Road movie árido ao som do rei Roberto Carlos

por - 11:08

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Entrar numa sala de cinema para assistir a um filme de Breno Silveira é esperar emoções à flor da pele, lágrimas e muitos momentos cômicos. Assim podemos traduzir o mais novo longa-metragem do diretor brasiliense, À beira do caminho. Tal qual o seu maior sucesso, Dois Filhos de Francisco, que contou a história da dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano, Breno apostou novamente num road movie de fácil digestão, disposto a agradar as massas e fazer emocionar, mas sem abrir mão da qualidade do elenco e da escolha da trilha sonora com canções de Roberto Carlos – que inspirou o argumento do filme –, pontos positivos que se sobrepõem ao roteiro previsível.


A dupla João (João Miguel) e o menino Duda (Vinicius Nascimento) protagoniza a história, que fala de amor, amizade, perdas e laços afetivos – feitos e desfeitos. Dirigindo seu caminhão por estradas tortuosas do interior nordestino, João é um homem solitário e rude, atormentado por lembranças dolorosas. Ao passo que o personagem utiliza a solidão como artifício para fugir de seu passado, o pequeno Duda procura a qualquer custo se conectar às suas raízes após a trágica perda da mãe.


O encontro dos dois transforma-se numa jornada de amadurecimento, pontuada por frases de para-choques de caminhão “traduzindo” as diferentes fases de cada um e aliada às canções do Rei (depois de uma batalha pela liberação das músicas), verdadeiro expert em falar direto no coração de seus ouvintes. O filme também conta com a sempre ótima Dira Paes, Ângelo Antônio, Ludmila Rosa e Denise Weinberg.


Assinada por Lula Carvalho, a fotografia é outro elemento de destaque, com suas cores quentes e áridas, levando ao público a atmosfera das estradas de Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e São Paulo, lugares por onde as filmagens passaram. A grande força do longa reside na sintonia entre os protagonistas: João caiu como uma luva para o baiano João Miguel, que sabe bem como externar forte carga emocional por trás da barba mal-feita, da rudeza e da amargura; já Duda encanta o público não só com sua doçura, pureza e obstinação em busca do pai, mas, sobretudo, pela lealdade, cuidado e compromisso firmado em tão pouco tempo com seu parceiro de jornada.


* Resenha publicada no site da revista Continente

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