A noite em que a fumaça voltou

por - 12:08

[caption id="attachment_18024" align="aligncenter" width="610"]Ensaio-para-a-Planet-Hemp-Tour-2012 Ensaiando[/caption]

Metade do dia passado de um dia cheio de setembro e eu recebo a informação de que uma das bandas mais controversas do cenário do rock nacional está prestes a ressuscitar do recanto ao que foi relegado depois de sofrer com várias acusações de apologia e com a vontade coletiva de seus componentes de fazer outras coisas fora da banda e que a passagem deles por Recife era quase incontestável, a expectativa a respeito de como ia ser legal ver essa banda na ativa de novo, virando essa mesa do conformismo musical da cena atual, nasceu. Passei os próximos meses esperando que o show fosse “enfumaçadamente” matador.


Primeiro Ato


Colo no local do show bem cedo pra observar a chegada da galera que se preparava pro show e  tentar perceber a ansiedade do público daqui pra assistir a lendária banda conhecida pela defesa ao usuário de canabis, ao vivo e mais direta do que nunca. De cara já encontro o local completamente tomado na entrada por um pessoal pilhado até o ultimo nível e prestes a fazer o local pegar fogo numa das noites épicas que eu presenciei aqui em Recife.


Segundo Ato


Já passava da meia noite e a casa estava lotada a um nível que causa preguiça de sair do lugar pra comprar cerveja, e o som muda repentinamente pra uma apresentação drops de um artista de hip-hop chamado Píngua, que com as pick-ups do Dj Gordox apresentaram musicas autorais durante alguns minutos agradando a uma parte da plateia e cumprindo seu papel de divulgação sem maiores dificuldades. Tenho que deixar uma coisa registrada, durante o som pré-show, a plateia tava tão pilhada que já fazia rodas gigantescas na pista que chamaram a atenção da banda, antes mesmo deles entrarem no palco.



Depois de mais uma hora de espera, a esquadrilha da fumaça entra em cena, já com a energia do público no máximo. E para abrir as portas da percepção, um discurso inflamado do Gil Broder, do canal Away News, sobre a luta contra a criminalização da Canabis foi o bastante pra o lugar vir a baixo. A formação original do Planet Hemp, D2 e BNegão nos vocais, Formigão no baixo, Rafael na Guitarra, e Pedrinho nas baquetas entrou chutando a porta, e mandaram uma sequencia de 4 músicas sem parar que deixou a galera tão energizada que a roda não parava mais. Todas as faixas eram acompanhadas aos gritos, em peso, pelo público do local. O show foi separado em três atos bem definidos, cada um contendo um disco específico, com músicas sendo executadas por ordem cronológica e com uma breve descrição história sobre o contexto em que ela foi criada.


Ato 1 - Usuário: foram as faixas executadas com maior energia já que tanto a banda quanto o público já estavam bem instigados desde bem antes do anúncio do início do show. Músicas como "Dig Dig Dig (hempa)", "Legalize Já" e "Mary Jane" foram acompanhadas por uma roda gigante que insistia em durar desde antes do show começar - o que foi citado por várias vezes por D2, durante a apresentação.


Ato 2 - Os Cães Ladram mas a Caravana não Para: foram cantadas a plenos pulmões pela maioria das pessoas presentes os hits “zerovinteum”, “Queimando Tudo”, “100% Hardcore” e “Adoled (the ocean)” com um público incrivelmente insaciável. Tava foda.


Ato 3 A Invasão do Sagaz Homem Fumaça: aqui as canções que mais tocaram na MTV e portanto as mais conhecidas da maioria, “Ex-quadrilha da fumaça”, “Raprochenrollpsicodeliahardcoreeragga”, “Quem tem seda?” e “Contexto”, pra preparar a galera pra o final apoteótico da noite. Antes de acabar o show e passar pro bis, a banda fez a versão pra “Samba Makossa” que tem no disco CSNZ da Nação Zumbi, o que desencadeou um mantra entoado pela plateia como homenagem a Chico Science, citando trechos da letra de “Mateus Enter”. O publico instigou a roda até o ultimo segundo de show. Sem parar.


Fiz questão de não citar o setlist inteiro, pra te fazer pensar, será que eles tocaram “tal musica”? Tocaram. E qualquer outra que você imaginar foi tocada também. Porque foi foda.



Terceiro Ato


Os caras mostraram que não perderam o tato no que diz respeito a falar o que os entusiastas da fumaça querem ouvir, foi um discurso direto e explícito o tempo todo. A plateia respondeu a altura, cantando todas as músicas, sim, todas, a plenos pulmões, fazendo uma roda que eu não canso de citar e deixando a noite ainda mais abrilhantada, com uma recepção de gala a uma banda que já fazia falta nos palcos há 10 anos e que precisava ser ouvida novamente.


Depois do show, o pessoal dissipou muito rápido, o que me deixou surpreso já que eu esperava uma fila gigantesca, principalmente pra sair de carro. Me enganei pra minha felicidade: em poucos minutos já tinha pego o carro e rumado pra casa depois de uma noite inesquecível. A noite em que a fumaça voltou.


*resenha feita por C.Krig. As duas fotos do show também foram feitas por ele.

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1 comentários

  1. Critica sincera de alguém que, sem dúvida, deve ter muito mais que assistido o show. A voz de um fã que sentiu toda essa energia exclamadas nas entre linhas desta minuta. Gostaria muito de ter ido, mas achei o ingresso caro demais!! Espero poder curtir em outra oportunidade.

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