Festival No Ar Coquetel Molotov 2012: muito POP e pouco experimental...

por - 14:08


Como todo mundo já deve ter visto pela websfera, hoje saiu a programação da edição 2012 do festival pernambucano No Ar Coquetel Molotov. Fui convidado pelo pessoal da organização para comparecer a coletiva de imprensa onde seriam anunciadas as atrações deste ano e resolvi aceitar o convite. Alguns aqui devem saber que eu não sou jornalista, então é sempre engraçado poder colar num ambiente ao qual não estou acostumado. Pude perceber o peso que a marca Coquetel Molotov ganhou ao longo dos nove anos de existência do festival. Foi legal perceber também o quanto mais do mesmo pode soar o jornalista cultural em Pernambuco, mas acredito que isso se aplique ao Brasil todo. É tudo muito básico, parecem até atitudes ensaiadas, mas sempre bacana de acompanhar um pouco mais de perto.


Falando como alguém que acompanha a cena nacional, seja as bandas e seus lançamentos, seja vários festivais independentes (principalmente no nordeste), o formato utilizado pelo Coquetel pode ser visto até como uma referência, pois no nordeste era difícil se pensar em shows de bandas indies dentro de teatros. Hoje você já tem exemplos de artistas como a Karina Buhr, que fez o lançamento do novo disco no mesmo lugar onde vai acontecer e já aconteceu outras edições do Coquetel. Pensando no Nordeste, o Festival DoSol tem uma braço chamado Contemporâneo que acontece num teatro fazem pelo menos três edições. Em Macéio tem sido cada vez mais frequentes eventos independentes no Teatro Linda Mascarenhas, o Festival Mundo em João Pessoa tem um espaço onde rola o atrelamento do áudio com o visual desde quando começou a utilizar a usina Energiza como espaço para seu evento. Eu vejo tudo isso vinculado com a iniciativa do Coquetel ao utilizar tal espaço nove anos atrás e se manter fiel a isso até hoje. Ainda não tenho certeza se isso funciona para o evento, devido a diversos problemas e reclamações do público com esta cultura não usual (não pode beber e fumar) até alguns shows que não tem por característica o uso de tal espaço e acabam rolando alguns contratempos (vide Racionais MCs ano passado, ou qualquer banda que tenha que ter tocado mais baixo para acontecer o show em tal espaço).



Vamos falar um pouco do festival desse ano, posso até soar um pouco bipolar, mas eis algumas opiniões. Tendo o olhar critico de quem acompanhou os acontecimentos que chegaram a escalação lançada hoje, posso dizer que o lineup está bem legal. Tendo em vista a falta de apoio e dinheiro (esse ano não teve apoio da Petrobras), em ano de eleição, fica difícil contar com a prefeitura e por isso o braço do festival que aconteceria no Pátio de São Pedro, não irá rolar. Entre outras problemáticas passadas pelo festival no ano de 2012, acho até positivo o evento acontecer realmente. A grade desse ano é a mais pop de todos os tempos do festival, nenhum nome nacional que toca no teatro é desconhecido do público, mesmo aquele pouco ligado, deve saber ou descobrir facilmente quem são as bandas nacionais. Siba lançou um dos discos de 2012, Vitor Araújo lançara novo disco no festival, Thiago Pethit acaba de lançar o disco e faz um show dele pela primeira vez no festival (deve rolar uma participação especial), Lucas Santtana também lançou um bom disco nesse ano, Os Sertões ainda estão tentando se encontrar no caminho pós cordel e Moraes Moreira tocando o clássico “Acabou Chorare” vai causar um frenesi nos tropicalistas que nasceram na década errada.


Talvez os dois nomes menos conhecidos sejam os gringos americanos, mesmo que Rain Machine, projeto do Kyp Malone da Tv On The Radio, tenha feito alguns shows na época do LollaPalooza pelo Brasil. E o Blonde Redhead nunca tenha pisado no nordeste brasileiro e apareça como a possível e agradável surpresa do festival. Se você for pensar na Sala Cine UFPE, o fator supresa aparece apenas na banda francesa Yeti Lane no sábado e talvez na banda mineira Galanga na sexta-feira, mesmo que seja o primeiro show da banda The First Corinthians, projeto encabeçado por Marcelo Gomão (da Vamoz!). A paulistana Garotas Suecas finalmente vai fazer seu debut em terras pernambucanas e The Mary Onettes mantém aceso o espírito do projeto “Invasões Suecas”, que outrora fez parte do festival fechando a salinha na sexta. No sábado, Tagore é a banda local na salinha, dividindo espaço com os curitibanos da fodástica banda instrumental ruído/mm e o hype nacional do momento Madrid, banda de Adriano Cintra e Marina Gasolina.




