"Desistir é para os fracos?"

por - 14:16

papa vento


Tente se lembrar daquele momento difícil que você teve que encarar na sua vida. Aquele momento em que você não viu muita perspectiva e pensou até mesmo em abrir mão de algo ou de alguém que você realmente almejava ter ou estar por perto. Agora se lembre daquela pessoinha que chegou pra você e te encorajou a não tomar atitudes sem antes pensar e que te disse pra nunca desistir. Pois é, essa pessoa nunca chegou ao Papa e ele acabou desistindo. Se um dia lhe disseram que só os fracos desistem, temos algo para analisar bem aí. Ou o Papa é frouxo mesmo ou esta frase minimamente insensível é uma grande balela. Não sei como anda a fé alheia e nem a pontaria pra me pegar na pedrada, mas prefiro acreditar na segunda opção.



Só para contextualizar, deixemos de lado a visão superficialmente tosca que temos do líder da igreja católica e pensemos no ser humano por baixo dos saiotes sacerdotais: o papa é um senhor de muita idade, que viu que não ia dar conta de ser papa e desistiu. Antes de ser papa, diziam os boatos que o ex-atual sacerdote fez parte da juventude hitlerista. Para quem já não tinha uma fama daquelas de conquistar a mulherada no bar, este senhor agora tem uma fama ainda pior, a do “arregão”. Fico imaginando como será que ele deve estar se sentindo. Se fosse eu, provavelmente ficaria numa bad por ter tal fama, principalmente se minhas explicações não fossem passiveis de empatia. Quem se colocaria no lugar de um velho ex-juventude hitlerista que quis parar com a maior das responsabilidades religiosas do catolicismo? Talvez nem o Luciano Huck, que é tão gente boa com todo mundo, tomaria tal atitude.



E agora que saiu o arregão, eles precisam botar outro papa no lugar dele. Passando pela banca de jornal, vi uma capa de revista especulando as possibilidades do papa ser “do terceiro mundo”. Este termo por si só me faz lembrar aquele jogo de videogame, Doom. Já jogou? É até legal. Ironicamente, as criaturas do jogo vêm direto do inferno, mas enfim. Sejamos sinceros, ainda que o papa venha a ser de um país menos desenvolvido em comparação aos ditos desenvolvidos, que diferença isto realmente faria? Acredito que estaríamos falando de uma verdadeira revolução de fato se o papa fosse japonês, negão ou um papagaio. Não por um motivo específico, só por pura reformulação dos dogmas e paradigmas formados pela hegemonia e tradição cristalizados com os anos. Se estão fazendo um auê destes só porque o tiozinho quis sair, é melhor dar uma flexibilizada nas regras ou o próximo papa vai sair nos jornais toda vez que soltar uma bufa. Isso porque peido de velho é uma tristeza, vale pelo menos uns minutos no Cidade Alerta.



É importante ressaltar que minhas opiniões sobre a questão são nitidamente irônicas e sem qualquer compromisso com uma linha de raciocínio coesa, entretanto, discutir a rigidez de regras e da falta de flexibilidade em sistemas cristalizados é de suma importância para a adaptação de costumes antigos para o mundo moderno e para que a essência destes costumes seja mantida, porém, sem que os ritos sejam banalizados ou extirpados, a não ser que estes firam o que hoje entendemos por liberdade individual. Falei bonito, né? Só espero que essa onda de tacar pedra no diferente acabe logo. Depois do meteoro que caiu na Rússia, fico até pensando se papai do céu apoia o conservadorismo.


meteoro da paixão

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