A democratização do "sagrado rock"

por - 14:04

The D


Acho estranhas as discussões sobre o rock hoje em dia. Gosto do gênero, mas não o vejo como algo que se mantém vivo em sua forma mais pura e imaculada, tal como vejo alguns ostentando. E nem estou falando especificamente dos clássicos infernais de todos os tempos, mas do rock estereotipado facilmente identificável, com guitarra, baixo, bateria e uma pegada levemente agressiva. Entenda, não quero cagar regras sobre o rock, mas não há mais bandas de rock como antigamente simplesmente porque o rock clássico tem ficado cada vez mais chato. São sempre os mesmos solos cavalares, guitarras distorcidas e viradas de bateria parecidas. Algumas bandas clássicas conseguem se diferenciar, mas ouvir isto o tempo todo é cansativo, ao menos para mim.


Mas por que estou falando especificamente sobre algo tão difícil de conceituar, o rock em sua plenitude? Porque não ouço um bom rock direto e bacana já tem um tempinho. Isso até ouvir o novo disco do Tenacious D, intitulado Rize of the Fenix. Já ouviu falar no Tenacious D? O Tenacious D é uma banda fictícia de rock dos atores Jack Black e Kyle Gass. Todos nós conhecemos Jack Black e grande parte dos seus papeis no cinema, onde ele sempre é o gordinho peidorreiro que gosta de rock, mas Kyle Gass na verdade possui uma banda chamada Trainwreck, da qual ele faz parte, e é a banda de apoio por trás do Tenacious D. A trilha sonora do filme “Tenacious D and The Pick of Destiny” , estrelado por Jack Black e Kyle Gass ,foi o primeiro disco lançado pela banda. O filme é até legal para entretenimento raso e pasmem, eles até fazem um bom rock neste disco. Mas será que este bom rock se mantém depois de um bom tempo sem gravar nada?




[caption id="attachment_19510" align="aligncenter" width="400"]demorou pra eu sacar que a Fenix é um grande pinto demorou pra eu sacar que a Fenix é um grande pinto[/caption]

A grande verdade é que tudo depende. Se você já assistiu ou ouviu “Tenacious D and The Pick of Destiny” e gosta daquele rock estereotipado clássico, cheio de efeitos e naquela pegada rock imortalizada, muito provavelmente você gostará de "Rize of the Fenix". O disco é temático, tal como foi o primeiro, focando no objetivo da banda de ser a maior banda de rock do universo. Ainda não conseguindo isto, é legal como eles fazem um trabalho muito interessante no processo. Por ser uma banda de dois componentes (fora a banda de apoio), o violão e a voz são o foco, ainda que os outros instrumentos abafem as cordas limpas do violão. Tudo é muito bem pensado para tornar as músicas épicas, o que talvez não sempre dê resultado, mas contribuem bem para a pegada do disco, que é bem clássica e até engraçada em alguns momentos, se você manja inglês. As influências do rock de AC/DC, Pink Floyd, The Who, Rush, The Doors e principalmente do Led Zeppelin são bem aparentes e até de forma positiva, não soando como plágio descarado, mas como belíssimas inspirações para a criação do estilo da banda.


Jack Black não é um excelente ator, mas confesso gostar de algumas de suas atuações em especial. Ele se repete muito em seus filmes, o que não é de todo ruim, afinal, vários atores fazem isso e são aclamados (vide Johnny Depp e Adam Sandler), mas se tratando de assumir os vocais, é legal como ele faz um belo trabalho. Seus drives vocais são bem bacanas e seu alcance é de impressionar. Este gordinho sabe cantar! Só é uma pena usar de playbacks em algumas de suas apresentações ao vivo. Sobre as letras, não espere nada espetacular. Uma das músicas se baseia numa conversa de JB com KG sobre serem os melhores músicos do mundo e com a convocação de um professor espanhol que tenta pegar no saco do KG. Pura magia.




[caption id="attachment_19511" align="aligncenter" width="400"]jack guevara and kyle castro hasta lo rock![/caption]

Apesar de ser um disco legal, achei ele relativamente curto, o que não pode ser considerado um ponto negativo, se levarmos em conta o quanto dentro de um gênero ele consegue variar. Até que para uma banda de rock duro e com influências clássicas, o disco é muito variado e divertido de se ouvir. Não diria que chega ao experimentalismo, mas sem dúvida nenhuma é bem diverso dentro de apenas um gênero, que hoje em dia pode não ser uma unidade sagrada como talvez um dia tenha sido, mas que hoje é universal e acessível a qualquer um que realmente queira fazer um som. O Tenacious D não é a melhor banda do universo, mas é a banda que faz qualquer um se sentir capaz de ser tão grande como um dinossauro do rock e isso é o mais importante por trás de toda a musicalidade da banda. É uma bela mensagem a se passar adiante a todos que querem ter uma banda, mas se intimidam pela falta de cacife. Em resumo: foda-se o cacife e vai tocar com sua galera!


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