Entrevista com o punk mais sobrevivente que você pode conhecer, Fabio Luiz Altro (parte II)

por - 11:08

Nene Altro, Santos 2011


Demorou mas chegou! Por problemas técnicos, da vida (tanto da minha quanto a do Nenê), essa parte demorou muito mais para sair do que o previsto. Algumas coisas estão ultrapassadas, por exemplo, Nenê Altro não mora mais na praia, vive no ABC e o Tyello saiu recentemente do Dance of Days, mas a nossa ideia foi tão firmeza que acho valer a pena publicar mesmo assim. Tanto que, jornalisticamente a parte, consegui umas respostas de umas coisas que o Nenê não tinha falado por aí. Então, boa sorte e boa viagem nessa entrevista. Por sinal, se alguém morar na praia e quiser trocar uma ideia, eu vou sem problemas!


Vale ressaltar novamente: essa entrevista foi feita em outubro de 2011 para um trabalho da faculdade e para ler a primeira parte é só clicar aqui.


Estávamos falando sobre essa calmaria agora, o mar e etc. Você voltaria para o inferno de São Paulo?


Nesse momento não. A gente já pensou algumas vezes, por conta do trabalho, porque daria pra fazer muito mais coisas estando lá, mas às vezes acontecem umas coisas na vida da gente, que agradecemos estarmos aqui, principalmente, porque São Paulo é uma selva, é realmente uma selva, e você está sujeito a encontrar com pessoas dos mais diferentes níveis culturais, desde o ignorante burrão, até o cara que é mais legal pra trocar ideia e tal, e está suscetível a um monte de merda. Daqui você pode planejar melhor as coisas, e nesse momento isso é fundamental pra mim, pois estou colocando a cabeça em ordem, posso pensar “vou lá em tal lugar e vou por esse trajeto pra chegar, vou de carro pra não trombar gente desagradável”, em SP não, em SP você pode sofrer qualquer coisa em qualquer momento, pois são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, então essa paz que esse lugar traz, não tem preço. Voltar pra SP ou pra mais perto é um objetivo, mas primeiro tenho muitas coisas pra resolver comigo ficando aqui.


Pelo o que saquei, você é um cara de fases. Você diria que neste momento, você está numa fase mais “porra consegui”? O alcoolismo foi uma fase em sua vida?


De 2004 a 2010 acho que vivi dos 32 aos 38 o que deveria ter vivido dos 14 aos 20... Não considero que tenha sido alcoolismo, hoje não... Se fosse, eu não teria conseguido mudar novamente de maneira tão brusca. E o que tenho hoje ainda não é meu objetivo final, estou bem determinado a melhorar ainda mais... Sempre fui um adolescente “de boa”, acho que bebi a primeira vez mesmo já no rolê punk, com uns 15 anos, no Teatro Cepac em Guarulhos, no show do Restos de Nada com o Coyote Maldito. Passei muito mal, mas tinha toda aquela cultura oitentista do punk beber vinho na praça com os amigos, acho que deve ter essa cultura punk em vila até hoje... e eu fazia disso o meu rolê antes de vir andar pra São Paulo. Mas com 19 eu já me tornei straight edge, já estava na Juventude Libertária, e isso ainda era 1991. Segui straight edge por quase 13 anos. Na volta da tour europeia do Sick Terror eu saí da banda, tive um surto de depressão e o álcool era novidade em minha vida com 32 anos... Deu no que deu, essa “adolescência tardia”, e me tornei o estereotipo do moleque que “sempre está com uma latinha” no rolê (risos). Mas então vieram as baladas noturnas, os excessos e já em 2005 percebi que não era glamour nenhum viver daquela maneira, que não era romântico o que estava fazendo com meu corpo e que sentia falta era do menino que bebia vinho na praça, não daquilo. Todas as minhas tardes eram eternas, iguais, era espancado pelo tempo, e era isso que escrevi em “Linda, a dor não é tão glamourosa assim afinal” naquela época, pois a solidão era anestesiada pela “vida intensa” que eu proclamava, mas sempre voltava no final. Depois passei anos fingindo não saber o que queria (É tão fútil dizer ser incerto se eu sei bem o que mais quero...) e nadando de uma maneira tola ao fundo do poço a 300 km por hora. Perdi muito enquanto achava que estava “abafando”, mas é aquele negócio, se no meu braço direito tenho “O Amor Vai Nos Despedaçar Novamente”completei com “Há Uma Luz Que Nunca Se Apaga” no braço esquerdo. E enfim acabou... Hoje consigo ver que não era alcoólatra, que nunca fui. Era somente perdido, frustrado e muito, muito triste e solitário... mesmo no meio de tanta agitação, de tanta festa, de tanta gente...


E essa fase agora na praia, como você classificaria?


