Eles ainda tocam hardcore melódico em Salvador: Buster

por - 14:08



Com quase nove anos de formação, a Buster é umas das poucas bandas sobreviventes a continuar tocando hardcore melódico de qualidade em Salvador, mesmo depois do período de estiagem que o gênero sofreu.  Com influências diretas e assumidas de Garage Fuzz, Samian, Nitrominds e White Frogs, o som dos caras, além de muito bem feito, tem o elemento que talvez seja o mais importante para bandas de hardcore: sinceridade. Nas apresentações ao vivo, no EP Choose Any Direction e na conversa que você lê abaixo, percebe-se o quanto esses caras são apaixonados pelo tipo de música que fazem.  Recomendo que baixe o EP e já vá ouvindo enquanto lê a entrevista.

- Vocês passaram pelo "boom" do hardcore melódico, sobreviveram à praga do emo e, mais recentemente, à onda dos indie baladinha que arrastou muita gente que era do hardcore melódico. Porque ainda insistir nisso?

Amor. Amor ao underground, ao som que a gente faz, a gente faz só porque gosta. A banda não mudou muito, só mudou que no início cantávamos em português/inglês e depois passamos a cantar só em inglês, porque a gente viu que se encaixava melhor. E até mesmo nesse "boom" do hardcore melódico, a gente tava à margem, ninguém conhecia a gente. A gente sempre nadou contra mesmo, porque é o que a gente gosta, a gente respeita as escolhas dos outros mas tenta fazer nosso som de forma honesta.

- Eu ouço falar da banda há muito tempo, mas era muito raro rolar show e demorou bastante pra vocês lançarem algum material. Porque essa demora?

Com relação a show, a gente sempre fala que a banda sempre esteve aí, era só chamar que a gente ia e é assim até hoje.
A banda começou como power-trio (Thiago, Danilo e Gustavo), bem sem estrutura mesmo, tocando com instrumentos emprestados. Depois Rodrigo entrou pra tocar baixo e era o único que já tinha emprego, o resto da banda todo mundo desempregado e a pouca grana que tinha a gente juntava pra comprar instrumento. Aí só fomos poder gravar algo em 2008, que foram as duas músicas (Friendshit e The same way) que mostraram nosso som pra galera, pelo myspace e deu uma certa visibilidade pro nosso som. A partir daí a gente começou a trampar mais sério, juntar uma grana pra fazer uma gravação legal e no final de 2010 a gente entrou em estúdio pra gravar o Choose any Direction. Depois coincidiu com a vinda do Plastic Fire pro Nordeste, em janeiro de 2011, e a gente aproveitou, conseguiu fazer o show de lançamento junto com eles aqui e em Aracaju, que foi uma experiência muito positiva.



- De alguns anos pra cá, percebi que a banda tem tocado bem mais, aconteceu algo específico pra isso?

Acho que a galera começou a ver que a gente é organizado, apesar de ter essa cara meio "raçuda" e de não ter um visual padrão de hardcore melódico, mas a gente tem muita vontade em fazer o que a banda faz. As pessoas passaram a enxergar que tinha muita verdade no trampo que a gente tá fazendo. Outro ponto foi o surgimento do Coletivo das Ruas, ter conhecido essa galera, Dudu e os outros amigos, e essa coisa de tocar nas ruas tem ajudado muito a gente.

- O que vocês destacam do Brasil atualmente no cenário de hardcore melódico?

Banda nova eu tenho uma dica recente: Crash Playground. É uma banda do baixista do Reffer com o do White Frogs, um som bem na linha Dag Nasty. A gente gosta mesmo é dessa pegada mais oldschool. Tem bandas muito competentes atualmente, o Bullet Bane é outro nome que a gente admira.

- E qual a visão de vocês sobre o cenário de Salvador?

Existe o Coletivo das Ruas, mas é um coletivo de poucos, porque são poucos os que ficam aqui e chegam pra oferecer uma ajuda. Geral quer ver o show na rua de graça, curtir, tomar sua cerveja, mas não se dispõe a contribuir pra que aquilo aconteça. Já houve uma época melhor de estrutura, mas no nosso ponto de vista era muito "panelinha", sempre as mesmas bandas tocando. Era válido, porque aconteciam eventos, inclusive com mais bandas de outros estados e hoje o que a gente vê são as pessoas que vão nos shows porque acontecem na rua e não pagam ingressos, mas muitos não se interessam nem em saber quem está tocando ali, vai só pelo rolé, pela balada. São poucos os que interagem e participam de alguma forma.



- Comentem sobre a recente mudança na formação da banda.

Gustavo (ex-baterista) casou-se recentemente e passou num concurso público pra trabalhar em Campinas - SP, o que tornou inviável a permanência dele na banda. A gente tava querendo dar um gás no trabalho da banda e pra ele ficar vindo de lá pra acompanhar isso tava difícil, até mesmo pra custear as passagens pra esse deslocamento frequente. Continuamos amigos, se falando com frequência, mas chamamos Diogo (baterista prostituto, haha), que é um baterista que toca muito bem, é nosso amigo e pegou rapidinho as músicas, já chegou num espírito legal, tá afim de se jogar com a gente, meter as caras mesmo. Explicamos pra ele o que a gente tava pretendendo, planos de já gravar coisa nova e ele curtiu a ideia. Já tocamos com essa formação e gostamos pra caralho.

- Fora a Buster, alguém da banda tem ou já teve outros projetos de música?

Thiago e Danilo tocaram na Fecal Feast (grindcore), no começo da banda. Somos amigos dos caras até hoje, inclusive Galf que hoje tá fazendo um trampo de rap muito bom. Atualmente, só Diogo toca em uma infinidade de bandas (Jonas, Mapache Man, Aphorism, Derrube o Muro, entre outras).

- A capa do disco é uma foto de um skate, qual a relação da banda com o skate?

Thiago começou a andar há muito tempo, antes de montar a banda, parou mas continua colando com a galera. Doug e Danilo ainda andam de skate e geral cola no rolé de skate até hoje mesmo. Os vídeos de skate mais antigos, principalmente os da 411VM, nos apresentaram muitas bandas, a gente assistia e ficava esperando os créditos pra conhecer mais bandas de hardcore.

- O que é Buster?

Buster é um nome próprio. Existe skatista, ator, cachorro de filme... chamados Buster. A história do nome da banda é que bem no começo, com uns três meses de formação apareceu um show pra tocar na Cidade Baixa (região de Salvador onde a banda morava), e precisava do nome pra colocar no flyer. Aí Thiago viu, não sei onde, esse nome, achou a sonoridade boa e sugeriu pro resto da banda, que aderiu à ideia.

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6 comentários

  1. Rapaz, anos sem ouvir essa linha de som e quando escuto a vibe que bate é a mesma.

    Legal!

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  2. Banda perfeita e entrevista impecável!

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  3. Galera ouçam aí o podcast da apresentação da Buster na Radio Web

    Urubservando:
    http://urubservando.blogspot.com.br/2012/10/urubu...

    Valeu

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  4. Rapaz, só vi essa entrevista hoje...
    Muito boa: história viva do underground em Salvador.
    A Buster ficou com uma pegada mais profissional e underground ainda com o novo batera.
    Confiram o novo EP "Always Trying" (2013).
    Abraço a todos e parabéns ao site pela iniciativa.

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