Mudhoney - Vanishing Point

por - 11:06

E Você Se Sente Numa Cela Escura

Vanishing Point

Mudhoney

Sub Pop Records (2013)

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Sub Pop

Quantas vezes você já quis fazer uma banda, largar sua vida de estudante/trabalhador de período integral e se lançar neste mundão para fazer da sua música o seu legado? Várias vezes, eu imagino, mas vou te dar uma dica: não faça isso. Temos exemplos de sucesso por aí. Pessoas que conseguiram fazer de seu sonho musical o pesadelo musical de muita gente, porém, temos exemplos de fracassos comerciais que nunca darão certo, vide a minha antiga banda da escola. Dinheiro não é tudo na vida e se for pra você, vire engenheiro de petróleo. Se você quiser ser rockstar, terá que morrer tentando. O Mudhoney é uma das bandas mais importantes do grunge e até hoje não se pagam sozinhos! Os caras trampam pra poder bancar as turnês e discos e não levam uma vida de Luan Santana. Isso é uma coisa ruim? Talvez. Mas é uma coisa boa? Não sei dizer. Só sei que com grana ou sem, eles fizeram um novo disco agora em 2013, intitulado Vanishing Point. E estando na mesma condição que os caras da banda, digo o que achei dele.


Muito me surpreende este álbum. Sinceramente, muito melhor do que qualquer imitação de rock alternativo desta recém-iniciada década ou até mesmo da década passada. Talvez seja meio suspeito pra falar do som de bandas dos anos noventa, ou especificamente do Mudhoney (eu sei, eles começaram em 88, foda-se), mas este disco é psicodélico, grunge, arrastado, agitado. Se não tivesse feito uma pesquisa antes, até chutaria que foi feito no final da época dourada, mas o que entrega o registro como sendo atual é a qualidade da gravação, que organiza bem a bagunça na qual o Mudhoney sempre fez parte. Felizmente, não por muito, afinal o som sofreria da síndrome de Quincy Jones e faria o álbum soar como qualquer coisa, menos como a maravilha que soa. Apesar de tudo, a experiência é como a de ouvir uma banda boa naqueles fones horríveis de avião, onde o plástico machuca as orelhas, mas que você não tem vontade de parar de ouvir porque a banda é realmente boa. E isso é um bom sinal, não?


Instrumentalmente falando, é o Mudhoney. Não que eu precise pontuar isso, afinal, estamos falando da banda, mas é bom ouvir como uma banda consegue se manter bacana dentro de algo que para alguns já é batido tem vinte anos. As guitarras são um show a parte, seja nos solos cheios de efeitos ou em suas ambiências e noises semi-experimentais mesmo. Baixo e bateria fazem a cozinha perfeita pra tudo se encaixar, ou no caso, não se encaixar tão bem assim. Ninguém reclama do AC/DC, por que reclamariam do Mark Arm? Seus trabalhos vocais são impecáveis, ao seu estilão, obviamente. Seus gritos de quem não está nem aí para os seus ouvidos e sua afinação momentânea me fazem lembrar o Sonic Youth de Dirty, especificamente. Ou mesmo do próprio Mudhoney, das épocas de Superfuzz Bigmuff.


O álbum é bom. Eu não sou crítico musical, não trabalho para o Pitchfork, mas recomendo facilmente este disco. E gente que se presta a analisar um disco normalmente se preocupa em analisar o disco de cabo a rabo, mas vale lembrar que ninguém me paga para escrever qualquer coisa, ou seja, tal qual o bom e velho Mudhoney, faço isso pelo prazer em dizer o quanto fiquei satisfeito com este novo registro. E eles devem fazer o que fazem pelo prazer em não se pagar até hoje. E tomara que continue assim por muito tempo. Digo o som. Tomara que eles consigam se pagar direitinho.

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