Faxina na vida, encontrar meu caminho, enfrentar meus demônios um por um... Eu sempre vivi em busca, e esse sofrimento todo, toda essa coisa que gira em torno do sofrimento é a sensação de busca, de você estar sempre atrás de algo, não sabe o que é, mas está sempre ali e nessa busca eu tinha muitos problemas com minha visão politica, por exemplo, com relacionamentos, em saber o que eu queria num relacionamento, eu tinha esse problema de estilo de vida e acho que todo esse inferno que aconteceu antes de eu vir pra cá – a panela de pressão estourando – me fez ver muita coisa em mim, inclusive politicamente, que era algo que sempre me deixou muito frustrado e resolvi admitir isso. Eu sempre fui um anarquista muito, muito convicto, apaixonado pelo socialismo libertário e tal, e quando perdi a crença nisso, quando perdi a crença total na estrutura ideal de vida anarquista socialista, na organização federativa assim, pois perdi a crença em algo maior, que era na própria boa índole humana, pensei “Eu tenho o princípio, mas o que eu vou propor? Onde meu anarquismo se encaixa?”. E essa ideia que agora já consigo visualizar um pouco, que agora eu consigo ter uma ideia de proposta social pra saber o que quero fazer da minha vida.


Li numas entrevistas que você passou a ter contato com o anarquismo por conta do seu avô, que era comunista. Hoje acho meio foda alguém chegar e dizer “vou queimar essa porra toda sozinho”. O que acha que é ser anarquista hoje?


O anarquista é uma peça com defeito, ele é uma engrenagem que não funciona dentro do sistema pelo simples fato de seu corpo estar aqui, mas sua alma não ser mais prisioneira. Só que, quer queira, quer não, você tem que estar ali, você tem que sobreviver nessa sociedade para não morrer de fome e não pode ser burro. Acho que o maior problema de vários dos anarquistas de hoje é essa teimosia dogmática deles, primeiro em falar na linguagem ou viver teorias do começo do século passado, os caras falam como se estivessem publicando no A Plebe (risos) da greve de 1917, o que afasta as pessoas. Segundo, essa coisa tola de enfrentar ignorância com ignorância. Porra, se você chegou num conceito de visualizar uma sociedade livre é porque você é inteligente, e se você tem cabeça, não vai entrar em investidas kamikazes só pra “ganhar pontos com a galera”. Isso não leva a nada, só a tragédias. Se você tem toda essa disposição para lutar você tem que saber lutar contra a coisa toda com inteligência. O que eu vejo como ideia anarquista hoje, de como chegar numa consciência anarquista, seria divulgando e conseguindo cada vez mais áreas, mais pessoas que tenham esse tipo de vida, que não consigam ser absorvidas pela máquina, então é esse o trabalho que eu faço. Conseguir um centro cultural aqui, ou uma pessoa ali, ou uma pessoa que tenha o principio anarquista ali, para criar um foco de resistência ao totalitarismo e sempre combater a formação de novos dogmas. Acho que é o princípio básico de todo revolucionário: combater a estagnação e levar sempre a coisa o mais adiante possível.


Nene Altro e Nicolle, Santos 2011


Quando você diz ignorância, quer dizer o garoto classe média que vai na praia, stronda, quebra braço de menina como rolou esses dias, ou se refere ao pessoal menos favorecido também?


Eu acho que existem “ignorâncias” hoje em dia e não um só tipo, por exemplo, uma delas, é claro que existe a consciência de classe, mas atualmente, principalmente quem faz parte do movimento punk, 80% é classe média pagando de pobre. Tem 20% que tá na favela se fodendo mesmo, mas todo mundo sabe que na favela é a cultura do funk e do rap que falam pela classe, não o punk rock. Então não tem como o cara classe média começar a falar na INTERNET que é explorado, proletário, porque além do cara saber ler e escrever e ter uma consciência dissertativa – pode ser desempregado – mas ele sabe e tem condições de mandar um email xingando os outros cara, daí o que eu tento passar não é um “seu prego” saca? Sou contra esse tipo de atitude arrogante. Isso só prolonga o problema. Tento dialogar pro cara largar essa postura tola de mão e ter uma consciência de classe diferente, que é a de explorado x exploradores, não esse estereótipo de “eu sou miserável e você é classe média”, que é um dogma do próprio punk, pois acho que, se o cara tem toda essa capacidade de argumentar ele pode evoluir desse círculo vicioso, e é contra esse tipo de ignorância que eu luto.


Você acha que a ideia da pessoa poder correr atrás tem muito a ver com a internet hoje?


A internet tem dois lados: tem um de que tudo ficou mais fácil e acessível e tem outro de que tudo ficou mais descartável. Se por um lado todo mundo tem acesso a tudo, pouca gente pesquisa coisas construtivas. E como está tudo ali, muita gente pensa “depois eu vejo”. Hoje em dia a democracia da uma falsa sensação de liberdade, ela mostra pra pessoa “você tá livre”, porque a sua liberdade termina “quando começa a do outro” então você pode fazer “tudo o que quiser”, desde que não interfira na do outro. Isso é a coisa mais medíocre do planeta. Você admitir que está limitado pelo outro, quando na verdade, a liberdade do outro tem que complementar a sua, não tem que ser o seu limite. Você tem que lutar pela liberdade do outro também. E todo mundo tem a visão de que a internet é isso, é aquilo, mas mano, a internet também é 1984, é Grande Irmão, é onde quem quer combater a rebeldia te acha em 2 segundos e entra na sua casa. Você posta uma coisa de manhã, de noite, de manhãzinha tem gente batendo na sua porta. Essa sensação de liberdade digital não é real.


