"Amor, bebida e outros clichês"

por - 16:07

cronica cliche


Voltando para casa depois de uma noite de bebedeiras desenfreadas e levemente adolescentes, me pego em passos lentos pensando na vida. Estando num estado etílico, pensa-se em muita coisa ao mesmo tempo sem nenhum objetivo claro. Fui de um simples “preciso comprar um par de tênis novos” para um “eu tenho que aprender alemão o quanto antes” em questão de segundos. Só assim para eu me sentir uma Ferrari mesmo. Durante a enxurrada de pensamentos, sinto uma dor de cabeça quando além de pensar em tudo ao mesmo tempo, me deparo com uma cena que me fez pensar ainda mais. Um casal fazendo sexo num carro. Ao menos deduzi que era um casal fazendo sexo, por conta do movimento do carro, que muito me lembrou de GTA San Andreas, e de um gemido abafado.



Veja bem, eu não sou o fiscal da piroca, mas fiquei surpreso ao ver tal cena. Não pela cena em si, mas pelo insight que tive. Pensei em todas as vezes que vi um casal apaixonadamente grudento e irritante, daqueles que estragam qualquer rolê com uma pegação incessante e quase adolescente, e os imaginei fazendo sexo num carro. Não sei se meu estado era tão torto, mas não consegui fazer isso com todos os casais. Por mais que o sexo seja uma versão física de um sentimento latente, simplesmente não consigo imaginar os lugares mais inóspitos para expressar tal amor. Na verdade, é estranho pensar que pessoas fazem sexo. Fazer é uma coisa, pensar em gente fazendo é outra. Ainda que essas coisas se confundam as vezes.



Nos tempos de molecão, lembro claramente da maioria das garotas pelas quais me apaixonei e lembro que nem passava pela minha cabeça fazer sexo com elas. Eu era molecão. Agora que estou supostamente crescido, é mais comum pensar em atrocidades se estou com alguém que gosto. Ou com alguém que não gosto, procuro não me limitar. Será que isso tudo é uma questão de envelhecer ou de falsificar o RG pra entrar em baladas cheias de gente suada e que roçam aquele bração gelado em você? Definitivamente eu não faço a menor ideia. Idade é um número idiota, no fim das contas. Exceto para definir menores de idade. FIQUE LONGE DELAS!



Há gente que tem certeza absoluta de que amor não existe. Se pensarmos em amor apenas de uma só maneira, concordo. Sexo é uma das formas de amor e sabemos claramente que ele existe. Amor às vezes me parece ser como Deus. Não por seu caráter extremamente semântico, mas por transcender as barreiras da compreensão humana. Ou você tem ou não. E você não é melhor que ninguém se tiver, só pra deixar claro. É tudo uma questão de escolha. Mas a este ponto, acho que faz sentido perguntar o motivo de tantos pensamentos sobre sentimentos tão viscerais me assolando a madrugada só por causa de um casalzinho se ralando no carro. Prefiro acreditar que está na hora de parar de beber.



cronica cliche

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