Do post-hardcore ao nu jazz

por - 14:08

hurtmold


Por incrível que pareça há quem não conheça a Hurtmold, banda instrumental, experimental, de nu-jazz e sei lá o que. E não é uma brincadeira, conversando com uma pessoa recentemente, ela me disse que já tinha ouvido falar do grupo, mas que nunca tinha parado pra escutar, apesar de terem dito bem.


Como não sou bobo e acho que a Hurtmold é uma das bandas mais interessantes do cenário independente nacional, tive a ideia de montar um texto e comentar a discografia superficialmente apenas para dar uma desculpa na hora de linkar todos os álbuns da carreira deles. Mas antes disso, a história.


A Hurtmold foi formada em 1998 quando integrantes das bandas Pudding Lane, Default e Againe resolveram se reunir para fazer um som um pouco mais Washignton DC do que rolava em seus grupos. Ah sim, os caras? Mario Cappi, Guilherme Granado, M. Takara, Fernando Cappi e Marcos Gerez.


Em 2003, antes do lançamento do disco Mestro (2004), chegou para somar o saxofonista Rogério Martins, afinal, em Cozido, a banda já estava tomando um rumo mais jazzístico do que na demo e no próprio Et Cetera (2000). Depois disso, em 2007 o grupo lançou seu último registro, Hurtmold 2007 e desde então vem trabalhando num novo álbum, que tem data de lançamento prevista para o segundo semestre de 2012 e segundo Guilherme Granado, dessa vez não passa desse ano.


Já deu pra sacar superficialmente o que é e quem são? Então vejam abaixo a discografia razoavelmente comentada por mim e o mais importante: os links para download no nome de cada álbum. Uma boa viagem a todos.


3am-a-fonte-secou


3am: a fonte secou (1998) – Essa é a demo do grupo. Toda uma parada Washington D.C., bem mais post-hardcore do que todos os outros discos. Umas linhas de guitarra bem fugaziana e um vocal naquela pegada clássica de bandas na linha de Lungfish, Nation of Ulysses e esse casting da Dischord.


hurtmold-etc-cetera


Et Cetera (2000) – Primeiro disco de fato da banda. Aqui algumas faixas já são mais parecidas com o que está sendo feito hoje, mas claro, bem de leve. A pegada continua a mesma da demo, só que numa projeção de evolução. Uma coisa que me chamou bastante atenção quando escutei esse álbum foram as letras em português, todas bem escritas. “As vezes fica difícil / um dia eu explodo / como aquele filme / nós deveríamos conversar / mas o ar pesado só me faz tossir e reclamar / não adianta quebrar nada / eu bebo demais / penso demais sobre o que não fiz / nós deveríamos conversar”.


hurtmold - cozido


Cozido (2002) – Agora sim a Hurtmold já está no caminho que conhecemos. Mais instrumentos, mais experimentações e uma influência nítida de Tortoise, Karate e bandas do gênero. Cozido é considerado por alguns a obra prima da banda. Nele, as letras e o vocal ainda não foram completamente abandonadas como em "Mais uma vez, desanimou" ou "Desisto". Vale começar por esse aqui se você nunca ouviu o grupo.


mestro_hurtmold


Mestro (2004) - O disco mais 'nu-jazz' do grupo até agora. Músicas mais longas, uma pegada mais calma e menos dischord. Mestro coloca a banda entre um dos maiores nomes do instrumental brasileiro, mas sem fazer puramente rock: eles não são um Pata de Elefante da vida. Aqui, podemos dizer que a sementinha do que está rolando hoje em termos do que é chamado de post-rock, estava sendo plantada. A única música com vocal desse álbum é Chuva-Negra: “A cada cinco vezes recomeça:/ uma, duas, três... / Nada que signifique algo pra você. / A cada cinco vezes recomenda-se: / uma, duas três... / Nada que seja especialmente feito pra você. / O quê?


Hurtmold (2007)


Hurtmold (2007) - 3 anos depois de Mestro, a Hurtmold volta com um álbum (quebrando a ordem de um lançamento a cada 2 anos). Este é sem sombra de dúvidas o disco que mais dialoga com o que o grupo vem fazendo. Neste registro não há mais músicas cantadas, nem letras. É, na opinião de alguns, o melhor lançamento da banda nesses 14 anos de existência. O grande atento para Hurtmold é que a evolução desde a demo 3am: a fonte secou até ele é enorme. Destaque para Olvécio E Bica, primeira música.


*Obs: o split citado aqui é com a banda americana The Eternals. Para baixá-lo, clique aqui.

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1 comentários

  1. Vi uma apresentação do Camelo com a banda e realmente os caras são muito fodas e merecem um maior reconhecimento

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