Meio operação torquemada...


É isso mesmo. E não adianta, o cara tem que saber usar a internet – como tudo que tem a seu alcance - a seu favor, como fonte de conhecimento e propaganda, agora achar que você tá livre porque você consegue ter uma banda larga e um carro legal pra você dar uma volta, não é liberdade, é outra coisa, alienação. É uma palavra chavão mas até hoje não conheço outra que identifique esse comportamento.


O que é liberdade então?


Liberdade é você poder pensar do jeito que quiser – que é o que não acontece com a internet como falei acima, com essa falsa sensação de liberdade –, liberdade é você poder ir e vir, e devido a toda essa coisa patriota nacionalista que existe nos governos, você poder constituir sua própria anarquia, ter sua própria sociedade dentro da sociedade, é uma coisa inadmissível hoje em dia. E é aí que entra a maior essência tribal da liberdade, você poder viver da maneira que você quer e se relacionar com todos da maneira que você quer, o Bolo’Bolo (risos), porque o todo escolhe com quem vai se relacionar também, e se o todo vê que você não é bom, você vai ficar isolado mas vai viver do seu jeito e com quem tenha afinidade. A partir daí, você vai estabelecer sua relação com o todo. Para mim, liberdade é um conceito que vai por esse raciocínio.


Nessa praia de internet, eu vejo muita galera falando do Teatro Mágico, que é uma coisa bem babaca pra mim. Na minha visão o Dance of Days foi uma das bandas que começou com essa coisa de download. Daquela época que você usava aquela camiseta nos shows de “contra burguês, baixe mp3”. Queria saber se mesmo tendo selo de disco, você ainda é a favor.


Claro! Na minha época uma das coisas que eu mais combatia era quando o cara tinha o vinil que ninguém tinha e não emprestava pra ninguém gravar fita porque tinha ciúme da banda. “Isso impede o movimento de crescer”, eu dizia pro cara quando era moleque (risos). Então o que eu fazia: todo disco que conseguia, virava 50 fitas cassetes gravadas que eu levava e dava pra galera aumentar a cultura no meio. E o download gratuito é isso. Uma pessoa dentro do meio independente que diz que é contra download ou contra o CD-R, é porque não tem mentalidade de independente, tem mente de capital, quer ter uma pequena empresa dentro do independente e não é assim, vai tentar a sorte entre os gigantes. Não fica tentando estragar o que tem de bom. Sou totalmente a favor, teve uma época nos shows do Dance que a gente falava “pra quem trouxer um CD-R, damos a capinha” (risos).


Bom saber. Vou trazer uns que tenho lá...


Como a gente fazia tudo na mão, o cd no pino num lugar, a parte gráfica em outro, na época a gente fazia muita capinha e sempre sobrava (risos). E eu continuo assim até hoje, acho que essa coisa mesquinha de não querer dividir sempre foi o câncer da contra-cultura.


Então pra você não tem nada a ver em relação ao selo?


Quem gosta, gosta. Se eu curto uma banda, quero ter o disco. Não tem essa, e quanto mais lugar atingir, melhor. Tem muita gente que baixa, escuta na internet e depois vai atrás do disco. Essa logística não funciona muito.


É argumento de burguês, então?


É, e os caras ainda falam que “a internet faliu as grandes gravadoras”. Ainda bem. Pena que não faliu os empresários pois eles ganharam dinheiro demais em todos esses anos. Agora qualquer um pode gravar sua demo e colocar na rádio online, ainda bem que faliu. E quem fala contra é porque sonha em ter seu “lugar ao sol” nas rádios, no “gosto popular”, então não serve para a cultura independente.


Fora que eu tava conversando com o Cleiton da Travolta e ele me falou que a indústria fonográfica já tava zuada desde 99, 2000.


Eles tinham que arrumar um bode expiatório pra colocar a culpa. Aí jogaram na MP3, na internet...


Disse até que teve o “voo de galinha” de um monte de banda.


Muita banda tentou, não recrimino ninguém, cada um fez suas escolhas. Foi legal enquanto tinha a 89fm (quando era rock) e a Brasil 2000, era um espaço justo, não se pagava pra tocar e, pelo menos na Brasil 2000 fomos chamados diversas vezes e tivemos músicas na programação sem gravadora, sem selo, sem produtor. Mas essa época passou, as rádios rock se foram... A galera que embarcou em tentar trabalhar com selos acabou sentindo que o Brasil é a terra do axé, do pagode e do pop. Como você vai falar com a linguagem do hardcore para a massa? Não vai, cara, você vai atingir no máximo o fã do Green Day e Bad Religion e é isso.


Vamos voltar a sua vida aqui na baixada. Como você vê esses “passos” que você deu pra retomar a sua vida?


