Não acredite em tudo que você lê no Alt

por - 11:07

Marighella


Diego desconversou e disse que, na pior das hipóteses, eu não tinha nada a perder.


Nada.


Nada, além do respeito dos meus parentes; talvez meu emprego (vai saber); dinheiro (Diego me pediu emprestado R$ 10 mil, disse que já devolvia); meus pais (imagina: alguém contrata um matador de aluguel pra liquidar minha família, seria uma bosta); a tampa da bateria do meu celular; minha camisa nova do Corinthians; aquele bilhetinho de amor que eu ganhei na quermesse (certeza que era um cara); a revistinha do Ben10 que meu sobrinho esqueceu aqui em casa; meu “Appetite for Destruction”, do Guns; meus óculos escuros (seria horrível, são meus bens mais preciosos); meus amigos (já são poucos) (e nem são tão bons assim); aquele DVD-R com “Rashomon”, do Kurosawa; enfim, tenho bastante coisa a perder. Basicamente tudo que eu tenho.


Pois este é o pré-requisito para perder: ter.


Eu não poderia perder uma Ferrari Testarossa, por exemplo. É aquela com os faróis retráteis.


Eu até gosto de carros.


Se eu tivesse uma Testarossa nunca que taria aqui escrevendo à toa. Falando nisso, o Paulo (tem o Paulo também) disse que eu poderia escrever sobre qualquer coisa. Inclusive muita putaria (é o que pretendo daqui pra frente) (mas hoje, não).


Hoje vou começar desagradando.


Tem esse post, “Livros que li e me arrependi”. Nele, há resenhas de livros cuja leitura supostamente causou arrependimentos (a quem supostamente leu), como adianta o título. Entre os livros, vá lá, vários que não li, todos títulos conhecidos, mas uma pequena joia: “Misto quente” ― “Ham on Rye”, em inglês, respondendo à pergunta do internauta, feita nos comentários. Porra, minha cerveja tá acabando (tá muito boa).


Ham on rye: presunto no centeio, pão de centeio ― cuja pobreza a tradução não contempla (afinal, misto quente tem presunto e queijo e é quente). Cabou a cerveja, infelizmente.


Mas então, to viajando aqui. Mó fome da porra. Tá muito quente esses dias.


Ham on rye era o lanche que o pobre Henry Chinaski, alter ego do Bukoswki, levava pra porra da escola, onde não era bom em nada e não tinha amigos.


Todo mundo mais ou menos conhece o Bukowski (exceto aqueles que não conhecem, que são a maioria praticamente absoluta da população na Terra), e sabe como ele é: como descrito na resenha: um sujeito que leva a vida com putas e bebidas. Pois este pode ser o enredo de qualquer livro do Bukowski, menos “Misto quente”, que narra sua infância e adolescência.


Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro (tipo o Pedro Bial), seria: leia “Misto quente”. Vale pro Altnewspaper também.


Altnewspaper mente!


Poder ao povo!


A luta continua!

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1 comentários

  1. Caralho, eu sou muito burro... no post em questão, confundi os livros. Eu na verdade li o "Mulheres" e não "Misto Quente" e devo acrescentar que li faz tempo... Depois coloco uma errata no post, corrijo ele ou sei lá.

    Mas de qualquer forma, muito obrigado por pontuar isso, Rafael. A enciclopédia da vida ainda é o Fantástico (e eu vou baixar o PDF de Misto Quente, já que não vende em camelô). Bem vindo! hihihi

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