Os cinco melhores filmes nacionais de 2012 e um gringo por Olivia de Souza

por - 12:05

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É provável que 2012 tenha sido o ano em que eu vi mais filmes, entre torrents, cinemas, e festivais afins. Nunca fiz listas na vida, na verdade, nunca penso muito nisso, mas esse ano me peguei bastante confrontando minhas ideias com a de cinéfilos que, muitas vezes, deixavam de lado determinado filme que amaram, para enaltecer alguns aspectos técnicos babacas de outro. Não levei isso em conta ao preparar essa lista, na verdade seria uma forçação de barra tremenda se o fizesse. Sem mais delongas, cinco filmes nacionais e um gringo que eu curti neste ano.


5. O Riso dos Outros (Dir. Pedro Arantes)


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Taí um filme que todo e qualquer metido a humorista deveria assistir. 'O Riso dos Outros' é um doc necessário, que trata sobre os limites do humor, com foco nos stand-up comedies e o discurso preconceituoso incutido por trás das piadas de mal-gosto. Jean Willys, Nanny People, Danilo Gentilli, Rafinha Bastos, Laerte Coutinho, André Dahmer e Lola Aronovich são alguns dos entrevistados. O legal é que o filme é curtinho e você já pode assistí-lo aqui, antes mesmo de terminar esse post.


4. Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (Dir. Beto Brant)

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O novo longa de Beto Brant (Cão sem Dono), traz uma bela fotografia do interior paraense, cenário para o triângulo amoroso envolvendo o fotógrafo Cauby, a ex-prostituta Lavínia e o pastor Ernani. 'Eu Receberia as Piores Notícias' é de longe um filme bobo e açucarado, e o trio protagonista é bastante afinado. São personagens bem construídos, bastante densos e complexos, que transitam pelos 'temas malditos' relativos ao amor: paixão, traição, sexo e loucura. Prepare-se para sentir muito calor, literalmente falando.


3. Xingu (Dir. Cao Hamburger)

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Xingu é o mais recente trabalho de Cao Hamburger (aquele lá, do Castelo Ra-Tim-Bum). É um filmão que passou um pouco despercebido pelo grande público. Uma pena, pois traz um recorte legal de um episódio importante da história do Brasil, trazendo a saga dos irmãos Villas-Bôas (Cláudio, Leonardo e Orlando), na expedição Roncador-Xingu, e seu envolvimento com os índios da região central brasileira, que resultou na criação do Parque Nacional do Xingu. Ambientado na década de 1940, Xingu traz a sensibilidade característica de Hamburger, e também funciona como um filme-denúncia, quando expõe as atrocidades cometidas contra as tribos indígenas do alto Xingu, a falta de escrúpulo dos políticos.


2. Febre do Rato (Dir. Cláudio Assis)


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Provavelmente o filme mais incensado do ano em Recife, Febre do Rato traz um Cláudio Assis mais leve, humano. É notória a ruptura nesse filme, pra quem já se habituou à filmografia do caruaruense, repleta pelo grotesco e pela violência. Zizo é um poeta marginal que propaga suas ideias através de um megafone pelas ruas, e num pequeno fanzine que produz de forma artesanal. 'Febre do Rato' é uma gíria pernambucana para algo que está fora do controle, e assim é seu personagem principal: inquieto, provocador e anarquista. Cláudio Assis é foda, e esse filme tá lindo, principalmente na fotografia em p&b de Walter Carvalho, que remete diretamente à estética do cinema marginal da década de 60.


1. Elvis e Madona (Dir. Marcelo Lafitte)


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Você provavelmente vai rir da minha cara, mas eu gostei muito desse filme. Daqueles ruinzinhos que você não consegue parar de ver, e sai da sala de cinema com um sorriso estampando a cara. A trama conta a história de amor de um casal formado por uma entregadora de pizza lésbica chamada Elvis (Simone Spoladore lindíssima) e a travesti Madona (Igor Cotrim), que sonha em produzir seu próprio espetáculo. É perceptível a influência de Almodóvar no filme, seja na concepção do roteiro, como na cenografia, universo transposto para o cenário marginal do Rio de Janeiro. Bom, esse filme provavelmente não vai mudar sua vida, mas vale a pena assistí-lo pela sinopse inusitada.



Gringo


Drive (Dir. Nicolas Winding Refn)


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É interessante a experiência de ser pego de surpresa por um filme que você não botava tanta fé. Você geralmente sai puto frustado do cinema por tal filme não corresponder às suas expectativas, ou então sai satisfeito por ele ter conseguido correspondê-las. Raras são as vezes em que eu saio da sala catatônica, sem saber o que falar. Drive fez isso comigo e entrou facilmente nessa lista como um dos melhores de 2012. O filme é perfeito e a estética cafona-oitentista bastante original, seja na tipografia rosa-chocking dos créditos do filme, como na presença dos sintetizadores na trilha sonora. Ryan Gosling está foda como o motorista dublê de Hollywood que durante a noite faz bicos como motorista de aluguel para criminosos e a presença angelical de Carey Mulligan é o contraponto perfeito para a violência do filme.

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1 comentários

  1. Olá, apesar do "Elvis & Madona" ser um bom filme que consegue trazer a discussão sobre performance de gênero de forma acessível e não ter tido quase nenhuma visibilidade. O filme não foi lançado no ano de 2012 e sim 2011. Ficadica!

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