Quando me isolei e me mudei aqui pra baixada, em 2010, minha vida inteira cabia em umas 15 ou 20 caixas de papelão, entre cds deteriorados, fanzines, documentos do movimento anarquista amarelados, fotos com umidade... Mas era eu de verdade ali, naquelas coisas, e carreguei essas caixas por todas as casas por onde havia passado nos seis anos anteriores. E fui perdendo muito do que tinha... é claro. Me dava muita tristeza abrir e ver como as minhas coisas estavam se perdendo, como eu mesmo estava ficando aos poucos pra trás... Foi quando, já morando aqui em São Vicente, comecei a abrir uma por uma, enfrentar as memórias e recuperar o que podia ser salvo. Foi bem simbólico, esse lance do passo a passo... Da mesma maneira que, quando me senti mal aqui, isolado e com compulsão a voltar pra Augusta, eu entrava ali no mar e ficava por horas até que ele me “limpasse” daquilo... Tudo simbólico, porém fundamental. Me agarrei muito nisso e fui vencendo um dia por vez. E claro que a Nicolle ter entrado em minha vida cotidianamente quando me mudei do canal 1 aqui pra praia de Itararé foi fundamental, pois ela ficou ao meu lado todo esse tempo, me dando força, fazendo pensar, mostrando que era capaz de conseguir. Nunca me forçou a nada, o que foi também muito simbólico pra mim - e acho que ela sabia que eu não melhoraria com força ou repreensão -, mas fazia o que era mais importante, não me deixava só e me escutava. Faz isso até hoje... A amo muito.


Acha que conseguiu então se livrar do alcoolismo?


Hoje penso que nunca cheguei mesmo a ser alcoólatra e que o alcoolismo era muito mais uma fuga pra mim do que eu teria que enfrentar mais dia menos dia dentro do peito. Eu ainda bebo minha cerveja, aliás, gosto de ficar alegre com álcool, breaco, me traz felicidade, então, se eu posso fazer isso num dia e no outro dia retomar a minha vida “normal”, alcoólatra é que não sou. O que eu era mesmo era um grande concentrado de conflitos pessoais, e isso desde minha criação super protegida até tudo que passei nos primeiros anos de convívio social, seja com o movimento punk em Guarulhos ou com o straight edge alguns anos depois. Hoje eu olho em volta e muitas vezes me vejo em alguns meninos bem novinhos, que também agem como eu agia na época da Juventude Libertária, por exemplo, meio dissimulados, cheios das histórias cinematográficas pra contar e essas coisas (risos). Muita gente supera isso naturalmente, vai crescendo, errando e aprendendo em pequena escala, e hoje penso que o que aconteceu comigo no final dos anos 90 quando rompi com o straight edge em são Paulo foi brutal demais (até porque o conflito não foi com uma ou duas pessoas mas com toda uma cena), e fiquei absurdamente ressentido. Tanto que dá pra ver isso nas próprias letras do 6 First Hits, se por um lado eu falava de um novo começo, de uma nova partida, eu falava de abandono e traição em “Left”, de ter sido chutado quando “caí” ao chão em “Fallen” ou de ter sobrevivido ao expurgo em “Plague”. E, se você prestar bem atenção, isso segue em algumas músicas do Dance of Days já na fase do História, como em “Ícaro Sobre as Chamas” mas, mais notavelmente no Sick Terror, em praticamente tudo que lancei com a banda entre 2000 e 2004. Quando minha válvula de escape, que era o Sick Terror, onde eu colocava pra fora tudo isso, me foi tirada, após a tour da Europa, eu busquei me aliviar de outra forma e, infelizmente, de uma que não me fez nada bem. Ser o “mais loucão” do rolê pra mim era como uma forma de afrontar todo esse perfil “certinho” da cena com a qual havia entrado em conflito no final dos anos 90, e, mal sabia eu, nem eles eram mais tão certinhos assim.



Sei que a pergunta é batida, mas puts, aproveitando a deixa, preciso perguntar: Como começou o Dance of Days? Qual foi o embrião pra você chegar e falar: “porra, eu quero tocar isso e juntar uma galera”?


