Mente vazia num ônibus lotado: E todo o céu vai desabar (aa aaah) aaaah...

por - 14:08


Estava outro dia no trânsito, mais uma vez dentro de um ônibus relativamente cheio, mas dessa vez sentado, quando ouço aquele som vindo de algum lugar na parte de trás do coletivo. Eu não vou falar aqui dos DJs de ônibus e seus funks e bregas que somos obrigados a conhecer em nossos trajetos, já que o Welker fez isso algumas vezes na sessão de crônicas semanais que tem por aqui, menos ainda dos trajes de tais Djs de busão, com correntes no pescoço, bermudas frouxas e bonés Ciclone.


O que aconteceu aqui foi o seguinte, a música que tocava meio longe e veio meio que aumentando de volume no meu cérebro não era nova, nem de tais estilos da moda (pelo menos não da moda atual).  Me senti naqueles comerciais mentirosos que mostra alguém com o celular utilizando o 3G super rápido para realizar pesquisas, mas nesse caso a pesquisa acontecia entre as sinapses do meu cerebelo, procurando em meu histórico de onde eu conhecia aquela porra de música, até conseguir chegar em meu objetivo. A canção foi um dos hinos do pagode romântico nacional, estou falando da música Temporal (que eu achava que se chamava Apogeu, um nome muito mais lógico né?!) do saudoso e longínquo grupo Art Popular (obrigado ao Google). Que por sinal, deve ser a melhor letra de pagode romântico da história.


Isso me remeteu diretamente aquela mixtape de pagode anos 90 que saiu por aqui tempos atrás e me fez pensar qual pior poderia ser se na época do auge do pagode romântico nacional já existisse a tecnologia dos celulares capazes de fritar ovos e tocar música dentro dos ônibus pelo Brasil. Digo isso porque os refrões das músicas de pagode são mil vezes mais fáceis de se compreender e pegajosos que qualquer funk e brega dessa nova geração amadora aí. Ou você não canta o backing vocal depois de ler a frase “É, até parece que o amor não deu. Até parece que não soube amar”?! Canta aí...



Lembro que já chegando no declínio dessa galera, que usava óculos escuros no pescoço e chinelinho pra ir pra qualquer lugar, foi quando os ônibus começaram a ter rádios e os motoristas do Recife começaram a ouvir música durante seus percursos, fazendo com que tivéssemos que andar com nossos Walkmans, rádios de pilha ou CD Players (eu só tinha o radinho de pilha mesmo) e torcer para não ser assaltado a qualquer momento. Mas se você for pensar que hoje em dia as rádios que essa galera ouve no buso são as evangélicas, da até saudade de ouvir versos como “Você reclama do meu apogeu (do meu apogeu) e todo céu vai desabaaaar (aaaaaaar), desabou me iludiu”, diz que não?!


Por sinal, no meu desespero em encontrar essa música, saber de quem é e essas coisas todas, corri atrás do Welker, especialista e responsável por 90% dos posts que falam de pagode (ou qualquer outro ritmo duvidoso deste humilde site) e descobri que ele é mais demente do que eu imaginava. O camarada tem uma espécie de teoria da conspiração, que culpa o fato dos pagodeiros terem vendido as músicas para as gravadoras, como o responsável por ainda não ter acontecido um revival do pagode romântico dos anos 90. Imagina se voltam todas aquelas músicas de refrões pegajosos, letras sem muito sentido, mas com enorme sentimento, backing vocals repetidos e com algumas parodias (tipo: e a coroa esperando neném, ou qualquer merda dessas)?


Mas, esse texto todo tem por objetivo perguntar algumas coisas: por onde anda o Art Popular?! Qual o nome daquele vocalista (o outro, não o meio japa)? Que fim teve o pimpolho? Algumas perguntas sem repostas da nossa cultura nacional outrora de massa e hoje esquecida em fitas k7 e CDs empoeirados nas estantes. Mas pensando bem, melhor uma volta dos pagodes anos 90, do que aquelas bandas de axé da Bahia, naipe Gerasamba, Terra Samba ou qualquer outro trocadilho possível. E com uma doida trash e seminua rebolando...


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