Mente Vazia num Ônibus Lotado: cobradores

por - 11:05

[caption id="attachment_20482" align="aligncenter" width="595"]Largo da Batata, ou, Potato Square Largo da Batata, ou, Potato Square[/caption]

Ah, os cobradores, uma das profissões mais legais que existem nessa cidade chamada São Paulo – e há quem queria tirar esse cargo, acreditam? Mas bem, os famosos trutas (ou as trutas, vira e mexe tem cobradora nos busos), conseguem dar um show a parte enquanto você está puto demais porque a cidade é uma bosta ou o ônibus tá muito cheio.


Uma vez adentrei um coletivo. Vazio, lindo, lugares para sentar, sem baratas, sem resto de coxinha no chão, nenhuma criança no banco preferencial gritando e te olhando enquanto a mãe fica achando que você é um baita imbecil porque não sorri pro filho dela. Enfim, era um Pinheiros, 809R, itinerário curto, antigo 7566, Terminal Princesa Isabel, que foi cortado pela “implantação da Linha 4 Amarela”, pelo o que pude notar. Eis que, quando tiro os fones e começo a perceber os papos das pessoas com o cobrador desse ônibus, minha felicidade ganha +10 de status no GTA São Paulo.


Primeiro, uma senhora aparece toda educada e faz a seguinte pergunta ao famoso truta que bate a moedinha na catraca: “Moço, esse ônibus passa na Rua Butantã?”. O cobrador, respirando fundo responde, “É PINHEIROS MINHA SENHORA, VAI PRA PINHEIROS”. Novamente, a senhora: “Eu sei que é Pinheiros, mas quero saber se ele passa nessa rua”, “lê aí em cima”, resmunga o cobrador. A senhora, dessa vez nada educada e toda puta, dá um grito praticamente do meu lado: “isso é a modernidade! Isso é a modernidade!”.


A segunda vítima foi uma mulher que perguntou se o ônibus passava no Shopping Eldorado: “É Pinheiros, vai por Pinheiros, até Pinheiros”. A mulher se irritou: “Eu quero saber se passa no Eldorado”, “minha senhora você não sabe ler? Tá aí em cima as ruas”. Puta, ela percebeu que tinha um “Avenida Eusébio Matoso” na placa e depois sorriu.


A terceira e última pessoa que vi se foder foi outra senhora. Tadinha, tão feliz entrou no ônibus perguntando ao cobrador: “Passa na Tabapuã, moço?”. Dessa vez, ele nem repetiu sua palavra favorita, “Pinheiros”. Apenas seco, apontou a placa acima de sua cabeça. A senhora murchou. Alguém falou “não, senhora, só vai até a Faria Lima, depois ele volta”. Ela pediu desculpas e desceu no mesmo ponto que eu.


Pode parecer estranho esse texto, entretanto, quem nunca conseguiu sorrir ao lado de um cobrador legal de bem com a vida? Tinha um motorista gente boa pra caralho, Rui, por sinal, onde está você, Rui? Ele parava em todo santo ponto e dava boa noite para todos os passageiros. Uma vez ele ensinou a uma moça, com criança no colo, um caldo de mocotó pro bebê nascer forte. Mas motoristas é um papo pra outro dia. Lembrem-se: os cobrados são legais, mesmo que apontando as placas ou repetindo o nome da linha sem parar.

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