Discos para se ouvir bêbado

por - 12:08

 Garrafas


Quantas vezes você saiu com sua galera pra tomar aquelas biritas a mais e acabou indo pra casa sem uma companhia? Só lembrando a você que isso é extremamente normal, mas quando isso acontecer, não fique triste. Ao invés de chorar a falta de uma pessoa bacana ao seu lado, bote algo pra ouvir e relaxe. Não há nada melhor que ouvir o disco certo na hora certa. Não sabe o que ouvir? Deixa eu ajudar então! Separei uns discos que fazem a vida ficar mais aturável na hora da brisa do álcool, confere aí:


discos bebados
Sea Change - Beck: Se você é um bêbado sentimental, você está fodido assim que apertar o play. Até sóbrio este álbum me faz entrar em contato com as emoções mais viscerais que poderia sentir enquanto ser humano. Eu gosto muito de Beck (sem trocadilhos com maconha, por favor) e acredito que é tecnicamente impossível dizer qual o melhor álbum do cara. Por outro lado, Sea Change sem dúvida nenhuma é o disco que mais te faz sentir. Bêbado, isso pode ser multiplicado por vinte e dois. Cansei de contar quantas vezes o botei pra tocar e me peguei segurando o celular pra ligar pra ex-namorada com um leve enjoo de quem bebeu cerveja quente a noite inteira. Muito embora estas contas possam estar erradíssimas, posso ter segurado o controle remoto da televisão achando que era o celular e posso ter ligado pro Criança Esperança achando que era a ex-namorada. Álcool...

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Grace - Jeff Buckley: Algum dia você já se perguntou por que encher o cu de bebida alcoólica às vezes parece uma boa ideia? Se não, pergunte-se. Provavelmente você faz isso pelo mesmo motivo que enche o cu de bebida alcoólica e ouve Grace, do Jeff Buckley. Este é mais um daqueles discos que te fazem sentir, mas este de forma diferente. Ele pode ter mais de um efeito na sua brisa alcóolica, indo da mais profunda tristeza e agonia por ser um babaquinha que se droga por não ter nada melhor pra fazer ou até mesmo fazendo com que você se sinta bem por estar arfando na própria embriaguez, como se estivesse protegido da crueldade do universo e preparado para seguir em frente, ainda que seus passos estejam consideravelmente diferentes por conta do seu estado. Uma viagem em qualquer estado emocional ou físico. E ainda melhor se você der aquela gorfada ao som de “So Real”.


discos bebadosDemônios da Garoa Interpretam Adoniran Barbosa: Adoniran Barbosa é um senhor sensacional e não há filho da puta que diga o contrário. Aliás, talvez até exista, mas alguém bêbado. Espero que não seja você, já que qualquer um de seus discos é perfeito pra se ouvir estando breaco, sobretudo as interpretações de Adoniran feitas pelos Demônios da Garoa, que são senhores igualmente sensacionais. É impressionante o balanço perfeito dos sambas de Adoniran, que hora são tristes e de cortar o coração, hora são animados, daqueles de arriscar uns passinhos. Coisa de malandro memo. Estando no grau, tudo fica ainda mais perfeito, principalmente naqueles scattings e vocalizações que eles costumam fazer nas músicas. Desde os “vatcariguduns” até os “caliscaliscuscás”, é tudo um primor da música brasileira.


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Time For Heroes (Greatest Hits) - Libertines: Se você é um bêbado metido a valente, essa é mais sua praia. Estava em dúvida entre os dois únicos discos do Libertines, mas pra não ter erro, vá de Greatest Hits mesmo. O mais surpreendente é que não estando bêbado você se sentirá como um, pois os caras da banda aparentemente, sobretudo Pete Doherty e Carl Barat, parecem estar bêbados o tempo inteiro. Seja ao vivo, em estúdio, em cassete, em desenho animado, em holograma. Esta banda soa exatamente como aquele seu amigo que toma umas a mais, se acha o super homem e tenta se sustentar nas pernas tortas, mas quando toma um tombo, não para de dar risada só pela diversão. Não digo que Libertines é uma banda ruim, mas é uma banda que se esforçou muito em seus discos e ainda assim pareceu uma constante briga entre álcool e rock inglês e nessa sabemos quem ganhou a briga. Ainda assim, bem bacana. Principalmente depois da terceira garrafa.


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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars - David Bowie: Nada melhor do que um pirata pra completar o clichê do bêbado. The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, do Bowie, é bem apropriado quando se passa da cota por ser levemente agitado e naquela pegada de “eu sou eu, foda-se o resto” que todo bebum entra quando já se sente no direito de querer fazer alguma merda e não ouvir reclamações dos amigos preocupados em preservar a vida. Aliás, não sei porque, mas grande parte das músicas me fazem pensar em alcoolismo. O que não é necessariamente uma coisa ruim, mas uma coincidência, pois é um disco excelente pra se ouvir naquela vibe da boca seca (e até desconsiderando aquela música do disco que viria a ser repaginada por aquela banda gaúcha que eu esqueci o nome). É um disco rebuscado e complexo, apesar de simples de se ouvir e não exigir aquela concentração monstruosa que outras bandas exigem, o que torna a experiência de se ouvir bêbado muito mais válida, sem contar que é o Bowie. Como não gostar do cara que inventou a homossexualidade?


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Ao Vivo - Belo: Como falar de beber até esgurmitar os botões sem falar do MESTRÃO DO AMOR? Belo pode já ter sido preso, pode já ter andado com fuzil, pode já ter traficado drogas, mas seu Ao Vivo, de 2001, é uma pedrada no sentimento. É como se você e ele estivessem sentados num botecão falando sobre a vida, o universo e tudo mais. Seu modo de se expressar é simples, direto e quase tocante. Álcool e Belo são uma combinação muito complicada de se suportar quando não se está igualmente doidão, o que pode significar que aquele que combina ambos pode ficar insuportável por alguns momentos. Mas ainda assim, se não pode vencê-los, junte-se a eles. Nada melhor que ouvir o Belo falando dos cornos, das minas de esquema e das vezes em que ele teve que engolir o sapo por alguém. É como se sentir renovado. Ou com vontade de mijar.


Sim, eu não incluí inúmeros discos que fariam a bebedeira solitária valer a pena, portanto, sinta-se a vontade para acrescentar seu disco preferido pra ouvir no grau. Até porque eu não sou o maior pé de cana do universo, logo, também adoraria sugestões para ouvir coisas novas estando mais louco que o Robocop na chuva. E claro, vale também dizer: Não coloquei nenhum disco do Creed, por mais que qualquer um deles peça altas doses de bebida alcoólica como acompanhamento, pois a ideia é ouvir discos que amenizem o estado e que te sosseguem o facho. Creed é uma negação, desculpa. Se é pra ouvir uma banda cover de Pearl Jam, sou mais ver uma banda cover de Pearl Jam.

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