O Pig Destroyer queimaria você se pudesse

por - 12:08

Pig Destroyer - Book Burner


Estava no busão esses dias ouvindo música e cuidando de minha vida até que um grupo de palmeirenses entrou e começou a gritar muito. Nem era dia de jogo nem nada, era só um grupo de torcedores apoiando seu time, ainda que sem o time. Por estarem em maior número, não me arrisquei nem a mostrar que a lógica deles poderia estar incorreta, então apenas engoli em seco e botei um Pig Destroyer pra tocar no meu player de música. Ninguém entendia o auge do trocadilho infame que estava acontecendo naquele ônibus, mas ainda assim foi bacana. Recentemente inclusive saiu disco novo do Pig Destroyer, intitulado Book Burner. Aproveitando esta anedota saudável e esta comédia que é a vida, resolvi dar minha opinião não solicitada sobre o trabalho desta belíssima banda.


E meu Deus! Que disco é esse? Tô sentindo a porrada na orelha até agora. Valeu muito a pena ter esperado esse disco sair, isso porque o Natasha (último lançamento da banda, um EP de 2008) tinha ficado uma parada de outro universo. O clipe ficou praticamente um curta metragem de tão foda. Mas voltando ao queimador de livros, fiquei muito satisfeito com o que ouvi e digo isso em todos os sentidos possíveis. Instrumentalmente, a banda tem progredido muito, seja pela adição de elementos eletrônicos e samplers, seja pela técnica do novo baterista e do bom e velho guitarrista, que por acaso é um ex-Anal Cunt. Quem diria, hein?


pig destroyer resenha


A bateria numa banda de grindcore, por mais barulhenta que possa soar, requer extremo domínio técnico, que o baterista em questão sem dúvida nenhuma demonstra ter sem dificuldades. Sério, este baterista é um animal. As guitarras também são excelentes e isso desde sempre. Em dezenove faixas, é impressionante como nenhuma das músicas caiu naquela mesmice de sujeira e velocidade por conta do som pesado da banda. A parte eletrônica é muito bem executada, pois não estupra seus ouvidos como um dubstep retardado de drogadinho de balada. Tudo foi trabalhado em prol da criação de uma atmosfera mais obscura, que te imerge ainda mais no desespero e na paranoia que a banda já conseguia passar antes.


J.R. Hayes é um dos melhores vocalistas americanos da música extrema em minha singela opinião que não foi solicitada. Desde os primeiros registros da banda, lá em 97, esse cara monta no dragão do capeta. E ele não decepciona em nada neste disco. Os trabalhos vocais, e pelo que consegui captar das letras, são muito bacanas mesmo, fazendo um misto de desespero, sofrimento e dor que se encaixam perfeitamente em todo o contexto instrumental da banda, tornando a experiência de se ouvir o disco uma maravilha barulhenta. J.R. é tão foda que todos já devem ter visto o vídeo em que ele tá no CBGB’S com o Pig Destroyer, o microfone quebra e ele continua o show mesmo assim, berrando e ainda estando perfeitamente audível. Isso é inimaginavelmente foda.



Além de ter feito um álbum muito bom, o Pig Destroyer também lançou uma versão deluxe, com sete covers. Sete4! E covers muito bacanas de Black Flag, Misfits, Angry Samoans, Negative Approach, Circle Jerks, Minor Threat e Void. Na boa, a esta altura do ano, acho que já dá pra dizer que este é um dos melhores álbuns do ano. É um disco muito bacana e que vale a pena até comprar se você tiver uns obamas aí sobrando (se você for um playboy com doletas, claro). Se você não for, relaxa que eles disponibilizaram a versão deluxe com os covers e tudo pra streaming no bandcamp deles. É muito amor, fala aí.


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