Entrevista - DJ Nyack

por - 11:04

[caption id="attachment_19887" align="aligncenter" width="552"]Foto: Marcos Tuty Foto: Marcos Tuty[/caption]

Mais conhecido por ser o responsável pelo comando dos toca-discos de um dos principais nomes do Rap brasileiro, DJ Nyack começou a se arriscar nos scratchs, mixagens e colagens alguns anos antes de conhecer Emicida. Hoje, além de rodar o mundo em seus shows (nesta semana estão em tour pelos Estados Unidos), realiza a festa Discopédia junto com os colegas Dandan e Marco e ainda tem no currículo diversas mixtapes classe A, entre elas a Remixtape que espero que você já tenha ouvido. Se não ouviu, corre que a parada é um apanhado de bons MCs fazendo versões para sons do Emicida. Aperta o play um pouco mais aqui embaixo e fica com essa trilha enquanto conhece um pouco mais sobre o DJ Nyack.


Porque 'Nyack'?


Esse é um nome africano, do dialeto Yorubá, que significa "Pessoa que tem o forte ouvido, o que nunca desistirá de seus objetivos". Me identifiquei assim que li em um livro de nomes africanos e seus significados.


Quando e como o Hip Hop entrou em sua vida?


Sempre gostei de música e o Rap sempre foi a trilha sonora da periferia, mas foi em 2003, no projeto "Do Risco ao Rabisco" que era realizado pela Ong UNEGRO, que tive oficinas de DJ com o DJ Marco (que hoje toca com a cantora Céu) que aprendi como surgiu a cultura, o porquê dela existir e onde ela poderia chegar e está chegando. Isso me despertou o desejo de simplesmente aprender tudo que fosse possível sobre o Hip-Hop, e me tornar um DJ. Hoje, vejo que foi um processo natural, quando parei pra ver o que queria, já estava tocando.


Como você conheceu e começou a trabalhar com Emicida?


Conheci o Emicida na Galeria Olido (SP) em 2005, na "Jam da Central Acústica", que acontecia todas as noites de quinta. Ele ia pra improvisar junto com a banda e eu colava com alguns amigos pra ouvir um som. Em 2007, ele me fez o convite pra fazer alguns shows com ele, pois ele queria não só ser reconhecido pela sua arte no improviso, mas também pelo seu conteúdo lírico e já tinha uma agenda se shows, só que ele não tinha DJ na época. E nessa estamos aí, há quase seis anos na estrada.



Como surgiu a ideia da Remixtape? Qual a contribuição que você acha que ela pode estar dando ao Rap feito no Brasil?


A ideia surgiu inicialmente pelo Leandro (Emicida). Ele queria ver e ouvir outras visões de temas que tinham sido abordados por ele, por artistas que conhecemos ao longo desses anos e que nos identificamos com suas músicas, trabalhos e ideias. Em outubro de 2012, colocamos isso como meta e a gente tirou um dia pra selecionar os artistas pra Remixtape. Depois da confirmação de todos, selecionamos as músicas que acreditávamos ser um tema que cada um se identificasse mais e, com certeza, representasse da melhor maneira e foi o que aconteceu, na minha opinião.


O que muda entre os shows com banda e o formato DJ + MC, com relação ao papel que você desempenha no palco e o sentimento de estar tocando?


Muda bastante, mas pra melhor. Eu acho muito foda o formato DJ + MC, mas com banda é muito foda também. As pessoas podem ver a música ser construída ali, ao vivo! E pode não parecer, mas dessa forma é ainda mais difícil pra mim (risos), porque eu me torno um membro da banda também, ou seja, se eu errar ou esquecer uma passagem, todos erram! Então, no formato de show com banda a responsabilidade é muito maior. Mas até agora ninguém reclamou, então acho que eu estou no caminho (risos).




[caption id="attachment_19881" align="aligncenter" width="578"]Foto: Fernando Gomes Foto: Fernando Gomes[/caption]

Como foi a concepção da festa Discopédia e como tem sido as edições até agora?


A ideia inicial surgiu na turnê que fizemos na Europa, em Londres, tocamos no Back2Black Festival, e o Criolo também tocou nesse festival. Eu e o DJ Dandan saímos pra comprar discos lá e tocamos no assunto de que são poucas as festas em que os DJs levam os seus discos pra tocar, e devido à grande demanda de show de ambos - eu com Emicida e Dandan com Criolo -, nós não tocamos em tantas festas como antes. Daí veio a ideia de fazer uma festa semanal, em um horário flexível para todos, que é das 19h às 23h, tocando só vinil, aqueles que a gente traz de viagens, aqueles que a gente sai na busca em sampa também, e chamamos o DJ Marco pra somar. A gente voltou agora, no Sarajevo Club em São Paulo, depois de ter tirado férias em janeiro e fevereiro, e tem sido muito legais as edições até agora. Temos aqueles que vão toda quarta feira, mas o mais interessante é que sempre aparece gente nova, que não é do circuito do Hip Hop, o que é bem gratificante para nós, pois é uma festa de música, boa música, coisas que eu, Dandan e Marco gostamos de ouvir, gostamos de tocar... O que torna a festa de certa maneira eclética, para todos os gostos musicais.


Cite cinco discos de Rap que marcaram sua vida


Difícil! Mas vamos lá...


01 - Racionais Mc's - Sobrevivendo no Inferno


02 - Sabotage - Rap é Compromisso


03 - Rappin' Hood - Sujeito Homem


04 - Common - Like a Water for Chocolate


05 - Little Brother - The Listening


E cinco shows que marcaram sua vida?


01 - Jurassic 5 no Indie Hip Hop 2005 (Santo André - sp)


02 - De La Soul no Indie hip hop 2006 (Santo André - sp)


03 - Erykah Badu no Credicard hall 2010 (Sao Paulo - SP)


04 - Busta Rhymes na antiga TOCO em Sao Paulo 2009


05 - D'Angelo & ?uestlove no Brooklyn Bowl 2013 (New York - USA)

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