Steven Seagal guitarrando seus ouvidos

por - 15:07

resenha seagal


Músicos que viram atores ou escritores em boa parte das vezes (veja bem, boa parte mas não sempre) conseguem fazem trabalhos relativamente descentes longe de suas funções de origem. Gosto muito das atuações do Mos Def em filmes ou séries e até boto fé na autobiografia do Morrissey. Se eles são de fato bons longe daquilo que realmente sabem fazer, não sei dizer ao certo, mas o que importa é se divertir. Mas se tratando do caminho inverso, é difícil achar um ator ou escritor que tenha se aventurado de maneira satisfatória na música. Suzana Vieira, Vagner Moura e Roberto Justus, sendo o último a coluna do meio do mundo artístico, não são o que eu chamaria de sucessos radiofônicos. A única exceção que consigo pensar neste caso é Steven Seagal.


Steven Seagal é foda. Todo mundo sabe que ele pode te deixar paraplégico usando somente uma de suas mãos, mas nem todo mundo sabe que ele também já se aventurou na música. Seu som é difícil de colocar num gênero especificamente, mas se fosse tentar classifica-lo, diria que é como se a Natalie Imbruglia e a Shania Twain se vestissem de cowgirls e fizessem amorzinho em Brokeback Moutain. Ou seja, é uma country music com leves pitadas de pop music. Apesar da descrição, confesso que consegui até gostar de algumas das músicas.


Aparentemente seu charme não está somente nas péssimas atuações, filmes genéricos e violência exageradamente sensacional. Por alguma razão, Steven Seagal infelizmente só gravou dois discos, um em 2005 e outro em 2006, e depois caindo num hiato de seis anos sem gravar nada. Não sei dizer se podemos ter esperança de um novo disco do mestre do ai-ki-do, mas ao menos temos esta pérola da música mundial que não tem absolutamente nada a ver com quebrar braços, dar tiros ou explodir prédios em slow-motion. Falarei especificamente do disco que achei mais bacana dentre os dois, que é o “Songs From The Crystal Cave”, seu primeiro disco de 2005.




[caption id="attachment_18460" align="aligncenter" width="400"]resenha seagal se eu disser que essa capa é gay, meu braço se quebra em três partes diferentes automaticamente[/caption]

Se você já assistiu pelo menos três filmes randômicos de Seagal, provavelmente uma sensação de deja vu tomará conta de seu ser. É como se o disco fosse feito de raspas e sobras das trilhas sonoras de seus filmes. Isso pode ser bom ou ruim dependendo de seu apreço pelo ator e por seus filmes questionáveis. Instrumentalmente o disco é bacana, uma pegada western bem forte e elementos eletrônicos presentes, sobretudo na percussão, recheiam o disco praticamente inteiro. Costumo odiar elementos eletrônicos percussivos, mas neste álbum até não fiquei tão incomodado. Seagal toca guitarra e chegou a fazer solos, mas opta pelas bases, que para um ator bronco e carrancudo, no mínimo, seguram bem a bronca.


Diferente de Arnold Schwarzenegger (eu tive que pesquisar pra acertar o nome dele) ou Jean Claude Van Damme, Steven Seagal fala inglês muito bem, até porque ele é de Lansing, Michigan. Sua voz é levemente rouca, mas se tratando dos vocais para o disco, acredito que ele tenha feito um ótimo trabalho para quem destrói células do narcotráfico inteiras com as próprias mãos nos filmes. Seu alcance não é muito longo e sua entonação as vezes dá uma bambeada, mas gosto de seu estilão no disco, tornando a experiência minimamente interessante. A única coisa que me deixou meio chateado foi o uso, e abuso, de backing vocals. Nada contra, até porque as vozes de apoio sempre dão um brilho a mais, sempre afinadas e num coral angelical muito bacana, mas não acho que elas se encaixam tão bem assim nas músicas que Steven Seagal escolheu. Talvez seja só impressão minha, mas enfim.


Em termos de produção, sabemos que o disco vai muito bem, mas o disco tem um único problema: sua identidade. Por mais que tenha dito que o disco segue uma linha country pop, ele carrega inúmeras influências. Ele passa do reggae ao rap, do blues à música árabe e acaba sendo firme como um prego na areia. Por ser muito eclético, fica um pouco difícil ouvir sem pular faixas ou achar esquisitíssimo ouvir coisas tão distintas em um intervalo de tempo tão curto. Por abarcar tantas influências ao mesmo tempo, até digo que o disco é praticamente experimental, o que não é uma coisa ruim, mas neste disco em específico não acho que foi feito da melhor forma. No fim das contas, isso pode custar ao ouvinte um pouco de paciência ou puro espirito de fan boy.




