Cena Low Fi: Resenha do show + entrevista com BNegão & Seletores de Frequência em Curitiba.

por - 15:07


BNegão & Seletores de Frequência realizaram na madrugada de 20 de outubro no Espaço Vanilla em Curitiba (mais) um show daqueles dignos da expressão “clássico”, que o Bernardo Santos, o BNegão, usa tão bem quando quer sintetizar um evento memorável. Programado inicialmente para às 01h30, o show da principal atração daquela noite só teve início às 2h44, e nem o atraso da entrada no palco e os problemas com o sistema de som durante todo o evento mudaram o ímpeto/profissionalismo e tampouco o set list, com mais de 20 canções e duas horas de duração. Afinal, BNegão & Seletores e o público presente estavam determinados a se divertirem até amanhecer, como de fato ocorreu.


Sintoniza Lá”, “Alteração (é a!)” e “Reação” foram as primeiras músicas executadas no show, todas do segundo e mais recente álbum (lançado em maio deste ano) intitulado “Sintoniza Lá”, que tem uma sonoridade da (nova) formação dos Seletores de Frequência, totalmente “orgânica”: (praticamente) sem bases eletrônicas ou samples. As faixas contaram com BNegão (voz e guitarra) e os músicos Pedro Selector (trompete, guitarra e voz), Fábio Kalunga (baixo), Robson Riva (bateria e voz), Fabiano Moreno (guitarra e voz), com o reforço significativo no palco das presenças de Paulão (MC ) e Marco Serra Grande ( no trombone).


Dorobo” parceria musical de BNegão e (saudoso e definitivo) Sabotage, com direito a menções honrosas também ao Francisco de Assis França (Chico Science, sempre lembrado pelo BNegão)  levantou a massa presente no Espaço Vanilla – a plateia formada por jovens e adultos das mais variadas etnias, tribos e classes sociais, fato que valorizou ainda mais o evento e as suas respectivas atrações.


Enxugando Gelo”, cantada em peso pelo público, “O Mundo (Panela de Pressão)”, “Vamo!”, “V.V.” e “ Proceder/Caminhar” mantiveram o pique do show até um dos pontos mais memoráveis do baile promovido por BNegão e Seletores de Frequência, com a “sequência matadora” das músicas “Chega Pra Somar no Groove”, “(Funk) Até o Caroço” e “Prioridades”,  música que causou o aplauso mais longo do show, já por volta das  4h00 da madrugada, o que emocionou bastante o “Tim Maia do século XXI”... Por falar em referências, naquela altura a banda resolveu fazer um bloco só com covers, entre elas “Chase the Devil” (Max Romeo) e “Pass the Peas” (The J.B.'s) em “Essa É pra Tocar no Baile”, que causa a sensação nítida de mais um hit na história dos Seletores de Frequência – direta, dançante e pegajosa. Em seguida tocaram “Bass do Tambô”, mais uma pedrada do álbum “Sintoniza Lá”, e (a “carioquíssima”) “O Processo”.


Houve uma breve pausa para os agradecimentos ao público e a todos que ajudaram a realizar o evento, que contou com a abertura das bandas Matorrales e Real Coletivo Dub - a noite comemorou os 04 anos do Trip Bar, situado no mesmo logradouro do Espaço Vanilla (Rua Mateus Leme). Após o pequeno intervalo, muito hardcore com “Subconsciente” - com direito a luzes apagadas e roda de pogo -  “Qual o Seu Nome?” e a esperada clássica “A Verdadeira Dança do Patinho”. Aos dizeres de “fiquem com Deus, usem camisinha e cuidado com a Polícia” veio o bis, com “Jangada Beat” (uma ciranda executada por um solo de trompete e uma base de beatbox feita pelo BNegão com a música incidental “Suíte dos Pescadores” de Dourival Caymmi). Até aí tava tudo previsto no setlist, mas o público queria mais e já eram 4h30m do sábado 20 de outubro, mas a banda voltou a tocar mais pout-porris das suas referências musicais, com destaque para “Caminha” (De Falla) e “Zenon Zenon” (Jorge Bem) e “Evebory Get Up” do Frank n Dank.


Após o show ficou a certeza que BNegão é um dos ícones vivos oriundos da década de 1990 que figura muito bem no atual cenário da música autoral independente do Brasil, que apesar de contar com muitos novos e bons nomes precisa de diferenciais como o que o Bernardo dos Santos & CIA traz - saber apresentar todas as facetas da sua “música negra universal” sem dividir ou confundir o seu público. Posso afirmar até que sem deixar saudades do Planet Hemp - pois em nenhum momento das duas horas de show alguém pediu uma música da banda que o revelou. Ou seja, foi realmente clássico esse bailão.


Agora abaixo o vídeo do papo breve com BNegão, logo após este show resenhado pelo André Mantra (@cenalowfi) que também o entrevistou :


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