Mente Vazia num Ônibus Lotado: o corredor é meu e a rua é nossa

por - 14:09

hondacar

Tenho problemas com carros e não é de hoje. Desde que comecei a andar de transporte público, passei a enxergá-los como se fossem meus inimigos mortais e depois que virei pedestre assíduo (caminho cerca de 4 km ou mais diariamente pelo puro prazer de dar um role), comecei a ter um ódio mortal desses veículos e não é bobagem, existem vários motivos.


Por exemplo, quem nunca esteve em um corredor exclusivo para ônibus e não viu nenhum engraçadinho com seu Honda, Hyundai ou qualquer outra marca de carro daquelas porras que parecem um Transformers, dando um jeitinho para “sair na frente” dos outros? Sim, isso é uma merda. Toda vez que estou dentro do busão e isso acontece, penso em alguma maneira de pedir permissão à prefeitura para apedrejar carros que não obedecem as leis de trânsito.


Pensem bem: estamos dentro de um coletivo, quase sempre lotado, temos uma faixa exclusiva para andarmos e não precisarmos dividir um pedaço da rua com inúmeros carros ocupados por apenas uma pessoa. Tem a porra de uma placa “Só Ônibus 6-20h”, o que significa que ali só circulará ônibus das seis da manhã às oito da noite, e uns carros metidos a sabichões e malandrões do trânsito entram ali. É pra mandar o mundo se foder.


Uma vez, por sinal, estava acontecendo isso e vi um motorista de ônibus que, internamente, aplaudi de modo fervoroso: o carro entrou no corredor e o que o chapa do volante fez? Acelerou e ficou grudando na bunda do motorista malandro. Outra vez um carro estacionou na faixa de ônibus (sim, olha isso) e o motorista do ônibus buzinou como se estivesse tentando chamar puta no GTA San Andreas. Daí a mina se fez de desentendida e jogou o carro pra cima da calçada.


Enfim, já me alertaram que eu preciso parar com essa raiva, essa vontade do ônibus passar por cima do carro que está na faixa exclusiva ou de xingar feito um doido enquanto caminho e alguém passa a milhão mesmo com o farol de pedestre estando verde. Mas é complicado e do fundo do meu coração, eu não acho que esteja preparado para aturar gente que se acha por estar dentro da porra dum carro.


Por isso, lembrem-se motoristas: eu sempre estarei por aí, com uma pedra na mão, raiva no olhar e uma vontade absurda de destruir seu carro como se eu estivesse na fase bônus do Super Street Fighter II. Respeite-me como pedestre e usuário de ônibus ou a quantidade de socos e chutes no seu veículo será maior que quando alguém pega o E. Honda e fica apertando Y no SNES sem parar. Isto não é uma ameaça, é um aviso.

Você também pode gostar

0 comentários