Bad, Bad Religion. No donut for you

por - 12:06

bad religion sem donut


Fico me perguntando se alguém ainda usa o Orkut por aí. A resposta provavelmente é sim. O mundo é grande, e eu me recuso a acreditar que o Facebook representa a nossa sociedade como um todo. Claro, muita coisa contribuiu para a grande migração Orkut/Facebook de 2010 e acho que a maior delas foi aquela parada de “bad bad server, no donuts for you”. Coitado do server, só porque deu pau não ganha rosquinhas. Isso é como castigar seu filho por ele não ter braços pra segurar sua mão na hora de atravessar a rua. É cruel. Até porque o Orkut tinha coisas muito boas como a frase do dia e as comunidades de bandas de punk rock, onde todos discutiam tudo menos música.


Coberto pela nostalgia, soube há uns dias que o Bad Religion tinha gravado disco novo. Não perdi tempo pra dar uma ouvida, até porque esta foi uma banda que ouvi absurdamente durante boa parte da adolescência. Aliás, acredito que muita gente ouviu. Essa banda é demais! Se não ouviu, sempre há tempo de ouvir, mesmo não sendo mais adolescente. E será que este novo disco é tão bacana quanto os outros que ouvia do bom e velho Religião Ruim? Eu ouvi o disco, intitulado True North, e te digo na lata:




[caption id="attachment_19143" align="aligncenter" width="480"]Bad-Religion-True-North Capa de True North: cantinho do castigo da Super Nanny[/caption]

Há um ditado que define bem este disco inteiro: “se não está quebrado, não conserte”. O álbum não inova, não tem nada que faça com que ele seja diferente dos outros e nem ao menos acrescenta nada à banda. Entretanto, eu não consideraria estas observações como ruins, muito pelo contrário, isso só acrescenta ao charme do Bad Religion. Eu consegui gostar do disco todo por ele soar como tantos outros já lançados pela própria banda, o que para mim mostra claramente como ela é consistente e consciente de que seu som não tem a necessidade de um desenvolvimento mais musical, como outras bandas acabam buscando.


Imagine-se pregando um prego numa tábua de madeira. A não ser que você tenha a destreza de um animal silvestre, ao martelar pela primeira vez, é fácil fazer uma pequena análise da força e da precisão com que você bate no prego, tentando se ajustar na próxima martelada. Quanto mais se ganha prática nesta atividade, melhor você prega os pregos na tábua. Agora aplique esta analogia em True North. O Bad Religion já sabe pregar os pregos com maestria, então não precisa experimentar ou tentar um método novo que funcionaria da mesma forma.




[caption id="attachment_19144" align="aligncenter" width="640"]bad religion resenha "e o juiz marcou impedimento no lance"[/caption]

Instrumentalmente, as músicas são muito bem gravadas e naquela mesma pegada de quase trinta anos atrás, o que é excelente pra uma banda de punk rock das antigas, considerando que a molecada costuma cansar com o tempo. A única coisa que me incomoda, mas isso provavelmente é coisa minha mesmo, é que o Bad Religion tem três guitarristas e eu sempre só ouço duas guitarras, o que me faz questionar a utilidade de outra guitarra, mas enfim. Se tratando dos trabalhos vocais do Prof. Greg Graffin e dos backing vocals, tenho que dizer que fiquei muito admirado com a consistência melódica. Tudo é muito bem harmonizado, como sempre foi, claro, mas neste registro em especial, gostei bastante dos backing vocals e também daquilo que ouvi das letras (não cheguei a ler o encarte).


Basicamente o disco é uma falta de novidade, mas que pra quem gosta da banda é muito bem vinda, pois faz lembrar das origens que nunca saíram do som do Bad Religion e que muito provavelmente continuarão até seu fim. Uma banda que honra perfeitamente a bandeira do punk rock de quando eu tinha 15 anos, e provavelmente de quando eles também tinham. True North é um disco recomendável se você curte Bad Religion, mas se este não for o caso, nem faça questão de baixar. Sim, disse baixar porque punk que é punk baixa disco naquela comunidade de discografias do Orkut, que estará sempre em nossos corações.

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