Os cinco melhores discos nacionais de 2012 e um gringo por Paulo Marcondes

por - 12:08

Melhores de 2012 - Paulo Marcondes


Listas de final de ano é a maior injustiça que existe. Sim, eu estou reclamando de algo que escrevi e você deve se perguntar então porque porra eu fiz uma não é? A resposta é simples: temos que fazer. Não podemos deixar um ano tão rico pra música nacional passar em branco e bem por isso tentamos no Alt não repetir o disco um dos outros, então sempre nos comunicamos. Por exemplo, eu achei o disco do Sobre a Máquina muito bom, entretanto, o Fernando Augusto Lopes já deu a letra dele por aqui, então acabei deixando-o de fora e isso para outros álbuns também, como o Elma. Não siga a risca isso, use os discos listados para ver o que você ouviu ou tentar dar uma chance para algo que não te agradou de início.


Vale fazer duas menções honrosas nessa lista: ouçam o álbum do VICTIM! e a mixtape do Vitor Brauer. Agora sim posso começar a desfilar os melhores álbuns desse maravilhoso ano para a música brasileira.


 

5. Lupe de Lupe – Sal Grosso

Lupe de Lupe - Sal Grosso
A estreia com um álbum para a banda mineira Lupe de Lupe não poderia ser melhor: guitarras altas, vocal desajeitado e letras bem escritas, seja pela crítica direta e reta a toda a cena do estado de Minas Gerais em “Há Algo de Podre no Reino de Minas Gerais” ou na confessional e nostalgiante “Às Vezes”, com trechos como “Em tempos árduos eu confesso / Cogitei desistir / Mas hoje eu sei que foi-se o dia / Em que teu abraço tomou minhas vestes”.

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4. Psilosamples – Mental Surf

mental-surf
Esse disco me causou uma sensação tão gostosa quando ouvi que parei de entender música eletrônica como uns caras bombados e umas minas de bota no meio da lama com guarda-chuvas da Oakley. O Zé Rolê conseguiu mesclar os samples e efeitos eletrônicos com uma sonoridade tão característica da roça que eu acabo me teletransportando para a casa da minha avó sempre que o ouço: aí eu vejo as vacas da capa, lembro do sítio, daquele clima e vez ou outra consigo sacar que sou da cidade, e tudo isso ouvindo o Mental Surf.

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3. Metá Metá – MetaL MetaL

MetaL MetaL
Li esses dias a resenha da VICE para esse disco, era exatamente assim: “Você já foi num terreiro? Já foi num show de free jazz? Você já foi punk?” e em três perguntas acabaram resumindo o disco. Uma mistura de punk rock, free jazz e aquela pegada africana que você encontra nos trabalhos de Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França. Destaque para a faixa Oya, a primeira que saiu, onde tem um saxofone que vai acompanhando a voz de Juçara até o refrão, onde o Thiago França começa a dar uma bela fritada.

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2. Síntese – Sem Cortesia

síntese - sem cortesia
O primeiro álbum do Síntese tem uma piração do cacete, são uns moleques fazendo rap e falando sobre religião, paz mundial e outras fitas. Esse disco duplo conseguiu ser o melhor lançamento do rap nacional nesse ano, e olha que teve muita coisa foda. Sério, coloque o fone de ouvido, dê play no som e entre na onda dos caras. Ah sim, as batidas lo-fi, o flow rápido, o clima pesadão e as referências às músicas jamaicanas também são do caralho.

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1. Jair Naves – E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com As Próprias Unhas

Jair Naves - E Você Se Sente numa Cela Escura
Olha, se no EP Araguari ele já surpreendeu todo mundo, quando colocou uma guitarra mais distorcida, colou com uma banda diferente e soltou “Pronto Pra Morrer”, Jair Naves deixou todo mundo meio de boca aberta, inclusive eu. É sério, esse é o melhor disco do ano na minha cabeça, porque o conjunto da obra, principalmente executada ao vivo, é de arrepiar. seja pela canção que fala sobre sua mãe, “Maria Lucia, Santa Cecília e Eu”, ou a última faixa, “Eu Sonho Acordado”, que fala sobre uma fuga da realidade dentro do ônibus, em momentos que todos nós passamos. Pensando em toda a carreira de Jair Naves, esse é seu disco mais rotineiro, que fala sobre o dia a dia, sobre as pequenas coisas que te deixa puto.

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Gringo


 

Scott Walker - Bish Bosch

Bish Bosch

 

Esse álbum me faz ficar pensativo e meio atormentado com tudo. Acho que foi isso que o Scott Walker quis com Bish Bosch, disco lançado depois de seis anos de seu último, The Drift, de 2006. A segunda música, Corps De Blah, pode ser a trilha sonora de algum ataque psicótico: os gritos, a atmosfera de toda a faixa. E o que falar de "SDSS14+13B (Zercon, A Flagpole Sitter)", que tem 21 minutos de duração? Eu duvido você ouvir esse disco e não se atormentar um pouco com todo o experimentalismo de Scott Walker.

Ouça "Epizootics!"

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1 comentários

  1. Realmente, vários se destacaram no Rap nacional em 2012, mas o Síntese trouxe um som que não estávamos acostumados a escutar por aqui.

    Concordo, melhor album (de Rap) do ano.

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