O atentado de Boston e o fantasma das dúvidas

por - 14:06

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Eu ainda me lembro muito bem da época em que eu ganhei um computador. Eu era molequinho ainda e completamente inocente. Sabe aqueles pop-ups de “Você é o 999999º visitante?” Pois é. Como de esperado, eu acabei tendo que me virar com vírus e antivírus. Era um esquema muito esquisito e eu não conseguia entender por quê diabos alguém gastaria tempo criando programas para destruir o computador dos outros; devia ser muito trabalho só pra fazer o mal, não? Se não engano, foi meu pai quem me disse, muito sério e desapontado, que eram os próprios criadores de antivírus os responsáveis pelos vírus. O nome disso era auto-sabotagem. Fiquei calado e acabei mudando de assunto. Por que diabos alguém faria uma coisa desses? Por mais que fosse uma argumentação totalmente lúcida, alguma coisa dentro de mim dizia que aquilo estava errado. Era demasiadamente bizarro pra ser verdade, e era vergonhoso pensar numa possibilidade dessas.


Esse tipo de demônio interno me seguiu até os dias de hoje. Parece que o estado de calma inicial da gente tem um medo irrefreável de qualquer alteração do que nós consideramos equilíbrio. Acontece que o mundo não é equilibrado. Ele é distorcido e cruel em algumas partes. Ao espírito humano sobrariam duas opções: varrer a bagunça ou esconder debaixo do tapete. Por sorte (ou azar) a mente é um tapete de quilômetros de extensão, e a pá é pequena demais pra varrer tanta merda. O resultado é que nós preferimos acreditar no equilíbrio artificial que fabricamos sem querer. A natureza humana já tem esse quê de arquiteto, e depois de uma certa altura da construção, a gente nem se preocupa mais com a base inexistente. Quando a gente cai, já é tarde demais.


Nesses últimos dias o mundo se comoveu com o atentado de Boston. Foi a primeira “grande” divulgação “terrorista” desde o 11 de setembro. O relato da história ficou muito incompleto, e ainda não sei se as provas e os sentidos foram se perdendo na viagem das noticias até o Brasil, ou se a mídia e o governo americanos já enviaram com defeito. Dois suspeitos (como não poderia deixar de ser, identificados como imigrantes muçulmanos), jovens estudantes do MIT teriam sido os responsáveis pela explosão de uma mochila que causou diversas mortes e ferimentos graves. Fiquei cabreiro em pensar nas chances de, numa maratona de fama nacional, apenas dois irmãos carregarem mochilas. Pouco tempo depois, veio a noticia cortada da morte do primeiro (e devo colocar esse termo em letras maiúsculas) SUSPEITO. As noticias me engasgaram mais do que o Obama paz-e-amor que mandou tanques pra perseguir os dois moleques; ninguém sabia exatamente como foi a perseguição, e os jornais disseram que o Tamerlan foi morto após troca de tiros com a policia. Depois da prisão do último suspeito, que está/va em estado grave num hospital, o governo e a mídia internacional parecem ter dado o caso por encerrado.


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Recebi hoje uma página com uma espécie de dossiê caseiro com fotos e diagramas sobre o caso (anexo no final da matéria). A ideia geral é de que todo o atentado foi programado por um grupo de mercenários a serviço do governo americano (link para a página dos caras, que parecem mesmo um grupo de extermínio, abaixo) afim de, como sempre, aumentar o irracional medo de terroristas que envenena o povo americano. Em resumo: a mochila que estourou não era nem mesmo da cor que as usadas pelos irmãos; existem fotos dos dois saindo do local, após o atentado, ainda com as mochilas; existe uma diferença muito notável entre a foto de Tamerlan sendo escoltado pelos policiais vivinho e sem um arranhão, e a versão do rapaz cheio de tiro e morto no necrotério (imagens pesadas inclusive, cuidado com as crianças).


