligncenter" width="440"]dinosaur resenha tal como tantas outras capas de álbum do Dinosaur Jr., esta é uma capa bem Dinosaur Jr.[/caption]

Esta é a parte em que eu devia analisar as letras do álbum, mas é aí que entro com o argumento inicial. Não acredito que letras um dia foram o forte do Dinosaur Jr., apesar de algumas se sobressaírem, mas acredito que a capacidade que a banda tem de me fazer sentir é o que a diferencia de qualquer outra banda do gênero. Muitos dos trabalhos anteriores deles me fizeram sentir tanto quanto este novo, o que para mim, já qualifica este como um disco que merece atenção. No entanto, não devemos procurar neste disco qualquer um dos clássicos que fizeram a banda ser o que é atualmente. Devemos ouvir a banda e esquecer que ela é uma das maiores bandas do alternativo que já existiram para que o álbum seja apreciado como o bom disco que é. São caras tocando música da maneira que eles desejam tocar, sem pretensões gigantescas. E isso já vale pelo menos uma tentativa de ouvir o disco.


Em suma, o disco é bom. Nada genial, mas um bom disco. Com o passar do tempo, acho que fica mais difícil tentar mudar o mundo em que vivemos só com um álbum. Não que isso seja pretensão da banda, muito pelo contrário, aliás, eles parecem muito bem como estão. E eu concordo plenamente que estejam. Como fã da banda, gostei do que ouvi e como ouvinte de música em geral, valeu totalmente a pena ter gasto meu tempo baixando. Como dito antes, a banda não cobra a imortalidade com um disco dantesco e cheio de pretensões mascaradas de ser a maior e a melhor no que faz, são só caras fazendo um som. Ironicamente, este é um dos motivos pelos quais acho que eles são os gigantes que são.


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1 comentários

  1. "Não acredito que letras um dia foram o forte do Dinosaur Jr., apesar de algumas se sobressaírem, mas acredito que a capacidade que a banda tem de me fazer sentir é o que a diferencia de qualquer outra banda do gênero."

    É isso!

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