"Quem corta o bolo?"

por - 16:06

São Paulo


São Paulo fez mais um aniversário e não finja se importar com isso porque você não engana a ninguém. Todo mundo sabe que essa cidade é cheia, é caótica, preconceituosa, conservadora, prepotente e reacionária. Espera um pouco. Estamos falando da cidade ou de uma grande parcela de seus habitantes? É difícil não falar da cidade sem falar de quem mora nela, mesmo sabendo que a ideia de cidade indica muito mais o espaço propriamente dito do que a população ocupante deste espaço. Ou será que a cidade está intimamente ligada aos moradores de tal e, desta forma, podemos compreender a cidade como sendo um organismo único que difere de tantas outras? Mal começo o texto e nem sei como continuar.



Talvez eu não precise conceituar a verdadeira característica da cidade para comentar como paulistano o que vejo em São Paulo, mas que quem não é paulistano pode observar em sua respectiva cidade. Sempre que observo comentários sobre cidades, reparo como estas se tornam verdadeiros organismos independentes. É quase como se estivéssemos falando de uma pessoa, só que sem as demagogias costumeiras. Se não me engano, alguns estudos ocultistas tratavam o assunto como plausível. Cidades estão , de fato, vivas pois possuem todos os componentes para que a vida aconteça. Veias e artérias, o fluxo, o coração, a respiração, os esgotos. É tudo tão poético que dá até sono.



Algo que não deixa de ser desnecessário nunca é ver alguém declarando seu amor pela cidade de modo aleatório nas épocas da data. Como todos lembram? É feriado na cidade e eles fazem um bolo gigante, onde são presenciados os atos de selvageria mais característicos desde os documentários da savana africana no Discovery Channel. Você que não é paulistano ficaria assustado se visse o que um ser humano é capaz de fazer por um pedaço de bolo. Não é preciso fingir amor pela cidade, não é preciso comer bolo e, acho que o mais importante, não é preciso fingir orgulho em ser paulistano para se aproveitar o feriado. Só aproveite o feriado.



Não quero incentivar nenhum tipo de xenofobia de qualquer espécie, mas sempre me questionei algo. É muito fácil reconhecer um nordestino, um carioca, um gaúcho, um mineiro e até mesmo um tupinambá por suas peculiaridades, sotaques e, por que não, seus traços estereotipados e absorvidos pela cultura brasileira, porém não consigo definir melhor um paulistano senão como um mero orgulhoso de viver numa cidade que dizem ser a locomotiva do Brasil. Além do café e dos times de futebol, o que o paulista oferece à cultura brasileira? É um palpite, mas talvez nada mais que a capacidade de esquecer os defeitos que o cercam e ainda assim se orgulhar de algo que ele ainda não é, mas que um dia será. E a fúria na hora de comer bolo, claro.


bolo da cidade

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1 comentários

  1. Então, só que agora o bolo não é mais exposto em uma grande tábua. É distribuído aos pedaços. E agora, como fica teu argumento?

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