"Sobre os relacionamentos-digi-interpessoais"

por - 14:09

matrix


Há quase um mês, fiz a coisa que mais me orgulhei de fazer nos últimos seis meses: comprei um Xbox 360. Você deve estar imaginando o quanto triste eu devo ser para me orgulhar de algo tão supérfluo e nerd, mas se você nunca jogou nada no Xbox 360, seu argumento é automaticamente invalidado. Puta merda, que videogame legal! Não pela interatividade, muito menos pela droga do kinect (que para mim é o maior lixo da indústria desde o Polystation), mas por que é divertido. Claro, estou tendo pequenos problemas para achar jogos que não sejam lançamentos extremamente caros e que não valem a pequena fortuna que a prateleira indica, mas nada que tenha estragado a experiência até agora.



Até agora tenho só um jogo, mas também é O jogo. Sempre me recomendaram muito Mass Effect, mas sempre achei que isso era muito hype para um jogo só. Engano meu. Passei pelo menos uns quatro fins de semana pra poder zerar tudo em 100% e já estou caçando pela interwebs o segundo jogo da saga. Só no jogo, devo ter matado umas quarenta horas de jogo e a busca pela sequencia já está se estendendo. Muita gente diz que ser nerd no Brasil é difícil porque tudo é caro, difícil de achar e as pessoas nunca apoiam seus gostos diferenciados. O que me surpreende é viver em 2013 e ver que ter gente que ainda busca apoio para fazer as coisas que quer fazer. E sobre ser caro, bem, baixe tudo que conseguir. Paus e pedras, já dizia o ditado.



Sempre gostei de videogames e, de certa forma, sempre soube que eles não fazem bem do ponto de vista social. Mas claro, sobretudo porque não temos o costume de jogar videogame no Brasil, isso veio de uns vinte anos para cá. Não estou contando os anos oitenta porque nem todo mundo tinha televisão direito naquela época, mas enfim. Se tivéssemos uma cultura mais eletrônica desde o início, provavelmente poderíamos especular que o aspecto social seria mais levado em conta quando o assunto é videogame. Isso está sendo compensado hoje em dia com as comunidades de jogadores online, mas o conteúdo dos jogos que permitem este tipo de interação são tão ruins que não permitem aos jogadores um relacionamento interpessoal de qualidade. É tudo rápido e sem graça. Era mais fácil fazer amigos no Orkut do que num jogo de Call of Duty. League of Legends e World of Warcraft se mostram melhores para unir seus jogadores, apesar das interações ainda serem superficiais, no entanto, se formos comparar, é possível dizer que estes são os “acho que vai chover” das relações virtuais em termos de jogos.



Há quem prefira conhecer alguém num bar ou num festival de música. Devo dizer que aí as relações são muito mais intensas que estourar um laboratório alienígena, mas acho que são tão superficiais quanto às que falei anteriormente, com a diferença de você conseguir algo muito mais direto. Ou vai dizer que você conhece todas as dezoito mil pessoas que você adiciona nas redes sociais? Se você conhecer, bem, então eu calo a boca e vou ali continuar jogando. Mas no fim das contas, não importa muito a forma com a qual você se relaciona com o mundo, mas sim o que você faz com estas relações. Tudo é superficial, mas superficialidade por si só é o primeiro passo para o visceral, ou a intimidade, se preferir. Por isso, não julgue o doidinho que passa vinte horas jogando algo na internet ou o doidinho que vai pro bar todo fim de semana. Eles podem estar no mesmo Titanic chamado estado de espírito. E se alguém souber de um site bacana, com frete grátis, pra comprar jogos na xisboca, eu agradeço imensamente.


controle-xbox-360

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2 comentários

  1. fiquei tipo um mês com o xbox só jogando pes... o que liga é comprar jogos usados baratos no mercado livre.. usando mercado pago, se chegar muito zuado, você devolve.

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  2. meu chegado, agradeço imensamente a dica. Agora posso entrar em encubação sem medo de ser feliz.

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