Os problemas prosseguem: um cara anônimo que diz trabalhar na defesa dos Estados Unidos parece ter denunciado o ataque dias antes dele acontecer. Uma espécie de empresa de segurança americana chamada Craft International cujo tema é “Violence DOES solve problems” teve vários de seus membros avistados durante a maratona, com objetos estranhos nas mãos e – pasmem – mochilas muito parecidas com a que explodiu. Além do peso dessas respostas alternativas, algumas outras coisas me deixaram curioso, além de completamente abismado com o horrível desenrolar dessa versão. Como podia a investigação feita por um grupo de marmanjos que provavelmente estava assistindo TV e lendo noticias na internet, ser incrivelmente mais detalhada, lúcida e lógica do que a explicação oficial do governo dos Estados Unidos? Curiosamente, o que deu mais veracidade pra essa versão da história, a CISPA – lei que busca alterar a regulamentação das leis relacionadas ao controle de compartilhamento e proteção de arquivo na internet, o maior medo dos piratas e de todos que já baixaram alguma vez algum arquivinho pirateado – foi aprovada sem maiores alvoroços (a mídia estava visivelmente ocupada com Boston) durante o período dos atentados.




[caption id="attachment_20477" align="aligncenter" width="579"]Os """""""""suspeitos""""""""", entre o máximo de aspas possíveis Os """""""""suspeitos""""""""", entre o máximo de aspas possíveis[/caption]

A voz dentro de mim gritava, numa versão um pouco mais madura do que aquela de antigamente: a impossibilidade de que um país fosse tão ganancioso e cruel a ponto de organizar a morte de vários dos seus cidadãos por meras questões políticas. É uma versão cruel demais. Dessa vez, eu acabei não mudando de assunto. Talvez porque essa maldita interna que assombra todo o mundo (eu imagino) nos dias de hoje nunca se calou, e eu acabei por pesquisar a sua origem. Ela é um eco de costumes implantados a ferro na nossa sociedade: lugar de mulher é na cozinha, não se discute política e religião, entre várias outras frases que a gente acaba por nascer sabendo. No final das contas, é praticamente impossível fazer um julgamento imparcial. A lógica não é nem nunca foi a ferramenta principal do ser humano, e por mais que seja esse fato o responsável pela compaixão e o amor, talvez seja também por isso o mundo esteja esse caos. Noções, às vezes falsas, de confiança, hierarquia e autoridade, além dos famigerados “costumes”, falam muito mais alto do que a própria razão e raciocínio. Acho que o significado de “pensar” precisa ser reavaliado. O pensamento racional é algo que surge de você, de forma pura, sem influencia do medo ou de interesses. É a tentativa sincera e concentrada de perceber as coisas como elas são.


Talvez por não conhecer muito o mundo da informática, talvez simplesmente por nunca ter mandado um e-mail pra alguma empresa de antivírus perguntando qual o sentido de isso tudo, eu ainda não sei se são mesmo eles quem fabricam os antivírus . Também não sei qual vai ser o resultado dessa história de Boston. O que eu acabei por entender ao longo da vida é que existem varias possibilidades para todas as coisas que acontecem, e que eventualmente, uma delas deve estar certa. Eu espero continuar buscando o equilíbrio entre a minha fabricada noção de acreditável/inacreditável e continuar divulgando essas possibilidades esquecidas ou acidentalmente enterradas debaixo de sete palmos, seja por quem for. No final, eu ainda espero que as coisas fiquem bem, porque nascemos, por bem ou por mal, com essa espécie de vírus da natureza criado por ela mesma: a inteligência.


Página onde foi postada a versão alternativa do que rolou em Boston (conteúdo meio gore)

Site da Craft, a tal empresa de segurança suspeita

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1 comentários

  1. A foto gore do cara no necrotério é uma montagem. Vi uma análise que levanta pontos como o corte na região das costelas ser profundo o suficiente para que elas aparecessem, o que não acontece. Além disso, a cabeça é muito pequena em relação ao tronco (logo, é uma montagem) e, acima da testa há uma deformação na parede, resultado de acabamento mal feito em photoshop.

    Outras questões são a marca de queimadura no peito e rosto, grande o suficiente para que todos os pelos do peito e cabeça tivessem sido queimados no momento em que elas supostamente teriam sido produzidas.

    Fora essa imagem, o resto é realmente de se perder a fé na humanidade.

    Há ainda análises de imagens produzidas e que mostram os feridos. A mais chocante é a de um homem sem as duas pernas caído no chão e depois em uma cadeira de rodas com um voluntário - pasmem - segurando uma artéria com a mão para estancar sangue. Enfim.

    Dê uma sacada também nesse vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embed...

    Lê também esse fórum. Apesar de ser sobre fisiculturismo, o tópico em si é uma discussão analisando as imagens: http://www.bbmisc.com/forum/showthread.php?20697-...

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