"Cifrões e sonhos despedaçados"

por - 16:04

cronica bancos


Se pararmos para refletir um pouco sobre o que procuramos para sobreviver na sociedade em que vivemos, observaremos que uma agência de banco seria o paraíso masculino na terra. Tem muito dinheiro, mulheres cheirosas e armas lá. Quem não quer dinheiro, mulheres e armas hoje em dia? Tem até quem mate pra ter estas maravilhas. A única pena é que as coisas não são iguais na teoria e na prática, o que me faz destruir o ideal de paraíso e transformá-lo num inferninho da bad vibe. Talvez deva existir alguém que goste de bancos, seja pelo ar condicionado ou pela fila quilométrica do caixa, mas este não é meu caso.


Não gosto de bancos. Majoritariamente influenciado por meu avô, que também odeia, e cuja opinião sobre suas economias era simples: “Guarde seu dinheiro num lugar seguro, não peça pra ninguém fazer isso por você”. Sabendo que vivemos em 2012 e não mais no cangaço, sou obrigado a usufruir dos serviços dos contadores de dinheiro dos outros. Meu avô, porém, ainda guarda dinheiro no colchão e para ele isso funciona muito bem, já que ele dorme muito. Segurança não é nenhum problema pra ele. Apesar de tomar sua cachacinha desde sempre, ele não teme incêndios ou inundações. Por outro lado, ele teme jaguatiricas e ficar sem cachaça. Brasileiro, acima de tudo.


Fui fazer um, aparentemente simples, processo de abertura de conta num banco desses aí (banco privado, vale colocar) e fiquei impressionado com tamanha burocracia, demora e má vontade da atendente. Tudo bem, eu compreendo que trabalhar é cansativo e desgastante, mas ninguém parece pensar na singela lógica de “quanto mais rápido se faz, mais rápido se livra”. Quanto à burocracia, também compreendo. Esta nos acompanha desde que nascemos e nos carregará eternamente no colo mediante assinatura de petição autenticada em duas vias. Apesar de repudiar terminantemente este tipo de coisa, devo dizer que é um método bastante eficaz na desmotivação e na inibição de críticas ou reclamações na prestação de serviços. A inteligência usada para o lado negro da força. Mas e a má vontade da atendente? Não saberia dizer, mas a este ponto acho que também devo ser compreensivo, afinal, ninguém mais tem motivos para sorrir o tempo todo.


Após uma hora e meia, consegui concluir o processo. Com êxito, devo dizer. E pelo que eu ganhei de panfletos e manuais pra ler, parece até que eu fiz vasectomia ou fui procurar ajuda pra um amigo viciado. Informação nunca é demais, não? Com o avanço das tecnologias em segurança, pensava que as coisas seriam mais simplificadas e seguras, mas pelo que entendi, elas ficaram ainda mais complicadas, apesar de ainda soarem seguras o suficiente. Tô pra ver o dia em que vão fazer um caixa eletrônico que colete seu sangue antes de permitir um saque. Relaxe, a cura da AIDS deve chegar antes deste caixa. Eu espero.


Tal como as forminhas de gelo, o Fura Fila, a mídia do Rick e Renner que salvaria a indústria fonográfica, os fones de celular e a lei que proíbe a venda de banana por penca, as agências de banco falham como parte de um mundo melhor e aumentam as chances de ataque cardíaco consideravelmente. Bom era o tempo em que as pessoas trabalhavam em troca de SAL. Ninguém se gabava por ter mais hipertensão que o outro.


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