Foi assim: no final do Personal Choice, a gente já escutava todas essas bandas da Doghouse, Initial, Jade Tree... Toda essa galera que estava começando o tal do “emo”, Falling Forward, Boys Sets Fire, Endpoint, Split Lip e isso influiu no Personal Choice na fase final. E a gente sempre teve essa ligação com o Fugazi, com o Embrace por causa do Straight Edge e etc. Logo após o fim do Personal rolou a briga dos “melódicos” com os SXE em SP e eu tinha acabado de ter todo aquele problema no Black Jack de 96 que marcou meu rompimento com toda aquela cena. E muito da briga com os “melódicos” se deu por eles me defenderem nos palcos logo após essa confusão, como o André do Againe fez e acabou rolando toda aquela treta com ele depois. Acho que, após todo esse caos que dividiu a cena em SP foi normal eu acabar andando mais com eles – a galera “melódica” - depois de tudo, pois na verdade eu nem queria sair mais de casa, estava desanimado e só quem me visitava era essa galera, o Cesinha, etc. Mas haviam exceções, a galera sxe de Pinda, por exemplo, não se envolveu, me chamaram até pra cantar no Another Side, cheguei a fazer uns ensaios, mas era longe demais morar em SP e ensaiar lá. Eu fiquei sem banda, perdi um monte de amigos, hoje, quase 20 anos depois, até falo com a maioria deles, mas na época todo mundo virou a cara pra mim. Mas sempre fui um cara que teve banda. Sempre amei isso. Só que o mais complicado é que, naquela época, ninguém queria ter banda comigo, porque tudo era muito recente, muito confuso, umas tretas geravam outras tretas, a coisa parecia não ter fim e eu era muito maldito na cena. Daí o que eu fiz? Comecei um projeto! Eram dois caras do Small Talk, um do Singletree e um do Againe e do Street eu acho, não sei se era na mesma época, posso estar equivocado, que era o Cesinha. E sempre foi um projeto. As músicas eram minhas, às vezes fazia com eles em estúdio, mas todas as letras eram pessoais, e essa é a raiz que coloquei desde o começo do Dance of Days. Era algo pra eu expressar o que sinto e gritar minha visão do mundo. Pessoal e confessional. E isso durou até 98... início de 99... Quando o Dance deu uma parada por “N” motivos. Cada um foi pra sua banda, o Againe começou a tocar mais, o Merielles arrumou um trampo e teve que se dedicar muito, e eu nesse meio tempo tive o Awkward, o Bastard in Love, só que eu nunca tirei da cabeça que o projeto Dance of Days que eu queria não era pra ser só aquilo, não era só pra ser um disco e pronto. Foi quando eu resolvi montar a banda com uma nova formação. Já estava tocando com o Verardi no Sick Terror, começamos uma amizade muito forte e ele foi me indicando as pessoas. Foi assim que escolhi toda essa molecada da periferia pra tocar comigo. Aí o Verardi trouxe o Tyello, na época o Júlio e o Junior, depois o Samuel e o Fausto. Fausto saiu e voltou pra banda depois, foi nesse intervalo que passaram pelo baixo o Fábio do Contraponto e o Mi.


Essa formação com os caras do Againe e Small Talk foi a primeira primeira mesmo do seu projeto?


Eu vim com essa ideia um pouco de antes disso. Da “I Thought It Was Only A Brand New Start” eu tinha feito a base desde o Personal Choice. Quando estava com a ideia de formar uma nova banda, chamei o Daniel, que trabalhava na loja Rocket da Galeria do Rock, pra pegar as bases das músicas que eu tinha feito, e ele foi o primeiro a tirar “I Thought” na guitarra, antes mesmo de falar com o Cesinha e firmar a formação do Six. Acabou que não rolou dele ficar na banda comigo. Depois de um tempo ele montou o Discarga junto com o Douglinhas no baixo e o Nino na batera.


E por que o Dance no começo cantava em inglês?


Toda banda naquela época cantava em inglês (risos). 90% das pessoas cantavam em inglês naquela época caralho! (risos) E o pessoal diz “vocês mudaram”... Não mudamos porra, a cena mudou!!! Até as próprias bandas straight edge começaram a cantar em português esses dias aí.


Mas ainda rola muita banda xxx que canta em inglês...


Então... Acho que o pessoal critica muito sem se situar no tempo e espaço. É que nem as pessoas da galerinha power pop de hoje que criticam as bandas do Sub e do Ataque Sonoro por exemplo. Mano, aquilo era o que tinha mais de avançado pra época! Era o que tinha de mais político. E pra mim continua atual e maravilhoso até hoje e eu quero é que se foda!!! Naquela época do Ataque Sonoro, quem falaria umas coisas daquelas nas músicas? Só os punks. E o pessoal fala isso deles hoje por quê? Porque hoje eles têm a internet e acham que a internet “sempre existiu”. É muito ruim julgar algo sem estar situado ou ter vivido uma época.


Pode crer, quando mostrei na época, acho que em 2008 pra um amigo que curtia uns Pink Floyd o “O Começo do Fim do Mundo” que abria com o “Face da Morte”, que o cara ficava falando isso a música toda, o máximo que mudava era na hora do 1,2,3,4 e eu achava isso genial. Meu amigo virou e falou “porra, que merda de música”. O pessoal pensa que ainda estamos em 80...


E eu valorizo muita coisa dos anos 80. Eu fui ver o show do Inocentes esses dias os caras começaram com Miséria e Fome e continuaram tocando o que estão fazendo hoje, passando por todas as fases. É uma banda ótima, que está ai até hoje.


O que você tem escutado hoje? Vale coisa antiga. Quando você e a Nicolle estão trampando e tal...


