"Urinando na alegria alheia"

por - 16:02

mijao


Eis que a cultura brasileira se vale de mais um grande feriado para se manifestar, gostando você ou não. Depois do Natal, acho que o Carnaval é a data comemorativa mais importante que eu conheço que concentra grande número de piadas sem graça e gente de cara emburrada sem motivo. É de impressionar como gente fica putinha porque não vai trabalhar e nem estudar por pelo menos dois dias, e nem ao menos considera a possibilidade de se juntar à caralhada de gente bebendo e usando drogas nos blocos de carnaval por aí afora. Acredito que é a festa mais democrática que temos atualmente no Brasil. Todos unidos por um bem maior: mijar na rua, se intoxicar e contrair DSTs. Mas se você for menor de idade, reclame muito em casa e não faça NADA disso e nem diga que eu mandei você fazer.



Fui dar uma andada noturna nessa sexta feira inicial da festa e vi dois caras mijando na rua sem medo das consequências. Se eu fosse o fiscal da piroca, teria sido uma patrulha de sucesso. Isso porque dias antes havia visto uma puta propaganda cheio de famosos cantando e dançando as maravilhas de não urinar em vias públicas. Eis aí a prova de que os comerciais veiculados na TV estão perdendo totalmente a efetividade. A temática do comercial é idiota, eu sei, mas se chegamos ao ponto de fazer o Thiago Lacerda te lembrar de não soltar um mijão na rua, temos um problema grande. E se as ditas autoridades sabem que grandes quantidades de pessoas saem para as ruas no carnaval e não tem aonde dar seu mijote, mas ainda assim não podem nem ao menos dar uma lavadinha nas ruas depois, temos um problema ainda maior. Não quero parecer reacionário cobrando das autoridades a falta de educação de umas centenas de mijões, mas se não dá pra evitar, pelo menos dá uma disfarçada com pinho sol.



Muita gente não gosta de carnaval. Eu não sou fã também, mas não chego ao extremo de odiar, fechar a cara e desejar estar na neve de New York. Nestes momentos, a verdadeira Sra. ironia mostra sua face, pois aquele que diz odiar o carnaval e vai para o exterior só é reconhecido como brasileiro por conta desta festa. E talvez pelo futebol e escândalos sexuais. Conheci um cara que sofreu esta espécie de bullying internacional. Não chega a ser xenofobia, é só a identidade estereotipada de uma nação. É como fazemos com as piadas de português ou os asiáticos que vendem MP3 barato (e que estarão sempre em nossos corações). O rapaz foi para Londres e assim que disse ser brasileiro, foi ovacionado. “Do the samba!”, eles pediam loucamente. Incrédulo, ele não o fez. Não por arrogância, acredite, ele só não sabia sambar. Por acaso, ele faz parte do seleto grupo de odiadores do carnaval. Por isto, ele deixou de pegar inglesas interessadas na cultura brasileira e ficou conhecido como o “fake brazilian” nas redondezas. Sim, agora podemos pensar um pouco em xenofobia ou em gente idiota mesmo.



Pensando bem, não posso dizer que não gosto da imagem carnavalesca que o Brasil ostenta lá fora. Para quem antes só tinha a floresta amazônica como símbolo, acho que o carnaval só deixa o brasileiro numa posição menos dependente de animais silvestres e flora exótica e o coloca de forma mais global, como um ser humano que não depende de cipós pra se locomover ou que não conversa com macacos e jaguatiricas pra passar o tempo. Poxa, até os gringos estão vindo pra cá arranjar um jeito de ganhar nossa grana com festivais musicais, eventos, filmagens e variados derivados da própria gringa. O que por um lado influencia a economia mundial e inflaciona a nossa própria, por outro é bacana pra quem não gosta de samba e cospe na cara do carnaval. Assim, o Brasil se torna algo mais que uma grande selva carnavalesca e passa a ser um grande mictório internacional. Veja bem, você tem todo o direito do mundo de não gostar do carnaval, mas lembre-se sempre que querendo ou não, ele faz parte da cultura brasileira, logo, ele está interligado a você de alguma forma. Tente descobrir de que forma e muito provavelmente ninguém mijará na sua cidadania.


thethreecaballeros

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