#TerçaGringa: com toda calmaria do Folk Lo-Fi com o irlandês Johnny Fox

por - 12:05


John Paul Fox ou Johnny Fox é um artista irlandês nascido na cidade de Wexford que trilhou aquele caminho meio que tradicional. Na adolescência aprendeu a tocar guitarra e começou a criar e participar de diversas bandas de rock, até participou de uma tocando baixo e que durou um bom tempo. Durante esse período entre bandas, aproveitou para desenvolver outros estilos e realizar suas primeiras composições solos, explorando o máximo de estilos e instrumentos diferentes em meio a aprendizagem com gravações caseiras. Em 2001, Johnny foi morar em Dublin, onde trabalhou em loja de instrumentos e estudou Tecnologia de Música e Mídia, desenvolvendo suas técnicas de gravação de áudio e ampliando seu enfoque à composição musical.


Em 2007, com o fim da banda que fazia parte, começou a desenvolver e gravar com mais intensidade suas composições de maneira solo. Ele realizou tais gravações em um pequeno estúdio construído por ele mesmo em um edifício abandonado, já pensando em realizar shows e apresentar seu som para o máximo de público possível. Todo esse processo durou até 2009 e resultou no lançamento dos 3 primeiros EPs solos, o "EP1",  "Hundreds and Thousands" e "Troughs". Em 2009 ele voltou a ter uma banda com velhos amigos, chamada The River Fane, onde gravaram 2 EPs numa levada acústica e fizeram shows por toda a Irlanda. Com a vinda de John para São Paulo em 2011, o River Fane precisou “tirar férias”, e ele voltou ao trabalho solo. O camarada parece um tanto inquieto, já que apenas em 2012 morando no Brasil o músico lançou 4 trabalhos, todos eles no formato EP, além de realizar alguns shows por São Paulo, participando inclusive de edições do All Folks Fest.



Resolvemos escutar os quatro trabalhos lançado por este Irlandês em terras brasileiras e falar um pouco deles pra vocês. Começaremos com o Corresponding Movements, lançado em fevereiro deste ano e que conta com três faixas. As músicas são cheias de melancolia, com algum experimentalismo sonoro antecedendo a letra para ambientar o ouvinte, como na primeira "Rua Jacareí, 39". Em "The Zebra", um violão bem feito traz o caráter melancólico e um vocal que alterna momentos limpos com um pouco de reverb. A última faixa "Behind Those Eyes", parece uma declaração (bem triste), mas com um instrumental bem legal, camadas eletrônicas sobrepostas. Acho que o carnaval do John em Sampa não foi dos mais animados.



Em Through a Pinhole..., EP lançado em julho desse ano, a primeira coisa que chama atenção na canção "The Outside" (versão acústica no vídeo  é a presença de um piano. Depois disso é a presença de uma bateria (ou todos os elementos contidos nela) deixando a calmaria mais barulhenta e até dançante. Já "We're Not Bad People" parece trazer um papo reto para alguém, onde os reverbs no vocal e os ruídos eletrônicos retornam e se unem a bateria e vozes duplicadas. Fechando o EP, "Don't Belong to Me" é a música mais calma e triste, também é a mais bonita e simples do registro. O terceiro EP feito no Brasil é de outubro e se chama More or Less, um registro todo gravado, mixado e masterizado por ele (todos os EPs anteriores tiveram contribuições de outros músicos). Talvez essa ausência de filtro externo, tenha deixado o registro com um caráter completamente pessoal, expondo totalmente o cantor. Este é o trabalho mais negativo (com relação as letras) e que conta com mais efeitos de voz (talvez por estar sozinho), "Static, All Those Ugly Things" e "Laughing Stock" parecem composições que se complementam e devem soar bastante bonito em um show de teatro, mesmo sendo músicas tristes.



Agora em Dezembro John liberou o quarto e último EP do ano, Silence Is Golden é o lançamento mais roqueiro do cantor. Ele faz aquela linha folk rock, mesclando com indie, basta ouvir "Hartfield-Jackson" que você percebe isso. "In The Sun" é mais lenta, porém com uma bateria e efeitos eletrônicos carregados, flertando um pouco com o indie rock atual. Já a bela canção "You Think That You're In Love" apresenta a calmaria do formato acústico, com uma letra que parece ser uma carta. É interessante constatar 2 coisas no trabalho do compositor, a sensibilidade em passar suas mensagens e o quão bem ele parece ter compreendido a cidade cinza de São Paulo em todos os registros lançados durante esse ano morando lá!



Para baixar todos os EPs solos do Johnny Fox, basta chegar no Bandcamp do artista, todos os trabalhos da carreira solo dele estão com free download ou pague o quanto quiser. Para saber mais sobre ele e saber quando o músico irá fazer novos shows, acompanhem a fanpage dele no Facebook. No Soundcloud, ele colocou uma versão bem legal de "She So Heaven" dos Beatles e eu achei que o vocal dele me lembra um pouco o Daniel Jones (do Silverchair), que eu acho um bom cantor. Ele também tem influências da música brasileira, basta ver esse video dele com amigos cantando Marcelo Camelo.

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