Livros que li e me arrependi

por - 14:08

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Estava passando por um boteco lotado daqueles universitários que bebem muito, dançam o tchu tcha tcha e depois se fodem nas provas finais, até reparar algo que me chamou atenção. Não podia ouvir nada por conta de meus fones de ouvido, mas podia ver claramente uma tatuagem enorme de uma garota com os dizeres “viva uma vida sem arrependimentos”. Isso, sem dúvida nenhuma é difícil pra caralho. Sempre tem aquela hora em que você pelo menos pensa “mas que porra”. Na verdade, aposto como a própria dona da tatuagem vai se arrepender quando a flacidez da pele chegar e a frase virar um hieróglifo perdido pela erosão. Como sou um moleque piranha com carteira assinada e tudo, não tenho muitos arrependimentos grandes na vida, porém, a coisa muda de figura quando o assunto é literatura. Li uns livros muito bons, bons, legais, médios, regulares e uns que me deram vontade de arrancar o braço na dentada, portanto, resolvi listar alguns que livros que eu me arrependi de ter lido e ver vocês pirando o cabeção nos comentários. Pura diversão!


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O Mundo de Sofia: Só pra deixar claro, eu gosto deste livro e acho até que é injusto dizer que eu me arrependi de ler. Na verdade, este livro é muito bom e eu o recomendo se você tiver a paciência de um jogador de bocha. Apenas uma coisa neste livro é frustrante, constante e por isso está nesta lista. A porra da Sofia. Se o livro se chamasse “O Mundo de...” provavelmente ele seria um best seller até hoje. A protagonista do livro é chata, monótona e te dá vontade de jogar o livro na boca do cachorro. E este é um livro com uma forte didática em filosofia, o que faz a chatice da protagonista ser um agravante. Não estou dizendo que filosofia seja chato, mas para alguns, simplesmente não desce. Se você gosta de filosofia, é um prato cheio, mas se não gosta de personagens ruins, pode ser perigoso.


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O Alquimista: Paulo Coelho é um grande escritor brasileiro. Quem foi que escreveu isso? Juro que não fui eu, pois acho ele bem mediano, quase regular. Não sei o que a galera vê neste senhor. Talvez seja aquela coisa toda junto com o Raul Seixas ou essa parada dele se achar um “mago”, que depois serviu de inspiração pra autora de Harry Potter escrever aquilo tudo e fazer mais dinheiro que o original. Mas tudo bem, não dá pra ganhar tudo nessa vida. Achei o livro meio chato, com poucos momentos em que eu realmente me peguei entretido. Quando terminei o livro, até pensei em ler de novo, só pra ver se deixei escapar o momento em que o Paulo Coelho se tornou esse dragão branco de olhos azuis da literatura. Mas pensei de novo e troquei o livro por um patinete. Valeu muito a pena.


materia livrosO Código Da Vinci: Aí entramos num campo minado. Por alguma razão, as pessoas parecem gostar bastante deste livro, tal como Anjos e Demônios, mas não sei se por causa dos filmes ou se pelos livros mesmo. Mas acho que isso não importa. Me arrependi de ler este livro por ele ficar meio na zona de conforto do autor e não instigar muito o pensamento do leitor. Ele até instiga, mas não a ponto de te dar recursos para pensar junto com o doutor Langdom, o que acaba tornando o livro um grande episódio de Scooby Doo de quinhentas páginas e nenhum biscoito Scooby. A única coisa que não estraga totalmente o livro é que ele hoje é o apoio perfeito para o monitor do PC. Fora isso, não acho que acrescenta nada ao leitor. Sobre Anjos e Demônios não posso falar nada porque nem quis arriscar. Já foi ruim o suficiente ter gasto dinheiro pra ir ver no cinema.


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Misto Quente: Todo mundo adora o Bukowski, menos eu. Veja bem, não nego o fato de que ele é um grande escritor em termos de vendagem e contribuição cultural, porém, não me empolguei em nada quando li Misto Quente. Pode me chamar de crente virgem que não entende nada de “movimento beat” e outras coisinhas descoladas da contra-cultura, mas acho este livro muito chato, repetitivo e sério demais pra quem leva a vida com putas e bebida. O cara não faz nada que não seja beber, trepar e reclamar que a vida ainda não acabou. Tudo bem que muito do que ele dizia era compatível com o que pensava na adolescência, o que me motivava a continuar lendo o livro, mas muitas das ações controversas do personagem pareciam ser apenas para chocar a sociedade em que ele vivia. É bacana mostrar a todos que o mundo não é uma ostra, mas entrar na ostra pra dizer isso não me parece uma ideia muito boa. Mas enfim. O livro em si é legalzinho, mas puta merda, depois da terceira trepada e da oitava garrafa fica mais complicado aplaudir. Vale ressaltar, esta é a minha opinião. Desnecessária, mas ainda assim.


