"Impressões nada impressionantes sobre fins de semana"

por - 14:01

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Há quem diga que o tempo é uma ilusão. Não sei se discordo ou concordo, estou em cima do muro. Por mais que saibamos o quanto os minutos demoram a passar quando estamos trabalhando, uma hora num bar passa mais rápido que a carreira solo do Dinho Ouro Preto. Felizmente ela passa rápido (me refiro à carreira, a hora não devia ser rápida), mas é engraçado como o tempo me parece algo mais abstrato que a abstração para se pensar num conceito como o tempo. Falar sobre o agora, que vira depois a cada segundo que passa, me deixa paranoico e meio triste. Sou mais falar sobre algo que não me faça sentir estar desperdiçando a vida com questões tão menores, como o termo “YOLO”. Você não vive uma só vez, você vive todos os dias, mas morre uma vez só.



Pensando nessa questão quântico-temporal, o sábado e o domingo possuem zonas temporais próprias. Os outros dias são iguais, não tem essa. Tanto é que nós mesmos temos que diferenciá-los com qualquer particularidade imposta, como agendas de capa de couro e a programação televisiva. O fim de semana é diferente por alguma razão, seja por bem ou por mal. O sábado parece um dia enorme, o gosto de quando você acorda é diferente, o sol é mais amarelado, as possibilidades são infinitas, mesmo que você acabe com o rabo no sofá assistindo o anti-cristo (Luciano Huck é o nome dele) transformando a dificuldade alheia em entretenimento. “Ele ajuda as pessoas que precisam”, você me diz. E você tem razão. Eu não ajudo ninguém, mas também não faço ninguém carregar vinte bolas de tênis com uma colher de sopa numa corda bamba.



Falar do domingo é até mais fácil quando se lembra do super combo da depressão. Tudo começa com As Aventuras de Didi, que ironicamente marcam o fim da sua alegria e o começo da lembrança de que a rotina da segunda feira está para começar. Sem contar que é um programa escroto pra caralho. Eu aposto o meu braço que alguém com menos de 50 anos ache graça naquele programa. Eu não sou uma pessoa engraçada, mas puta que pariu, se me dessem o horário das 12h pra fazer uma programação, eu faria tudo diferente. Provavelmente exibiria imagens em slowmotion de pombos voando ou de tombos de bike não-letais. Talvez esteja sendo ridículo ou talvez esteja sendo um visionário. Você decide.



E o Faustão? Ele é a cobertura do sunday de merda que nos oferecem dominicalmente. Não vou reclamar da pessoa do Fausto Silva, pois obviamente não a conheço, mas o programa dele é um programa sobre nada. Por que ele nunca acaba? E o Fantástico? A enciclopédia da vida, como dizem. Não me espanta nunca mais ter visto um vendedor de enciclopédias batendo em minha porta. Lembra como antigamente vendiam informação? Meu pai tem uns dez fascículos da enciclopédia LaRousse porque o vendedor vinha até aqui em casa. Depois que eles foram extintos, junto com os dinossauros e os imitadores de Elvis. E tudo isso numa velocidade de tempo absurdamente devagar. Quando falamos de sofrimento dominical, fico me perguntando se Deus é sádico ou o Capeta tem um péssimo senso de humor. Ou vice-versa, talvez até faça mais sentido.


god and devil

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