Vantagens e quase-vantagens de se ter nome estranho

por - 11:09

nome estranho


Estava de boa no meu canto folheando jornais digitais, torcendo para ler alguma notícia que envolvesse acidentes não-letais com cadeiras plásticas até encontrar uma notícia que substituiu bem a outra temática. O quarto filho de Zakk Wylde, ex-guitarrista do Ozzy Osbourne, atual Black Label Society, foi batizado sob a alcunha de Sabbath Page Wylde. Caralho, hein. Tudo bem que não posso falar muita coisa, já que meu nome também não é o mais fácil de se achar na lista dos mais comuns e muito menos na dos menos zoados pela pivetada, mas nessas horas é bom ter um nome menos estranho que esse. E motivado por tal nome e por tantos outros que já ouvi e que considerei mais esquisitos que o meu próprio, resolvi enumerar as vantagens de se ter um nome esquisito.


Ser conhecido sem esforço: Fácil identificação é uma rua de mão dupla. Se você fizer muitas coisas erradas, como por exemplo, pichar muros com o seu nome, tudo fica mais fácil pra te foder. Mas se você for pra uma festa bonita e precisar por nome na lista, é só avisar que seu nome é o mais bizarro da lista e quando a atendente fizer uma cara de nojo misturada com susto, é só dizer que é isso aí e você está dentro. E com um bônus de ficar conhecido pela galera do staff, já pensando nos futuros eventos que você participar por ali.


Marcado para uma geração: A maioria das pessoas por aí são idiotas e adoram julgar seu nome. Digo isso porque mesmo gente com nome bizarro vai falar alguma bosta sobre o seu. Inclusive eu devo ser um desses idiotas, mas sempre vai existir um idiota ainda maior que vai parar todo mundo na roda de amigos e perguntar “QUAL É SEU NOME?” como se você tivesse acabado de falar que cagou vinte e duas capsulas de pasta base de cocaína. E este mesmo idiota vai armar um puta circo só pra mostrar o quanto é bom ter um nome aceito pela sociedade branca, capitalista e cristã. Em outras palavras, você abalou o mundo deste idiota só por ter um nome diferente, sinta-se eternizado, ele nunca mais vai se esquecer de você.


Atribua seu significado: É muito comum algum ex-hippie ou pseudo esotérico que gosta de ler horoscopo de jornal gratuito te perguntar qual o significado do seu nome. E considerando que seu nome pode vir da junção de dois carros sedan ou de uma marca de tênis famosa em Belarus, possivelmente ele não possui um significado tão místico como você gostaria que ele tivesse. Mas isso não é problema. Não ter um significado específico não significa exatamente que ele não possa ter um. Invente seu próprio significado. Diga que a fonética dele vem do inca, que significa “a audácia que rega os campos da esperança” ou do tupi guarani, que significa “índio curandeiro da vida”, ou do céltico para “árvore que floresce no solstício do inverno”. Qualquer resposta que inspire um mínimo de poesia vai impressionar e causar uma impressão muito melhor que aquela que o idiota causou quando falou groselha da sua graça.


Repelente de otários crônicos: Qualquer um com nome diferente dos demais vai causar uma impressão antes mesmo de causar a primeira impressão. Isso pode ser bom ou ruim, mas gosto de pensar que é bom. Por que? Se alguém que desconsidera a possibilidade de você ser uma pessoa legal só pelo nome, esta pessoa não deve nem ao menos pensar em sair do set de filmagens de “Garotas Malvadas” ou não sobreviverá dez segundos no mundo real. Foi se o tempo em que queimávamos bruxas. E todos sabem que isso era errado pra caralho naquela época.


Ser o crânio: Quando alguém pergunta o seu nome, é muito chato ter que repetir ele, mesmo se você o falou em alto e bom som. É aí que podemos trocar o conformismo e acrescentar uma pitada de filhdaputagem. Se rolar aquele “COMO É?’” irritante logo depois de soltar o ar de sua graça, não tenha dó. “TÁ SURDO, CARALHO?” faz bem este papel (o palavrão é opcional, apenas para fins de Zé Pequeno). Deste modo, você será malvado, arrogante ou vai botar moral num possível zé graça. E todos sabem que gente arrogante e malvada são os que pegam geral e promovem a proliferação de todas as DSTs mais bacanas do pedaço. Ou se você preferir a linha mais sofisticada, seja sutil e ensine o que é ser o cabeça do rolê. Mesmo se você não conseguir, o mínimo que pode acontecer é alguém te dizer “você devia entrar para o CQC”. Encare como um elogio, sorria e saia de fininho. Eu sei que ofende, mas aguente firme.


Caridade de gente caridosa: Ter um nome fora dos padrões da sociedade branca e capitalista pode ser de grande ajuda se você é daqueles que adora receber ajuda desnecessária mas que vem a calhar naquelas horinhas em que você tá na vibe. Se você estiver no bar e aparecer aquela mina efusiva que adora fazer carnaval pra falar bom dia, diga o seu nome e faça cara de coitado. Logo após o barulho infernal que esta pessoa fará, no mínimo um abraço você descola. Dependendo da situação, você pode faturar cerveja de graça, comer a rodada de amendoins, arranjar uma doação de camisa de “Feliz 2009” ou até mesmo o telefone daquela gatinha que achou que seu nome era feio o suficiente para achar que você não recebe amor o suficiente. Se você ganhar algo, tá valendo. Nem sempre acontece mas se acontecer, agarre o prêmio como um par de ingressos para ver o Agnaldo Timóteo.


Estas foram algumas das vantagens em se ter um nome considerado diferente demais para o universo, mas lembre-se: você é especial da maneira que for, portanto não ligue para qualquer imbecil que diga coisas feias sobre seu nome. Ligue para os imbecis certos e bola pra frente.

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