Um vampirão em São Paulo

por - 15:08


Eu já aviso, rapaziada, se for um medroso de arrepiar os pelos do cu, não continue a leitura. Esse não é um relato comum e corro risco de morte ao contar, posso afirmar que o calendário dos maias sobre 2012 passa longe da tragédia que acontece em uma cidade chamada São Paulo, onde uma espécie de homem perambula espalhando medo e o caos por onde passa. Suas maiores vítimas estão localizadas nas áreas mais necessitadas e sem proteção. Tranque as portas, queime a Veja e desligue sua televisão.


Nessa quarta-feira ordinária, a lua brilha, mas não como a careca dessa criatura maligna, que se alimenta das entranhas dos mais pobres e oferece aos ricos como se fossem bolachas de água e sal. Declaro que seu maior poder é seu chute, que dispara uma bomba disfarçada em formato de sapato. Não se engane mero leitor, não precisará pagar filminho hollywoodiano sobre terror, pois o inferno reina aqui, sem exagero e demagogias.


Como prova de que tudo que escrevo é verdadeiro, abrirei mão do segredo e vou lhes explicar os fatos. Certa madrugada qualquer, Bela Lugosi veio me visitar. Apavorado e indignado, contou-me que um certo sujeito o qual não recordava inteiramente o nome, uma hora ou outra dizia tucano, noutra o Massacre da Serra Elétrica. A memoria o traia, então deixou de lado e voltou a falar do acontecimento que o deixava mais pálido, um certo fulano teria roubado seu posto de vampiro, ou Drácula como preferir, e que se fingia de bom homem oferecendo abraços e o mãe paulistana para cravar seus dentes no pescoço da população.


O mistério começava a tomar conta, coloquei-me como Sherlock Holmes e então fui atrás de informações e infelizmente o que encontrei não foi nada agradável. Primeiramente cito que encontrei pessoas que humildemente, faço uma comparação aos zumbis, não pela maldade ou pela forma estética, longe disso, mas pela forma que eles pediam comida. A fome degradava. Existia uma divisão entre pobre e rico, o vagabundo e o bem sucedido, parecia historia de Halloween de tão assustador.


Enquanto ficava cada vez mais perplexo e convencido que o que tinha visto me levaria a esse Drácula contemporâneo, naquela noite, enquanto caminhava presenciei um vulto, o quão assustado já estava, ouvia meus próprios passos com tanta atenção que o medo me tornara vulnerável. Se você já esteve amedrontado por tudo que estava ao seu redor, me entenderá. Depois de algum tempo o vulto veio acompanhado de uma risada, tipo da bruxa do 71, o clichê já era inevitável.


Precisava saber quem estava ali, minha vida estava em risco, mas o propósito era consciente. Então ao perguntar, “quem está aí?” enquanto ninguém aparecia, fiquei parado imaginando o que poderia vir ao meu encontro. Pensei nos mais terríveis monstros: vampiros, na Regan, no Jack Torrance... cara, até o Zé do Caixão entrou na lista, mas logo meu pensamento foi interrompido. Uma coisa se aproximava, fui me afastando lentamente até tropeçar e cair, seria meu fim, a criatura chegava mais perto e seu rosto era então desvendado, um homem comum, me deu a mão e disse: "Você precisa de ajuda, irei te ajudar, vote 45". Tudo foi esclarecido.

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