Ídolos imortais do rock nacional

por - 14:04

Tal como faria qualquer jornalista medíocre que não consegue fazer jornalismo minimamente interessante sem fazer das tragédias alheias uma verdadeira festa da polenta (programação televisiva vespertina, estou falando de você), acho que é bastante adequado fazer um panorama de grandes ídolos que deixarão saudade se forem embora. Depois do vocalista do CBJr., Cheirão, dar seu adeus, acho que devemos cortar pela raiz as manifestações de orgulho coxistas e homenagear não somente aqueles que se vão, como os que ainda estão aqui. Mesmo que você não dê a mínima para eles hoje. Ídolos são ídolos independente de qualquer coisa, portanto, vale lembrar quem são os grandes nomes do rock de todos os tempos que tocam no show da virada e no Acústico MTV.


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Dinho Ouro Preto: Não vi sentido fazer uma lista de ídolos do rock sem incluí-lo. Eis aqui o pilar do rock nacional que preza a atitude sem camisa, as tatuagens escrotas, a mão chifrada sem razão e o stage dive em donas de casa que levam as filhas para assistir seus shows. Um garotão de 45 anos que não sabe o que é fazer música boa, mas que mesmo assim ergue seu dedo do meio exponencialmente para os que possuem o mínimo de bom senso e continua firme e forte fazendo pneus de carro cantarem tchurururu. Fará muita falta quando for embora, afinal, representa toda uma geração desde os anos oitenta. A geração que assiste CQC e protesta contra a corrupção com nariz de palhaço e músicas do Cazuza, mas que não discute a raiz do problema porque tem que voltar pra casa cedo pra dar tempo de estudar pro cursinho, afinal, quer passar no vestibular para ser rico e reclamar que a favela estraga o turismo na região. Dinho, sabemos que a culpa não é sua, mas obrigado por ser o rockstar mais coxinha do universo!


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Waguinho: Possivelmente o menos conhecido do grande público hoje, mas ele foi grande nos anos noventa, na época do pagode. O líder d’Os Morenos e que cantava que era feliz sem saber por causa da mina de fé, é um rockstar de peso mesmo cantando o maravilhoso pagode. Por que? Uma simples história: Waguinho, na boa época, tinha a agenda lotada de shows e a vida badalada de quem come quem quiser e quando quiser, mas ele não estava satisfeito. Um dia, antes de embarcar numa turnê, Waguinho simplesmente desaparece sem deixar vestígios. Dois dias se passaram e nada. Todos estavam extremamente preocupados e em vias de cancelar a turnê, quando a notícia de um parente sobre Waguinho finalmente chega. Ele havia sido encontrado num quarto de motel sozinho com uma quantidade colossal de cocaína e uma moto. Aparentemente ele queria apenas cheirar seu pó em paz. Pouco tempo depois, Waguinho sai d’Os Morenos para iniciar seu trabalho missionário na lei de crente. Temos muito o que aprender com Waguinho e por isso ele é um ídolo que fará falta se morrer.


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Rodolfo: Ele fez de tudo nesta vida. Só não voltou pro Raimundos, para o desespero de todo moleque fã de um forró com distorção na guitarra. Ele é um ídolo até hoje por uma simples razão: possuía os dreads mais feios que se tem notícia. Sem contar que era mais carismático que qualquer outro vocalista da época. Sim, até mais que aquele cara dos Virgulóides. Enquanto ele cantava que o bagulho era de quem tava de pé, Rodolfo acendia qualquer bagulho em rede nacional no meio do VMB. Rezava uma lenda de que ele comeu uma VJ no mesmo evento, mas não saberia confirmar, então ficamos no campo da especulação. Particularmente, por nostalgia, os Raimundos são a minha banda preferida desta época mais simples, mas se falarmos especificamente de um ídolo, Rodolfo é o Rodolfo e sem mais.


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Fernando Badauí: Esqueça tudo que você sabe sobre antropologia, filosofia e sociologia, pois Badauí é o maior letrista deste grupinho de ídolos aqui listados. E atire a primeira pedra se você realmente discorda que “o mundo dá voltas”. Sua relevância no hall da fama do rock nacional é inquestionável se você nunca se deparou com esta figura mítica cantando com um sotaque esquisitíssimo num tom igualmente esquisito enquanto o resto da banda apavora nos bicordes oitavados e no punk rock inspirado pelo Green Day pós Dookie. Badauí é claramente um poeta quando o assunto é letra, mas é difícil não esquecer de seu excelente trabalho como ídolo da molecada que ia para os shows e que admirava seu trabalho como vocalista. Hoje ele faz muita falta e fica aqui nossa homenagem póstuma. Opa, pera. Ele está vivo, só um pouco abaixo do radar, mas vivo. Bom para ele, não?


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Tico Santa Cruz: Poucos chegam ao nível dele. Não somente um grande rockstar, mas um rockstar cujas tatuagens mostram o quanto um ser humano é perigoso quando tem uma grana no bolso e uma vontade louca de se rasgar na tinta. Tico possivelmente é o representante máximo do rock adolescente maior de 40 anos. Arrisco dizer que chega a níveis de quase se igualar a Ouro Preto, perdendo apenas por dois discos de uma carreira solo nefasta. Você com certeza ficará muito mal quando ele for embora somente pelo fato de que ele participou da Fazenda por propósitos políticos de conscientização de que reality shows são um veneno para a mente. Entendeu? Por isso ele é um ídolo. Tico mia na cama, Tico mia no sofá, Tico mia na fazenda e Tico mia na sua mente. Algo mais? Ah sim, ele escreveu um livro. Nunca li, mas leia porque deve ser ouro puro.


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Lucas: Uma vez disse Lobão, “o chato é ver que o Restart faz Fresno virar Dostoiévski”. O que ele quis dizer com isso? Lucas Lima, com suas calças coladas no saco e cabelos repicados de Xororó fizeram dos anos 2000 seu legado para o rock nacional. Isso é bom? Provavelmente não, mas acredito que este tenha sido o feito mais importante de sua carreira como ídolo rockstar. É o que provavelmente o G1 se lembraria de citar em sua nota quando o rapaz partir desta para uma melhor e o que provavelmente nós comentaremos quando nos lembrarmos da maravilha que foi a época emo dos colares de bolinha e das franjas de garoto boliviano suado. E quem não sente falta dos tempos em que não era necessário ser um grande letrista para conseguir fazer gordinhas espinhudas molharem suas calçolas? Eu não, mas se pararmos para pensar, eu não sou Lucas. Cada ídolo é lembrado por seu feito marcante e Lucas tem seu mérito, ainda que esquisito, mas tem.

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5 comentários

  1. ChEirão foi foda! Gostei do trocadilho.

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  2. Não foi o Lobão que disse isso.

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  3. Ótimo texto, cheio de sacadas muito bem tiradas e principalmente, repleto de críticas ácidas. Parabéns!

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