"Alguém devia se foder com dezesseis anos?"

por - 14:12

pois é


Eu falo muito palavrão. Nem sempre foi assim. A questão não era não falar palavrão por achar errado, mas achava desnecessário. Parando pra pensar, são palavras mais bobas que ofensivas mas o significado que atribuímos a elas é o que dá o tom que queremos. Quando era menor, odiava palavrões porque não via o sentido neles. Só depois de grande entendi que eles são as melhores formas de expressão verbal de sentimentos sufocantes ou difíceis de lidar que possuímos. Agora imagine a vida difícil que a Dercy Gonçalves devia levar.



Comecei a falar palavrão quando vi que não havia outra opção. Era desenvolver uma úlcera ou gritar um grande vai tomar no cu. Acho que sabemos o que escolhi, né porra? E continuei com esta vida, usando sempre que necessário o repertório mais variado de palavras selecionadas pelos melhores marinheiros nacionais. E cada vez mais vejo a molecadinha aprendendo rápido. Aprendi uns dois ou três palavrões novos com essa geração, aliás. E ainda querem diminuir a maioridade penal. Aí que os palavrões se tornarão um novo dialeto português, com tamanha possibilidade de conjugações e talvez até com necessidade de tradução. Prender um moleque de dezesseis que fez uma merda é como arrancar os dentes de uma onça pintada porque ela mordeu o filhote. Não sou bom em analogias, mas acho que essa foi fácil.



Aliás, esse lance de maioridade penal é uma solução muito reaça para não melhorarem a programação televisiva ou para não desistirem de cobrar IPI nos livros. Não é possível que a falta de opções de laser nos grandes centros residenciais, periféricos ou não, tenha resultado na solução mais coxa que a situação permite dar. Até porque, a juventude como um todo não tem nada pra fazer, os pais são ocupados demais pra pensar numa solução e a molecada vai fazer o que achar que deve fazer. Limites precisam ser dados, mas antes de dar limites, é preciso dar possibilidades. Mas claro, o pragmatismo não pode esperar quando o assunto passa a ser segurança pública, afinal, enquanto o problema era cultural, tudo estava tolerável. Eu não quero parecer o capitão escola, mas o problema não é apenas educacional ou cultural: é um problema de pressa.



Há quem fique chocado ao ver uma criança de nove ou dez anos falando palavrão, mas acho que é ainda mais chocante ver um moleque de dezesseis se tornando vítima de um sistema todo cagado. Mais uma vez, eu não quero ser o esquerdinha e nem o direiteiro com este tipo de argumento vago sobre “sistema” ou sobre o problema ser a “educação”, pois até mesmo este tipo de papo pode ser extremamente chato porque não permite qualquer reflexão ou debate. Antes de apontar soluções na cara de alguém, seria muito bacana conversar sobre o assunto, e falo isso não somente para este assunto, mas para qualquer outro, seja público ou pessoal seu. Isso levaria tempo, mas o que é um debate quanto se a língua já está coçando há muito tempo? Tempos desesperados pedem medidas desesperadas somente se você for um filho da puta.


bieber

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1 comentários

  1. Só sei que se um filho da puta desses com 16 anos sabe matar,roubar estrupar filhas alheias,ele tem que saber que tem leis,respeito aos outros então tem que pagar sim,sem essa de passar a mão na cabeça desses maus carater.

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