"Livros não te deixarão mais inteligente"

por - 14:11

cronica livros


São Paulo é uma cidade que ainda me surpreende das mais variadas formas. Não só pelo excesso de conservadorismo ou pelo espírito de síndica velha de condomínio que quer dominar sua vida pelas câmeras de segurança, mas pelas coisas que permanecem intactas e verdadeiras diante das mudanças que as novas velhas ideias proporcionam a este ambiente. Numa de minhas andanças pelo centro da cidade, fui parado por um rapaz de cabelos longos e, definitivamente, nada preocupado com sua aparência. Ele me cumprimenta e começa a questionar as mais inimagináveis coisas, provavelmente na esperança de conseguir manter um diálogo inteligente. Nunca fui de corresponder a expectativas, então me limitava a fazer uma cara de quem adoraria saber mais sobre suas filosofias de vida.


Não sei se sou expressivo o suficiente para tê-lo feito entender o que pensava ou se aquilo tudo foi uma jogada de marketing para o que estava para vir, mas após terminar sua dialética socrática, o rapaz sacou um livreto e o ofereceu por uma quantia em dinheiro. Minha vontade foi a de gritar “SOFISTA!” a plenos pulmões, na intenção de que a polícia científica me ajudasse a não comprar o livro e a aprender seu conteúdo sem pagar nada. Afinal é pra isso que a polícia científica serve, não? Para prender sofistas e te dar multas se você não faz trabalho sob as normas da ABNT. E ao invés de armas, eles carregam calculadoras da HP e gritam “parado em nome das leis da natureza!” para efetuar as abordagens. Seria a polícia mais sensacional do universo. Não deste, talvez de outro, paralelo.


Mas retomando, não gritei nada e, por pura curiosidade, comprei o livretinho. Nem pensei em possibilidades, comprei porque apostei no elemento X. Aquele que fez com que três menininhas surgissem no porão de um cientista solteiro e obcecado em fazer crianças perfeitas. Aliás, que historinha creepy, hein? Mas enfim, sabia que o livretinho ia agregar algo para a minha vida. Ou ao menos queria que ele agregasse algo, afinal eu paguei por aquela porrinha. Pensando bem, não foi isso que me fez comprar o segredo da vida do poeta morto do centrão da cidade. De alguma forma, fiquei feliz em saber que a cultura ainda se dissemina como antigamente, como naquela discussão sobre o vinil perder força por causa do CD e do CD perder força por causa do MP3.


Ainda há uma resistência não-reacionária em cada esquina, ainda há disseminação, ainda há vontade em se fazer algo. E isso me comoveu inconscientemente. Um misto de esperança de que o mundo como conhecemos nunca vai acabar e de vontade de fazer a diferença neste mundo agora. Tudo isso antes de ler o livreto. Depois que li, me decepcionei. Ele era muito mal redigido e até um pouco tosco. Dois textos eram contos gore mal acabados, que me soaram como uma tentativa de parecer algo feito por Nelson Rodrigues e um texto eram poesias sobre os nove pecados capitais. Sim, não sete, NOVE, sendo os outros dois “DROGAS” e “APEGO”. Quanto ao apego, até compreendo, mas DROGAS? Este é um conceito mais amplo que a vaidade em se iludir com alucinógenos. No fim das contas, foram os cinco reais mais mal gastos do Brasil. Mas é bom sentir algo diferente, ainda que seja por um momento. E é aí que a cidade ainda me surpreende.


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3 comentários

  1. cara, na moral, nao quero ser ofensivo, mas vc escreve muita merda.

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  2. Porra cara, legal tu expressar sua opinião, mas pelo menos argumenta!

    Explica pro cara em que parte e o que foram as merdas que ele escreveu.

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  3. Posso tentar ajudar a explicar.... O título é de outro texto não deste!
    O primeiro paragrafo até a últimas letra é uma bolota de cocô de gato... muita e pouca pode ser identificada.
    Dica: Não comece lendo estes conteúdos de rua... geralmente são compreendidos apenas por quem pensa, conversa, ri e vive naturalmente e vivamente... sem tentar criar um personagem fake pra cada pessoa a seu redor.
    Comece com revistas como capricho, carla, boa forma e depois avance para uma veja!
    Vá deGavarinho amigo!

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