Chão

por - 14:04

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Volto a escrever aqui depois de um exílio forçado que me foi imposto pela diretoria do Alt. Temendo a lei dos homens, o site decidiu censurar minha lista das 5 melhores bundas de 2012, boicotando o projeto em sua raiz. Mas agora eu volto, volto com propostas de vanguarda, pois a roda da história não para e nenhuma força humana poderá deter a revolução (especialmente depois que a Bruna Marquezine fizer 18 anos).


Mas hoje não vou falar sobre bundas, vou falar sobre sentar no chão.


Sentar no chão é ótimo. Primeiro, porque o chão sempre tá lá. Você não precisa fazer nenhum esforço específico, inclusive: pode-se deixar cair que estará automaticamente no chão. E é ótimo ficar no chão, porque o chão 2) é fresquinho. Se tiver uma parede por perto, então, você pode se escorar e ficar. Tranquilo. Sentado no meio da estação Barra Funda do metrô, esperando dar 4h40, com a cabeça latejando, cheia de cerveja e maconha.


Três: sentando no chão você evoca os primórdios da humanidade, você traz para si e espalha pelo mundo a essência do ser humano: um bicho, um animal, que domina o mundo e, acima de tudo, senta-se sobre o mundo.


Mas a teoria é bobagem perto da prática. Sentar no chão é bom porque é simples. E a paz e o prazer estão na simplicidade. Para ser feliz, você precisa basicamente de um bom lugar pra sentar no chão (limpo e com uma parede em ângulo reto), de uma cerveja (gelada, que pode ser deixada no chão) e da incerteza chamada mulher (de preferência numa noite quente, de preferência em saias).


E mais nada. Pois então você pode ficar quieto, tomando uma cerveja, sentado no chão. Sem dizer palavra, sem ter opinião nenhuma sobre nada, sem saber cantar a música e nem ter de fingir que está fazendo algo. Só ficar lá, quietinho, olhando bem as pernas da(s) mulher(es). Sem nada específico, nenhum plano: só esperando. Como sentar na janela e ver as nuvens, o trânsito, a construção do outro lado da rua. Os pequenos movimentos. As pessoinhas andando lá longe. Os joelhos dobrados, depois levantando do sofá: um pequeno deslize: a calcinha. Vai pegar o copo no chão e se agacha: quase bobeia. Estica-se pra bater o cigarro na mesa de centro e: por um triz. Dá um pulinho e, no pulinho, mostra a polpa da bunda. Aí você dá um gole e pensa: “Bunda é bom”.


Deitar no chão é incrível também. Deixar o corpo estar e ficar olhando o teto, imóvel. Pensar na vida ali, na horizontal. Vendo debaixo do armário. Os pés da cama. Seu braços soltos ao lado do corpo. A TV brilhando sobre o móvel, pra ninguém ver. Você pensa em dizer alguma coisa, mas não, melhor ficar quieto. Quietinho ali. É bom ficar quieto, deitado no chão. Os olhos abertos, indo de lá pra cá. Esperando. E aí vem: agora: ela se levanta e você acompanha, de baixo pra cima, a bundinha dela andando pra fora do quarto. Pode ser a primeira, a milésima, a última vez. Mas é lindo sempre. A cabeça vazia por uns instantes. E você pensa.

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