[caption id="attachment_16613" align="aligncenter" width="619"] ruído/mm é embaçado, rapá![/caption]

Falando como público e apreciador da boa música torta, experimental e pouco convencional de se apreciar no nordeste e no Recife, fiquei um tanto decepcionado com o festival. Este ano o pop predomina por completo a programação e direciona ainda mais o público experimental para fora do teatro. Ano passado existia ao menos o Health, um único chamariz, mas que bastava para quem consome um pouco de barulho, esse ano nem isso. Talvez a coisa mais estranha que você veja no teatro da UFPE em 2012 seja a performance do pianista Vitor Araújo, as demais bandas seguem a linha mais comportada (digamos assim). Falando em instrumental, ele foi reduzido a banda curitibana ruído/mm, que é um puta grupo e que provavelmente vai deixar a sala UFPE apertada e perdida para alguns, por algum tempo. É pouco pra um festival que já trouxe Tortoise, Berg Sans Nipple, São Paulo Underground, Bodes e Elefantes, Prefuse 73, entre outros nomes para o Recife.


Devido aos diversos problemas para acontecer a edição desse ano, não afirmo que o Festival finalmente decidiu qual público quer agradar com suas atrações a partir de agora, mas a quantidade de bandas que pensam um pouco mais para fazer música, esse ano estão escassas. Rolaram uns rumores de que a organização tentou contato com o Lee Ranaldo, mas que as negociações não andaram. Pra finalizar, já que abrimos espaço para falar das atrações do Coquetel mais um ano, acho justo deixar aqui uma opinião. O melhor disco independente pernambucano de 2012 até o momento é o de Folk feito pelo músico D Mingus e fico triste em perceber que o músico não apareceu em nenhum dos festivais da cidade em 2012. Me faz pensar se sou eu que estou ouvindo demais ou são os festivais que não estão ouvindo direito. Pra quem curte pop, nos vemos por lá. Pra quem curte experimental, passemos calor juntos e vejamos a ruído, até lá!


SEXTA – 21/09
SALA CINE UFPE — A par­tir das 17h
The First Corinthians (PE), Galanga (MG), Garotas Suecas (SP) e The Mary Onettes (Suécia)


TEATRO DA UFPE — A par­tir das 21h
Os Sertões (PE), Lucas Santtana (BA), Rain Machine (EUA) e Siba (PE)

SÁBADO – 22/09
SALA CINE UFPE — A par­tir das 17h
Tagore (PE), ruído/mm (PR), Yeti Lane (França) e Madrid (SP)

TEATRO DA UFPE — A par­tir das 21h
Vitor Araújo (PE), Thiago Pethit (SP), Blonde Redhead (EUA) e Moraes Moreira canta “Acabou Chorare” (BA)

Local: Centro de Convenções da UFPE — Recife — PE
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
À venda na Farm (Shopping Recife), Delta Expresso (Recife Antigo) e Café Castigliani (Derby)
Mais infor­ma­ções: (81) 3048–0558

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5 comentários

  1. Cara, dei uma lida pela web e não vi nada a respeito, parece que esse ano não haverá a edição em Salvador. Uma pena.

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  2. Então cara, não vai rolar edição em Salvador nesse ano. Quem sabe no proximo ano retorne por ai.

    abraço!

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  3. Tem também a mostra Play the Movie com Catatau Instrumental, Kalouv, Eddie e Monstro Amor!

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  4. O Thiago Pethit tocou com a Tiê no Coquetel de 2009! Aliás, esse foi um dos meus estranhamentos na programação... "atração repetida, como assim?"

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  5. Mas com Tiê não era show dele completo, agora é um show apenas dele.

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