Os cinco melhores discos nacionais de 2012 e um gringo por Fernando Augusto Lopes

por - 12:08

Melhores de 2012 - Floga-se


Dando continuidade as listas de álbuns desse ano maravilhoso – já rolou uma aqui do Diogo, veja aqui -, chamamos um convidado especial e camarada nessa empreitada musical, o Fernando Augusto Lopes, editor e dono do Floga-se, que você já deve conhecer.


Sabe como é, lista é algo polêmico e que sempre vai ter gente falando que faltou tal coisa, que esse disco é ruim e etc., mas eu acho lindo o que chamam de subjetividade e o valor de expor opiniões, logo, se quiser xingar, use os comentários, mas argumente, senão você vai parecer só mais um indie dando chilique.


Abaixo vocês conferem os cinco discos nacionais e o álbum gringo que fez a cabeça do Fernando nesse maravilhoso ano de 2012, que ao contrário do que vocês achavam, não acabou.


5. Wallace Costa - They Should Be Soft


wallace costa - they should be soft
Wallace Costa deve viver em outro tempo e espaço. Ele é a teoria da relatividade, ou algo do tipo, em pessoa. Ele lança disco adoidado – em 2012 foram dois, mais um projeto chamado Um Camenzind – e todos são muito parecidos na qualidade e na vibração, embora tratem de coisas diferentes. Ele está ainda nos anos 1960, é bom que se diga, e deve viver num sítio, com seu violão, seus tantras e suas ideias. É um bicho-grilo em conceito, mas não é, tá antenado. Posso chamar de dark folk, ou folk deprê.


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4. Labirinto - Kadjwyhn EP



labirinto


Um dos discos mais bonitos dos últimos tempos – e não tô me atendo só à produção nacional. Nem parece que os caras estão ali com sei lá quantas guitarras ligadas a não sei quantos pedais. É tudo tão bonito e leve (e pesado e denso), que me faz acreditar que eles são de outro planeta e nção trabalham com a mesma força gravitacional que a gente. O EPzinho tem pouco mais de vinte minutos e um viés político a favor dos índios que vão se ferrar em Belo Monte. Mas é um disco enorme, grande, soberbo. Se tornou um impulso pra quando tenho que escrever algo. Sempre fica de fundo.


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3. The Sorry Shop - Bloody, Fuzzy e Cozy


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Sabe? Esse disco nem é tão bom de cabo a rabo. Digo, ele é longo. Seria perfeito se tivesse umas quatro, cinco músicas a menos (não me pergunte quais). Mas ele é bom o suficiente pra mostrar que o Brasil consegue fazer esse tipo de som doce e sujo ao mesmo tempo, um shoegaze desavergonhado, cheio de microfonias e distorções, na medida que também tem elegância pop. Acho que o Régis Garcia merecia aplausos só por ter tido a ideia de fazer esse disco. Porque os jovens brasileiros tem essa mania de querer regionalizar tudo.


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2. Sobre A Máquina - Sobre A Máquina


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Aí, tem o Sobre A Máquina. Se o Bemônio é seco, direto, barulhento e retorcido, das entranhas, o Sobre A Máquina é mais livre, urbano, com suas gravações de campo manipuladas. Tem metrô e tem ônibus. É hoje a melhor banda do Brasil, fácil, de longe. A que mais inventa e a que mais se auto-sabota, mudando os caminhos a cada disco. Nesse disco, o terceiro deles, tem o sax do russo Alexander Zhemchuzhnikov que acrescentou mais uma camada de genialidade. Cadu Tenório disse que é o disco que vai diferenciar os meninos dos homens. Eu concordo. E é incrível, mas toda essa experimentação me faz relaxar.


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1. Bemônio - Vulgatam Clementinam


bemonio-vulgatam
O que tem acontecido no Rio de Janeiro, com todo aquele sol, aquela natureza, os gringos querendo praia, o chope e a malemolência? Nada, tá tudo ali, mas tem um outro Rio de Janeiro que sempre existiu, o subterrâneo, aquele que um dia foi de Black Future, experimentando... Um Rio que experimenta sons além do carnaval e das entranhas mauricinhas da PUC. Bemônio é Paulo Caetano aqui em Vulgatam Clementinam e é só o primeiro disco dele (já tem outro, o Serenata, tão bom quanto). Trata de assuntos religiosos ou o que a religião tem de muito assustador, o que é velado, obscuro, a morte, os santos e demos, os símbolos e tudo o mais. É um som que parece o Céu e o Inferno discutindo. Você ali no meio. É como o Rio, tem a beleza e a podridão. Isso faz com que a cidade fique ainda mais bacana.



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Gringo


 

1. Swans - The Seer


The Seer_cover
Adoro ficar teorizando sobre música, enquanto tomo umas com os amigos. Uma das teorias é que um disco acachapante como esse, contundente, certamente vai entrar pra história, mas sempre me questionam: será que não é precipitado afirmar isso? A dúvida é se quando chegar 2019 e as pessoas começarem com aquelas coisas de "melhores da década" esse disco estará lá. Isso porque eu afirmei, hoje, em 2012, que The Seer já é o grande disco da década. Se você ouve a faixa-título e a "The Apostate", que fecha a obra (se seus ouvidos conseguirem chegar lá e seu cérebro não derreter no caminho), é capaz de bater o martelo como eu. Eu não sei como o Swans fez esse disco, já que nem gosto tanto deles, e nem sei a mágica de ser tão caoticamente sublime em músicas gigantes na duração, mas eles conseguiram. Eu diria que é só pra gente grande entender.



Ouça "The Apostate" aqui

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