Puts, vai do dia. Cada dia acordamos com uma vibe, tem dias que trabalhamos muito nas coisas da Teenager e outros que o sol não está destruidor e preferimos aproveitar a praia (risos). Vai de Black Flag a Descendents, Avail, Alkaline Trio... Eu nunca tive a cabeça muito fechada pra música. Tenho minhas bandas preferidas, o Cólera, o Restos de Nada... Inocentes eu ouço bastante, acho o Miséria e Fome e o Pânico em SP marcos na história do rock nacional. Plebe Rude... eu gosto de rock nacional dos anos 80, acho legal pra caramba.


Eu vejo que tem muita gente que torce o nariz por exemplo pro Legião Urbana, “ah é uma merda”, “o cara tentou imitar o Morrissey”...


E aí? Mesmo punk eu tentei imitar o Renato Russo quase minha vida inteira (risos). Quem nunca se deixou influenciar por seus ídolos que atire a primeira pedra.


Li por aí que você curtia o Renato Russo mesmo... Queria saber sua relação com o Legião.


Cara, eu conheci tudo junto. No início dos anos 80 era uma coisa assim, você comprava o “Que País É Esse” e o “Pela Paz em Todo Mundo” no mesmo dia, na loja de LPs da sua cidade. Era tudo rock nacional! Não tinha essa coisa mais segmentada que veio depois. Pra gente era um vinil de rock. O Cólera quando eu tinha 13 anos tava no mesmo patamar do Capital Inicial, independente de um ser independente e outro ser de gravadora você comprava na mesma prateleira. O Olho Seco você via na prateleira o split com o Brigada do Ódio, e depois tava lá um Cabeça Dinossauro na sequência. Você acabava pegando os dois. Principalmente se tinha o aviso de que o LP tinha uma faixa censurada (risos). A molecada pirava! E nesse primeiro contato com os LPs eu gostava de umas coisas e não de outras. A mente dos anos 80 tinha essa vantagem porque era tudo novo nesse sentido – apesar dos radicais. E mano, Legião foi uma banda que foi marcante não só pra mim, pra toda minha geração e nada mais normal que eu ter essa relação com eles até hoje pois eu toco rock, eu vivo o rock, tudo faz parte de meu background. Eu não digo que acompanhei muito, acho que acompanhei os LPs até o Quatro Estações, depois comecei a ficar mais radical no punk... faz parte (risos). Mas até aquela fase ali tudo deles foi muito importante pra mim em minha formação. Eu não desvalorizo nada do que os caras fizeram, acho muito legal.


Falando no Legião, lembrei. Por que rola tanto a coisa da banda em relação “Quando Veneno Sob Lança”, que eu acho uma música fodida e ninguém quer tocar?


Não, cara, é piada deles comigo (risos). É que eles falam: “o Nenê trouxe uma musica ai que é tipo Legião”. O Faustinho, por exemplo, gosta muito. Cada um tem uma piada “interna” na banda (risos). A gente além de ser uma banda, somos bem amigos. Vivemos brincando bastante um com o outro. Se hoje estou conseguindo vencer essa fase ruim dos meus últimos anos, muito eu devo também ao Dance of Days. Eles chegaram ao absurdo de pagar pela minha sobriedade, de me dar uma grana pra não beber em show. É uma loucura, mas eles fizeram isso no desespero, pra tentar me ajudar.


Total Terror DK


Você ainda tá com o Total Terror?


Acho que o Total Terror não vai virar mais, a gente tentou manter por um tempo, daí parou. Não tem como. A gente tem que conciliar essa coisa toda da minha distância, da minha recuperação... O Dance puxa muito. Eu tenho vontade de ter um projeto mais powerviolence, mas na linha Sick Terror da fase “Aborto Legal” do que o som que está rolando no Total, mas uma coisa que não seja tão “banda” quanto o Total Terror tava se tornando, mais por diversão mesmo. Com o Total Terror já estávamos tendo convites para tocarmos sozinhos, pra viajar, turnê no Rio, não ia ter como rolar. Porque você tem que se dedicar a uma coisa, no meu caso a manter a estrada com o Dance e em paralelo me recuperar. Não adianta tentar abraçar o mundo com as pernas.


E o Nenê Altro & Mal de Caim?


