Melhores músicas de 2012: a redenção noise pop da Lupe de Lupe em Às Vezes

por - 15:08

Lupe-de-Lupe

Lupe de Lupe é uma das novas bandas da cena mineira do rock, na real, pra mim é o principal destaque roqueiro desse ano de Minas Gerais. Com isso não estou desmerecendo a cena, que conta com diversas bandas legais como Câmera, Madame Rrose Sélavy, Felix Canidae, entre outras. Com esse  novo disco que lançaram, finalmente eu consegui entender o termo “Noise Pop” na música, e agradeço a eles por isso. Eu escutei o álbum todo durante boa parte de 2012, mas algumas faixas me agradaram mais que outras, entre elas, a que eu mais curti se chama “Às Vezes”, que nem é uma letra do vocal e principal letrista da banda, o Vitor Brauer, que tá até mandando umas faixas do projeto solo por aqui.


“Às vezes” é uma música cheia de nuances e mudanças dentro de seu percurso, inclusive na letra. Horas meio feminina, estilo Chico Buarque, outras mais introspectivas (Jair Naves) ou looser (Marcelo Camelo/ Amarante). Parabéns ao Renan Benini pela letra e canto de entrega sincera nesta bela canção, que ganhou um clipe bem maneiro, mas que nem tem o final da música (que eu acho massa). Fiquem com essa letra introspectiva, emocionante, quase emo, mas cheia de noise da Lupe de Lupe...



Na quarta eu não vou podar
As flores do jardim
E no anoitecer


Os talheres vão lhe faltar
E quem sabe se der por mim
Quem sabe adormecer e ver


No seu peito oco sempre guardo
Os sonhos que pedi
A Deus, meu pai, minha filha agüenta
Construo um mundo de retalhos
Remendo os que mantive


Com honra e fria vou me embora
Sem nem me despedir
Eu não me precavi


Com uma recaída nessa hora
Só vou admitir
Que não quero sair não


Em tempos árduos eu confesso
Cogitei desistir
Mas hoje eu sei que foi-se o dia
Em que teu abraço tomou minhas vestes
E confusa eu me ri
Soube no ato o quão queria
Ser tua mulher, tua objeção
Tua musa vai partir
Pois lágrimas não vão ferir


Me perdoe minha flor eu não sei
O que me ocorreu, mas pequei
E me arrependo tanto que deixei
Pra trás minha juventude, eu serei
O homem que coroarás rei
Dos seus domínios
Peço em prantos pra ficar
Canto contos pra espantar
Os desencantos que fui forjar
Peço em prantos
Pra que a mulher em ti possa ver
Que não cabe a mim escolher
Por ser analfabeto e não ler

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