"Sobre a efetividade de uma reclamação"

por - 14:12

cronica reclamação


Desde muito tempo ouço gente reclamando das coisas mais variadas que se pode imaginar. E eu não tenho nada contra isso, já que adoro reclamar de quem reclama, entrando automaticamente nesta categoria. Vamos do “tá muito calor” ao “o dólar tá muito alto” em poucos momentos do dia, só pra exemplificar. Mas de todas as reclamações possíveis, uma delas sempre me deixou um tanto apreensivo: o clássico “DJ do busão”, que consiste no indivíduo que ouve música no celular ou mp 3, 4, 5, 666 sem o uso de fones de ouvido, fazendo com que o ônibus lotado se torne uma grande micareta do amor ao contrário.



Isso pode ser muito irritante mesmo, mas por que fico apreensivo? Porque depois de certo tempo, nunca mais cruzei caminhos com este tipo de indivíduo. Quando via gente reclamando o tempo todo deles, até achei que podia se tratar de um exagero preconceituoso especificamente aos funkeiros, que adoram chocar a sociedade branca, cristã e capitalista com seus sons sobre vaginas, motocas e roupas de marca de surfista do Tietê. A galera mete o pau nessa galera sem dó. Todo grupinho tem seu espírito de porco, mas não deviam crucificar funkeiros como fazem as vezes. Deus fica triste quando você faz isso.



Porém, ultimamente este clássico indivíduo tem dividido os ônibus da vida comigo, sempre com seu boné bonito de lado, estilo Ronald Golias, camisa de jogador de futebol dos anos 90, óculos escuros espelhados e com uma corrente de prata gigantesca, pra mostrar que ele tá patrão mesmo. Suas músicas envolviam assuntos corriqueiros como sexo anal, menores de idade e drogas sintéticas. Cidinho e Doca devem chorar em algum canto do Brasil. Não vou mentir que os funks atuais e seus representantes, sendo músicos ou adeptos do estilo de vida, são uns malas mesmo, mas tive que fazer um exercício mental enorme para não sentir raiva do indivíduo em questão. E isso provavelmente me deu uma úlcera, mas enfim.



Após o ocorrido passar a ser frequente, me vi fadado ao destino de reclamar insistentemente com pessoas que nada tem a ver com a situação a fim de que minha dor fosse aliviada. Até que num destes dias, enquanto um grupo de três ou quatro molecotes cantava o refrão de um funk cujo tema era o tráfico de drogas, uma senhora distinta dá um berro daqueles de tia velha quando você faz alguma coisa errada. Ela xingou todo mundo e mandou desligar a parada. A molecada riu, fez piada da tia mas desligou. E daquele momento em diante, nunca mais ouvi funks proibidões... até hoje. Mas espero que as coisas continuem assim. A moral da história? As vezes reclamar para a pessoa certa pode resolver uma situação, mas enquanto você reclamar com a pessoa errada, o batidão vai ser sua trilha sonora. Metaforicamente ou não.


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