Melhores músicas de 2012: Siba - Qasida...

por - 12:06

[caption id="attachment_17900" align="aligncenter" width="621"] Siba e Fernando Catatau nas gravações do "Avante"[/caption]

Vez por outra fico viajando em fazer uns posts apenas com uma música, meio que comecei a fazer isso naquele post falando de uma música do SWANS ser melhor que muito disco (e que entraria também como melhores músicas deste ano). Estamos em Novembro, quase final de ano, acho que ja podemos começar a falar de canções que marcaram 2012. Aquelas músicas que quando você ouvir, lembrará de algum momento deste ano cabálistico. Resolvi começar falando do primeiro disco que saiu nesse ano e uma das melhores e mais bonitas canções deste registro.


Quando o pernambucano Siba Veloso anunciou o "Avante" (isso ainda em 2011), duas coisas chamaram atenção: a primeira foi a volta do músico ao contato com a guitarra, deixando a rabeca de lado. A outra foi a presença de Fernando Catatau (Cidadão Instigado) como produtor do disco. Quando o disco foi lançado (vazou) em janeiro desse ano, foi ovacionado por público e pela crítica, avante é realmente um disco incrível (leia a resenha dele aqui!), mas Qsida foi a primeira música que chamou minha atenção para o que significava esta mudança na carreira do músico. Ouça e cante ai...



" Lembro bem do momento em que parti, só não sei quantas vezes retornei. Como sempre, na hora em que cheguei, me dei conta que errei voltando aqui. As ruínas da casa estão aí, só paredes em pé, não tem telhado. Falta porta, está tudo escancarado, mas o ar não se mexe pra passar. já vi tudo, só falta acreditar que o portão do retorno está trancado.


Não adianta tirar de onde não tem, nem tentar encaixar onde não cabe. Sem saber alguém tenta, e quando sabe, já não dá nem um passo mais além. Pois de trás para frente nada vem, o que foi já não é e nem será. E da frente pra trás, ninguém irá desfazer o que fez, certo ou errado. Vou deixar este canto abandonado para sempre do jeito como está.


Me esparramo ao relento, o chão é torto, canta um grilo Escondido e mais ninguém. Vou dormir neste abrigo que só tem sede, fome, sujeira, desconforto. Pra sonhar que acordei de um sonho morto no quintal de uma casa onde eu podia não corer contra o tempo enquanto via teu sorriso indo e vindo num balanço. Sem voltar pra você eu não descanso, minha casa é você e eu já sabia."


Não apenas pela linda poesia composta pelo Siba, falando sobre solidão, arrependimento (mesmo que sem ressentimento), uma declaração em verso e prosa. Me atinou também pela estrutura melodica dada a canção, pelo formato interessante de instrumentos da banda que acompanha o Siba, mas principalmente pelo lindo solo de guitarra composto do Fernando Catatau, que conseguiu transportar toda melâncolia da letra e da poesia e musica-la com estrema maestria, fechando a música de uma forma apoteotica. Tanto que aumentou ainda mais a minha curiosidade (e de muita gente) de como ficaria tal canção ao vivo, principalmente quando Catatau pudesse participar dos shows. Não sei quantos shows do Siba vi nesse ano até o momento, mas todas as vezes em que tive o prazer e a oportunidade de presenciar Qasida ao vivo, foram momentos de enorme emoção que lembrarei por muito tempo...


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