#TerçaGringa: a simplicidade de Franny Glass

por - 14:05

Digi pack FRANNY final

Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção na música de Gonzalo Deniz, o cantor e compositor por trás do nome Franny Glass, foi a simplicidade. Um tipo raro de simplicidade que é capaz de emocionar só com a voz, o violão e tríades de acordes elementares.


Com três discos lançados (e mais um em processo de gravação), Franny Glass se coloca como um dos nomes mais sólidos da nova música uruguaia. Com shows frequentes na Argentina e Brasil (só ano passado, veio três vezes), o músico tem começado a desbravar terras mais distantes e agora em março participa do famoso South By Southwest, em Austin, e do Vive Latino, no México, tocando ao lado de artistas como Morrissey, Blur e Yeah Yeah Yeahs.


O primeiro disco Con La Mente Perdida En Intereses Secretos, lançado em 2007, é uma compilação de canções gravadas ao violão quase que sem arranjos de outros instrumentos. O álbum que traz “No Pasé Durmiendo El Invierno”, “32 Canciones” e “Cine Y Libros” rendeu a Gonzalo uma indicação ao Prêmio Graffiti de melhor compositor em 2008.


Hay Un Cuerpo Tirado En La Calle, de 2009, é meu disco favorito. Premiado no mesmo Prêmio Graffiti como melhor álbum de pop alternativo, Hay Un Cuerpo... reúne canções belíssimas como “Me Debo Concentrar”, “De Una Vez”, “Los Desconocidos” e “Fin De Semana”. A poesia de Gonzalo surge de situações tão comuns que a identificação é quase imediata. Talvez seja um disco sobre juventude, amadurecimento e amores, ou, seja apenas sobre ter 20 anos.


franny

O mais recente, El Podador Primaveral, editado em 2011 e produzido por Xoel López, é uma afirmação de Gonzalo como compositor. Além de grandes músicas como “Los Daños”, “Fin Del Verano” e “Ahí Va Ella”, o disco ainda traz “En Otoño, Amiga Mía” que é, talvez, o grande hit, na melhor definição da palavra, da discografia do Franny Glass. Acho que foi o refrão que mais ouvi em 2012...


Além dos discos, vale a pena correr atrás das parcerias que Franny Glass fez com o Brasil. A primeira delas é a versão de “Esquadros” presente na coletânea Não Moro Mais Em Mim, um grande tributo a Adriana Calcanhoto produzido pelo selo virtual Si No Puedo Bailar, No És Mi Revolución. Outra parceria de Gonzalo foi com a banda Constantina, o compositor uruguaio colocou letra em duas músicas dos mineiros, “Juan, El Marinero” e “Pequenas Embarcações”, as duas presentes no EP Pacífico, lançado ano passado.


Esse ano tive a oportunidade de ver um show do Franny Glass e perceber pessoalmente que o formato voz e violão ainda sobrevive. O voz e violão apresenta a canção nua, a canção pela canção, sem distrações e maquiagens. E sempre teremos lugar para belas canções. Sempre.


Pastebin


O texto foi escrito por Victor de Almeida (Festival LAB)

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