Cara, o Nenê Altro & o Mal de Caim... foi bem triste pra mim mano. Se você ler esse meu segundo livro, “O Diabo Sempre Vem Pra Mais Um Drink” e escutar as músicas do disco que estávamos preparando na mesma época e que deixamos apenas no Tramavirtual da banda, vai ver que as duas coisas estavam intimamente ligadas, não só pelo título do álbum, mas pelo que estava acontecendo comigo. O Edu Krummen sempre foi um grande músico e, como eu sempre disse, esse projeto sempre foi algo meu e dele. Sem ele a coisa não teria sentido. Ano passado a banda dele, o Das Projekt, acertou um acordo de lançar um disco com a Pisces Records, do meu brother Ulysses. Até dei os parabéns pra eles na época, pois curto o trabalho que a Pisces faz. Então, continuamos compondo e, nesse meio tempo o Ulysses mencionou de lançar esse novo disco do Mal de Caim também, o que dividimos e compartilhamos a felicidade no próprio ensaio. Só que, com a minha fase ruim, a mudança pra praia, o meu isolamento para vencer tudo o que estava passando, não tinha como eu subir sempre a SP para ensaiar. Nesse meio tempo a Pisces propôs colocar todos os discos antigos do Dance of Days em catálogo, o que foi legal pra gente, pois já não estávamos mais relançando os velhos títulos e lançou a notícia na página do selo. O disco do Das Projekt ainda não havia saído e a impressão que deu quando eles viram a notícia na página era a de que o Dance estava “furando a fila”, o que não estava, aliás, nem sei quando vamos começar a lançar esses discos do Dance, talvez só ano que vem (risos). Foi só uma notícia... Enfim, aí subi pra tocar e o Edu não foi, ninguém da banda falava direito comigo, cortavam o papo, o que me chateou bastante, isolaram a mim e a Nicolle dos assuntos, tipo coisa de turma de colégio mesmo saca, e definitivamente eu não estava com cabeça para uma situação dessas nesse momento de lutas da minha vida. Achei muita falta de sensibilidade e de compreensão por parte deles, mas, sei lá, tivemos uma história juntos, o Mavinho conheço desde que era molequinho baterista, então, anunciei no palco que aquele seria o último show da banda, pois não havia sentido seguir sem o Edu. Melhor manter a história como estava até o momento. Foi triste, pois era a melhor fase do Mal, as músicas estavam muito boas e por mais que eu quisesse enterrar tudo o que eu cantei naquelas letras, foi uma maneira de colocar tudo pra fora e aliviar a pressão. O Ulysses da Pisces depois esclareceu tudo, escreveu pra eles, contou que o convite tinha partido por parte dele e que ter divulgado os lançamentos futuros do Dance foi só uma notícia empolgada, mas aí tudo já tinha acontecido. Não sou muito de manter situações, sempre acho que as histórias ficam mais íntegras se tem um começo e um fim dignos. É bom saber a hora de terminar.


Caso o Dance te encha o saco então...


O Dance não acaba porque, desde o começo é um projeto pessoal meu, fala de minha vida, de meus sentimentos, mesmo tendo se tornado essa banda super forte e hoje ser tanto a vida dos caras quanto a minha. Hoje somos uma unidade, fazemos e vivemos tudo juntos, mas enquanto eu estiver vivo estarei gritando minha vida nos microfones e a banda não acabará.


Vejo que o Dance é mais do que uma banda, parece uma família...


O Tyello não gosta que falemos que somos família, ele gosta que chamemos de quadrilha, de gangue. Ele disse que esse negócio de família banalizou. (risos)


Fui em vários shows e dava pra ver que vocês se gostam...


A prova maior disso foi essa minha fase de depressão e vícios. Eles gostam tanto de mim que me aguentaram todo esse tempo e me ajudaram da maneira que podiam.


E o Fausto e o Tyello são Straight Edges né?


Sim, total! E eu continuo bebendo, não me tornei “anti-álcool”, como muita gente pensa, mas não bebo mais em dia de show, por exemplo. Foi algo que prometi a mim. Era algo que tava me atrapalhando, eu tô conseguindo ter mais folego. Minha garganta tá toda fodida pelo álcool e creio que ainda vá demorar um aninho pra voltar a ficar 100%.


Vi um show do Total Terror na Semana da Independência, você tava meio mal ali né?


A Semana da Independência foi algo difícil. Eu tinha acabado de me mudar pra cá, tava numa depressão profunda, largado, não fazia barba, não sabia onde ia estar no dia seguinte... Tomara que nesse ano eu a aproveite bem mais. Se tiver outra (risos).


Quando ouço a Funerais II, eu visualizo toda aquela parte do Centro, a São João ali perto da Praça do Correio, Barão de Limeira, Guainazes, toda aquela parte...


É... Eu meio que morei ali, na metade da Guainazes. Eu tinha um “quartel general” ali... Fase terrível.


Perto do Princesa Isabel?


Não, ali perto da Timbiras.


Bem na “parte legal”, hein?


Nem gosto de lembrar... Às vezes me vejo ali nas lembranças e parece que não sou eu, que estou me vendo “de fora” da cena que está frente a meus olhos. Muito ruim...


Eu visualizo muito mesmo, tanto que quando eu tô lendo o Funerais, lembro muito do Centro. Queria saber o que aquele pedaço significou pra você naquela época e o que significa hoje?


