Coisas que poderiam ter acontecido em 2012 mas que não aconteceram

por - 13:14

Coisas que poderiam ter acontecido em 2012 mas que não aconteceram


Desde que o ano começou, ouço gente falando das mais variadas coisas sobre o cenário musical nacional e internacional e as previsões mais doidonas sobre aquilo que ainda viria. Muitas das previsões não se cumpriram, pois o ser humano não manja nada de adivinhar o que vai acontecer mas é bem verdade que tem coisas que por mais que não tivessem previsão, fariam muita gente, inclusive eu mesmo, muito feliz. E é por isso que resolvi falar uns absurdos numa lista de fim de ano. Atenção, pois esta é a listagem de “coisas que não aconteceram em 2012, mas que poderiam ter acontecido”.


Os Smiths podiam ter voltado

The Smiths

Não sei de onde exatamente veio um boato de que os Smiths se reuniriam para um show num festival inglês. Isso porque o Morrissey desde 1987 diz que eles nunca se reuniriam novamente, só que todo fã tem que ser chato, esperançoso e apaixonado, tal qual é um fã de Chaves assistindo TV de madrugada. Chegaram a comentar valores absurdamente altos, provavelmente na esperança de fazer com que a reunião se concretizasse, e pelos valores citados dava até pra trazer o Tupac de volta (tanto que o fizeram, em forma de holograma). Tudo parecia convincente e muito bem caminhado, apenas por um detalhe: Morrissey. Ele desmentiu tudo com gosto e tudo ficou por isso mesmo. Ainda que no papel, os Smiths tinham tudo pra voltar e não voltaram. Para todos os fãs esperançosos, esqueçam esse papo de esperança. É triste, eu sei, mas é isso aí.


O Capital Inicial podia ter acabado

Capital_Inicial-Rosas_E_Vinho_Tinto

É um papo muito odiador, mas é o tipo de coisa que teria caído muito bem este ano. Não por uma questão de simples recalque, pois duvido que alguém realmente curta essa banda, mas por pura questão de finalmente assistir o Dinho Ouro Preto calando a boca. Para um “tiozão do rock”, como diria um folheto global qualquer, ele realmente age como aquele tiozão roqueirão que acha que faz algo pela juventude e que inspira toda uma geração com seus stage dives randômicos em plateias que mal aguentam ficar de pé e seus refrões de cantiga de maternal. Claro, o espírito do “roqueirão” sempre existirá, visto que já existem bandas que ostentam filosofias derivadas (vide pé na porta e soco na cara), mas com estas podemos simplesmente ignorar e continuar vivendo tranquilamente como se nada estivesse acontecendo. Com Dinho Ouro Preto isso é muito mais complicado, mas sei que um dia ele nos dará este prazer que será anunciar o fim do Capital Inicial. Ou pelo menos de sua carreira como “cantor”.


O ATDI podia não ter voltado

At The Drive-in - Reunião


O At The Drive In é uma das minhas bandas preferidas de toda a vida. Me influenciou de várias formas e enche meus ouvidos até hoje com força. Quando soube que eles iam voltar, fiquei empolgadão. Mesmo sabendo que o Omar e o Cedric estavam gravando coisa nova com o Mars Volta e mesmo sabendo que o Sparta estava com planos de voltar (o que também é ótimo), fiquei feliz com a possibilidade de poder ver uma grande banda num festival farofa totalmente caro, mas que valeria totalmente a pena. Isso tudo até começar a assistir aos vídeos dos shows que estavam fazendo depois da grande volta. A voz de Cedric (assim como sua forma física) deixaram muito a desejar, Omar não parecia estar muito preocupado em passar ânimo, Tim estava a cara do José Mayer (mas até estava bem), Tony e Paul estavam segurando a onda. Eu sei que um belo tempo se passou e que eles não são aprendizes de Peter Pan, mas mesmo pra dizer que eles envelheceram , a diferença era muito grande. As músicas soavam esquisitas e a volta aos palcos, a cada vídeo novo que assistia, não me parecia ser das melhores. Agora boto muito mais fé na volta do Sparta, pois a volta do ATDI ainda me soa bem desnecessária. Posso mudar de ideia vendo eles ao vivo, mas até agora não me convenci de que isso foi uma boa ideia.


Podíamos ter tido festivais mais bacanas

coachella

Seria muito bacana se tivéssemos tido mais festivais bacanas. Não me leve a mal, tivemos até uns bem bacanas, mas eles deram certo porque não foram um copy/paste de festivais que acontecem fora do Brasil. Pode parecer frescura, mas quando se traz um festival gringo para o Brasil, é preciso fazer com que ele seja compatível com o pessoal brasileiro, ou seja, preço acessível e bandas que interessem ao público (e se possível, com organização e respeito aos que vão ao evento). Caso todos tenham esquecido, o Metal Open Air era para ter acontecido esse ano, mas não aconteceu. O SWU foi cancelado porque perderam duas atrações principais. Sem contar nos festivais punhetinhas que fazem com uma banda “grande” de headliner e vinte mil outras medíocres, mas que se juntar o pacote todo não vale a bagatela que vale o ingresso. Meu bolso não é essa bagunça e acredito que o seu também não seja, por isso seria muito bacana se os festivais não fossem feitos com a bunda.


Podíamos odiar menos

[caption id="attachment_18877" align="aligncenter" width="400"]Alvaro Garnero Foto por Eduardo Lopes[/caption]

É preciso evitar o coxismo. Quando falo de coxismo, me refiro a tudo que pode ser evitado para o bem coletivo. Aí falo das mais variadas coisas que fariam a cultura se disseminar com mais facilidade, desde a rixa entre um artista e um público x ou de uma atitude y que poderia ser tomada de outra forma para que exista harmonia entre os movimentos ômega e beta, a fim de que delta seja elevado ao cubo, entende? É preciso um pouco mais de sensibilidade não só de artistas mas de seus públicos, para que todos fiquem felizes com aquilo que estão consumindo. Podemos começar esta corrente do bem não falando mal do carnaval e de quem curte essa brisa. Ou não falando mal do Marcelo Camelo, que apanhou do Chorão. Ou do Carlinhos Brown, que tomou latadas no Rock in Rio e hoje vende disco aclamado tirando som de alumínio. Cada um pira no seu lance e o fato de você não gostar de outros lances não te dá o direito de ser deselegante, mas apenas de expressar sua opinião, se você tiver alguma. Podemos então selar a paz entre as tribos e os gostos diversificados? Então me dá seu dedinho.

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2 comentários

  1. O Capital Inicial podia mesmo ter acabado. Mas não vamos perder as esperanças.

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  2. Otimo post.
    Capital Inicial acabar realmente seria uma alta em 2012.

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