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O Doce Veneno do Escorpião: Quem lê este livro e ainda quer ler Cinquenta Tons de Cinza tem que rever os conceitos na vida. É o maior conto erótico nacional que você pode encontrar numa livraria. Lembro que após o lançamento deste livro, houve um boato de que o livro foi escrito por um “ghost writter” (nome bonito para dizer que o livro não foi escrito pela autora que consta no título do livro), mas quanto a isso acho que não dá pra saber. Li o livro exatamente por esta curiosidade e só posso dizer que fica uma dúvida no ar mesmo. E só pra constar, é impossível ficar excitado lendo o livro se você lembrar que quem escreveu foi a Bruna Surfistinha, então a experiência foi como ir a um botecão e ouvir aquela tiazona com calça de couro falando como foi o rala coxa no show do Leonardo.


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A Torre Negra - O Pistoleiro: Antes de falar que me arrependi de ler este livro, fiz uma pesquisa breve só pra saber como as coisas realmente funcionaram para o resto do mundo. Aparentemente este é o primeiro livro da série mais cultuada do Stephen King, que foi diretamente influenciada por J.R.R Tolkien e filmes de faroeste. Bem, sabendo disto, me sinto mais tranquilo em dizer que realmente dá pra notar claramente estas influências, mas apenas isso. O livro se arrasta tipo segunda feira. Por melhor que sejam as influências do autor para escrever o livro, isso não faz com que o livro se escreva sozinho. E ainda que ele se escrevesse sozinho, ele seria provavelmente menos prolixo, porque a partir do momento que você leva um capítulo pra descrever o humor de alguém, você sabe que o livro vai ser desnecessariamente longo. Nem cheguei a terminar de ler a série só pela raiva que peguei do primeiro. Posso estar perdendo muito em não ler, mas prefiro desta forma.


Bem, esta é a minha pequena lista. Minha lista. Não sua. Se você gosta destes livros, só posso respeitar sua opinião e te desejar um feliz natal e um próspero ano novo. Viver uma vida sem arrependimentos é praticamente inimaginável a não ser que você seja J.C., sendo assim, tente viver uma vida apenas, veja como ela é difícil por si só e tatue “Thug Life” na barriga. Te garanto que você será uma pessoa muito mais responsa e ainda eliminará qualquer possibilidade de algum doidão te ver na rua e ficar pensando sobre seu rabisco super transado.


Errata: O livro de Henry Charles Bukowski que realmente li não foi Misto Quente, tal como Rafael Zanatto apontou, mas sim Mulheres, do mesmo autor. Em outras palavras, troquei o nome dos livros. Desculpe nossa (que na verdade é minha) falha.

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6 comentários

  1. como chama misto quente em ingleis??

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  2. Não li nenhum desses mas acrescento dois: Senhor dos Aneis (pqp que livro chato!) e Factotum, do Bukowski (ou eu não sou descolada o suficiente ou a galera é meio trouxa porque eu não vi nada demais nesse cara... ou eu li o livro "errado" dele, vai saber)

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  3. Por que vc se arrependeu de O Doce Veneno do Escorpião? Pq não te excita?

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  4. Reconsidere a Torre Negra, o livro foi escrito qdo o King tinha apenas 18 anos. Ele mesmo afirma que o livro é cheio de falhas. Mas a série vale a pena. Uma da melhores que já li!

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  5. Que post legal pra caralho!
    Não consigo me lembrar de nenhum livro que me arrependi de ter lido. Lembro de alguns que li (mas não lembro quais eram) quando não tinha nada de bom pra fazer mesmo, então, na verdade, não sei dizer se foi melhor ler enquanto esperava o ônibus no meio da madrugada ou se melhor seria observar nada acontecendo. Difícil saber.

    Conheço dois dos livros citados e nenhum deles é o do Bukowski, mas quanto a esse autor posso dizer que ele é ótimo se você está bêbado. Sóbrio eu não entendo nada; bêbado é uma viagem bem legal. Quanto mais, melhor. Até o momento em que, de vesgo, não se consegue mais ler, joga ele pro lado, dorme e quando acorda não lembra de porra nenhuma do que leu. Há cinco anos leio "Notas de um Velho Safado" e até hoje não faço a mínima idéia do que tem lá.

    E vai... o Código da Vinci não é ruim em um domingo que não tem absolutamente nada pra fazer e por isso mesmo você não quer ficar fazendo absolutamente nada, nem assistir tv, nem ver as crianças arrebentando o joelho na rua ou o caralho. É um livro de ação que o cara lê de uma tacada só e entretém. É uma punheta.

    Bre

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