[caption id="attachment_18462" align="aligncenter" width="512"]resenha seagal uma arma de destruição em massa segurando uma arma... redundante?[/caption]

Steven Seagal é e sempre será um tiozinho sensacional pra mim, seja nos filmes em que ele derrota um exercito nazista com um golpe só ou que ele explode um helicóptero com um coco verde, mas seu primeiro disco é bacana até certo ponto. Depois vira um de seus filmes mais novos, que são chatos e que ainda tentam se reinventar dentro de uma fórmula que não dá vazão para a inovação. De qualquer maneira, resolvi disponibilizá-lo para download aí embaixo para que você tire suas conclusões. É um disco até interessante, mas não é pra qualquer um. E viva o golpe de quebrar braços em três partes diferentes!


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1 comentários

  1. Pqp, sensacional! haha
    Cê chegou a ler uma resenha que fizeram pro disco "Just Go" (acho que é esse o nome), do Lionel Richie? É a melhor resenha do mundo! Ela está num fórum fechado.
    Bom, eu vou copiar. A leitura é tão gratificante quanto a sua.

    [i]O disco novo do Lionel Richie nos convida a simplesmente ir. "Simplesmente Vá!"... Aonde? Tipo, ao banheiro, à cozinha, à puta que pariu? Lionel Richie não é um homem de respostas fáceis, ele é um mistério pela sua natureza. Homens de bigode são misteriosos, apesar de que o pelo facial do Richie ultimamente mais parece a buceta da Vera Fischer. Como eu estava dizendo, Lionel é um homem estranho. Fez sucesso mas não muito, todo mundo lembra que existe mas nunca lembra quem foi, ou se realmente existiu e não foi inventado. Eu poderia jurar que ele é uma alucinação, um truque da minha cabeça.

    Comemorando 27 anos de carreira solo, o cantor te convida pra uma viagem pelo canto mais inexplorado da cabeça humana. O da esculhambação. Quantas vezes não nos pegamos levando alguma coisa a sério demais? Não pegar aquela garota geralmente é um FAIL tremendo na tua mente, mas é só algo que acontece com todo mundo. Seu time perder de virada em casa também. Parece maior. Mas na real, é minúsculo. Todos esses momentos são minúsculos e sua relevância tem vida útil muito curta. No próximo par de coxas que tiver batendo em cima de ti, você esquece. As merdas passadas perdem o sentido, e você provavelmente vai se sentir imbecil por ter perdido tempo se martirizando tanto. É só mulher, só futebol e só música.

    No caso do Richie, só música ruim. Mas se você procura algo bom numa figura como ele, bem, não posso lhe dizer nada além de 'HAHA'. O cara ouve porque é engraçado, inusitado. Obviamente que o conceito de entretenimento é relativo, você pode achar simplesmente CHATO ouvir uma porra dessas. Normal, até esperado. Eu não. Eu nasci sem essa capacidade de discernimento. O que é ruim geralmente é engraçado, e se é engraçado eu adoro. Eu não sou um cara engraçado, apesar de que até meu ovo esquerdo conseguiria fazer um stand melhor do que os caras do CQC, mesmo assim eu admiro quem consegue ser, mesmo que involuntariamente. No fundo, esse é o sentido da arte, fazer o cara se sentir bem, de qualquer forma possível.

    Lionel Richie faz isso simplesmente sendo ele. É tosco demais pra não ser apreciado por mim. O genial é o não-esforço que ele coloca em todas as faixas desse disco, ou de sua própria carreira. Ele é o atacante que fica na banheira. Pensa pouco nas músicas e, Deus abençoe ele, isso fica muito transparente em cada segundo. Cada nota é uma nota desperdiçada, desrespeitada, violentada e caralhada! É uma vingança contra a música. Um atestado de mau gosto, sem nem preocupação. Sim, senhoras, Lionel Richie é o anti-R.E.M. Pouca pretensão, pouco esforço. Pouco tudo.

    E aí está sua genialidade. Você pode reparar que eu ainda não falei na MÚSICA do novo disco. De novo, se você quer julgar Lionel Richie pela música, tem algo de muito errado contigo. Se realmente preciso falar, é o mesmíssimo R&B bunda plastificado que ele fazia 27 anos atrás. Nada te pega pelo saco como "All Night Long", mas nada é realmente alienante o suficiente pra te fazer trocar o disco. É uma punheta. Talvez a melhor metáfora seja um filme do Steven Seagal, qualquer deles. Se você começou a assistir, provavelmente sabe a bosta que é e tá indo na fé do mesmo jeito. Porque é esculhambado, e todos nós esquecemos algumas vezes desse lado, do lado puteiro, babacão. O mundo seria mais divertido com mais Steven Seagal e Lionel Richie.

    E por essas e outras que eu Simplesmente Fui. Nem eu sei dizer exatamente onde eu Fui. Coloquei o cérebro pra descansar, abri uma cerveja, desliguei do mundo e taquei o novo do Richie. Sem arrependimentos. Deus abençoe o cara que consegue fazer essa mesma merda por tanto tempo.[/i]

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