"Ih, acho que vai chover"

por - 16:08

cronica clima


Nada melhor do que falar do tempo pra puxar um assunto, não? Quem nunca recorreu a este maravilhoso recurso da técnica sócio relacional que perdura pelos milênios como uma arte cada vez mais perdida e dominada por poucos conforme passam os anos? Não consigo narrar a felicidade que tenho em falar do tempo quando me vejo numa sinuca de bico e preciso falar com um desconhecido seja por qualquer questão. Obviamente, o assunto em questão não me entusiasma em nada, mas é de impressionar como algo tão singelo e babaca como o clima pode ser compartilhado por praticamente todo mundo, criando instantaneamente um ponto em comum entre todos nós, a não ser que você seja um robô.


É muito bacana puxar um “poxa, acho que vai chover”, mesmo que esteja um tempo aberto e sem chances matemáticas de cair algo do céu ou um “tá frio, né?” mesmo que esteja um calor infernal rasgando a terra. Quanto mais discrepante da realidade melhor. Assim você tem paradoxos, e assim você tem o que falar com a pessoa. Não que o clima seja passível de discussões metafísicas, mas ainda assim, a partir dele é possível criar níveis de conversação variados. Aí se começa a perceber a importância do clima nas relações sociais, não somente como fator determinante para a sobrevivência do homem, mas também como parte importante de seu desenvolvimento social, capacidade de argumentação, percepção de padrões e criação de sistemas de afeição. Impressionante, não? Obviamente não tenho como provar nada disso, mas fica o pensamento.


Quantos amigos temporais você já fez? Tente se lembrar de todas as vezes em que falou com alguém por conta de uma chuva que não passava, um calor de matar ou mesmo um frio nuclear que te fez bater o queixo como uma lhama peruana. As possibilidades sempre são grandes. Aposto como o Globo Repórter faria um programa inteiro sobre isso. Pessoas que se casaram porque estava chovendo demais, cientistas australianos provando que a neve é causada por conta da solidão das pessoas ou uma tribo indígena da America Central que consegue controlar o vento com as batidas do raggamuffin. Isso é muito coisa do Globo Repórter  Diversões cientificamente questionáveis ou a pura verdade de um trabalho jornalístico com diploma? Vai saber...


De qualquer maneira, espero ter feito você perceber como o clima pode ser algo muito maior do que é, mesmo sabendo que ele já é grande pra caralho. E não tenho nenhum motivo em especial para fazer você acreditar nisso, é só uma daquelas observações que a gente faz enquanto anda pela rua distraído ou quando está no bar pagando a segunda rodada de cerveja pra uma mina que fuma cigarros com cheiro de amendoim. Nada de muito especial, a não ser pela especialidade do momento. Além do mais, segundo os maias e a molecada, o mundo vai acabar logo logo, então acho que as pessoas daqui a pouco não ligarão mais para estes tipos de observação e estarão mais preocupadas em se salvar, metaforicamente ou não. Enfim, aproveite enquanto pode e mesmo que o mundo não acabe, aproveite mais ainda. Chovendo ou não.


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