Acho que poderia dizer de outra maneira. Posso dizer que romantizar o “estilo Bukowski” só é bom pra quem é bunda mole mesmo e só fala, pra quem nunca viveu aquilo na carne, pra quem acha “bonito” e “bem louco” só que vendo tudo de um lugar seguro e confortável. Agora pra quem tá na pele da porra toda, é a coisa mais horrível, terrível e detestável que existe. Você não vê a hora de sair desse ciclo de depressão. Pimenta no cu dos outros é refresco, como dizem por aí. Sempre é legal pra essa gente ver os outros se foderem em desespero e pensar “porra, que legal”, “esse cara canta muito bem a depressão”. Canta o caralho, cara! Eu quero mais é sair disso! Luto até hoje! E se estou conseguindo vencer agora é porque cortei toda essa galera que romantizava essa merda toda em minha vida, e não na delas, isso jamais né. Essas pessoas pareciam querer me manter naquilo num condicionamento bizarro de escravidão ao personagem, pra eu continuar escrevendo o que passava e elas se projetarem de maneira segura em minha vida enquanto era eu que me fodia. A música “Os Funerais do Coelho Branco II (em linha reta)”, fala bem disso. Não era bom, era terrível, eu só queria desaparecer (por isso cito Holden Caulfield no final). Tanto que uma vez, antes de me mudar aqui pra praia, eu fiquei num hotel ali da Guainazes, fui tomar um café da manhã num barzinho que tinha na esquina, e chegou um craqueiro todo torto e me falou: “Eae Japonês, beleza? Como tá a vida?” e me deu aquele negócio no peito de “olha o mundo com que eu convivia diariamente”. Onde estava o romantismo “Bukowski” naquela tristeza toda? Eu não merecia isso, aquele cara e essas pessoas não merecem isso, a vida tem que ser muito mais que isso para o ser humano! E parecia que tinha passado muito tempo, mas eu estava ali, nesse meio, fazia apenas um ano e meio, caçando assunto por aquelas ruas na madrugada... É um submundo mesmo, não tem palavra mais correta, é um mundo abaixo do mundo. E as pessoas que romantizam essa porra falam que “acham legal viver assim”, e o quanto é “fora do consumo”, que “a virtude está em se manter bêbado o tempo todo” e essas merdas. Falam porque não vivem isso. Passam por isso de fim de semana, enchem a cara, aprontam na Augusta e comentam disso no facebook enquanto trabalham ou estudam durante a semana. Não sabem o que é perder a vida de segunda a segunda num vício como esse. E não sabem porque tem medo, só projetam isso na vida dos outros que “acham muito loucos” ou em seus personagens de final de semana, porque sabem que assim podem ter um pé pra fora e sair correndo quando o bicho pegar. Bukowski só é bom pros outros, pra quem “acha bonito” de uma distância segura. Quem está na merda entende, se identifica, mas não vê a hora de sentir novamente o peito cheio de vida.


Pra concluir, em toda essa história de Dance of Days, tem algum arrependimento?


Não gosto muito de ver algumas entrevistas que dei nessa fase, o jeito que falava para as câmeras ou a maneira que escrevia aos blogs e revistas. O “Rock Estrada” da Multishow por exemplo, foi um puta espaço que o Daniel (do Emo.) conseguiu pra gente com uma ótima intenção, mas registrou bem essa fase em que estava mais perdido, até na cabeça mesmo, falo sem problema algum... Mas sei que tudo fez parte de um processo. Ninguém disse que crescer – e viver - ia ser algo fácil. O que você cultiva com sua formação familiar você colhe na adolescência, o que cultiva na adolescência afeta a vida adulta e, pra falar a verdade, até o que você sofre quando criança continua a te afetar. A infância é uma das fases mais gostosas, mas também uma das mais cruéis da vida. Algumas pessoas conseguem resolver seus conflitos com mais facilidade, outras não, mas todo mundo só quer viver de boa, ter prazer na vida, se sentir bem. E eu consegui ficar bem quando encarei toda minha vida de frente, quando coloquei todos meus passos numa linha de tempo e tentei começar a entender porque cada coisa aconteceu em minha vida. Dentro da cabeça de cada um, sua vida pessoal é um filme que assiste da poltrona principal e todas as outras pessoas são coadjuvantes, mas quando tirei de meus ombros todo peso de ser o único responsável por tudo que me acontecia e passei a encarar que, a partir do momento que você passa a fazer parte de um organismo social todos “universos face a face com você” – como diz o Redson – também te atingem com seus próprios conflitos, inseguranças e imperfeições, consegui deixar esse “complexo de mártir” pra trás e viver de boa.

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6 comentários

  1. Muito boa a entrevista.

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  2. O cara é foda, tem meu respeito.

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  3. A estética da II parte ta bem melhor, todas as perguntas estão com espaçamento e em negrito. Boa a entrevista

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  4. A parte I foi postadada quando usávamos o blogspot e no processo de importação tivemos vários erros. Os códigos escritos pelo serviço do google são meramente visuais e não são corretos, de acordo com a linguagem HTML e os serviços de validação na web. Por isso, alguns posts, principalmente os mais longos, foram \"desfigurados\". Tentamos arrumar mas está tudo tão errado que corrigir levaria muito tempo.

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  5. a melhore entrevista com o Nenê que eu já lí.
    vários detalhes, tudo bem a vontade (tanto nas perguntas como nas respostas)

    e a parte que ele 'dá uma lição' pra galera que paga de poeta ou que acha bunito 'romantizar bukowski' é MUITO boa.

    parabéns !

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  6. BUENAAAAAAAA VAI QUE VAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

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