"Não precisamos de um super reaça"

por - 14:09

super memo


Sempre fui um cara muito mais DC do que Marvel. Nada contra Stan Lee, só acho que o Batman sozinho tem mais apelo que o chato do Homem Aranha. Eu não preciso ler sobre um cara fodido, sem grana e que vive numa cidade cheia de crimes porque já conheço essa história muito bem sem qualquer ilustração. Sem contar que o Batman acaba me atraindo mais pelas tramas do que propriamente pelo playboy que curte brincar de GTA ao contrário. Em contrapartida, o Super Homem é um bostão. Nunca fui fã dele. Talvez só por ser um over power, mas enfim.



Independente de como, esse lance de defender a justiça e manter a ordem nem deve ser mais considerado quando falamos de super heróis neste âmbito. Basta ter uma roupa legal, umas ideias meio diferentes e ser capaz de provocar umas explosões hoje em dia. Seguindo esta lógica, a Al Qaeda é o que temos mais próximo de uma Liga da Justiça. Os tempos mudaram tanto que a justiça pode até ter mudado seu significado. Ok, talvez esteja sendo meio radical, mas me lembrei do julgamento do massacre do Carandiru que rolou em 1992 e que só foi rolar essa semana. Mais de dez anos pra se fazer um julgamento? Vou usar este argumento na próxima vez que chegar atrasado no trabalho.



Indo mais além, quantos torturadores das épocas da ditadura foram presos? Eu não faço a menor ideia, mas imagino que ainda faltem muitos deles. Aliás, passou-se tanto tempo que nem faz sentido mais julga-los. Por mais errado que seja não punir aquele que faz o errado, não sei o quanto correto é correr tardiamente atrás deste recurso. Só lembrando que o Super Homem levou aproximadamente 0.317 anos luz pra chegar até aqui com seu foguetinho, então talvez ainda dê tempo de pagar a minha língua.



Muito me surpreende esta onda reaça que estamos enfrentando ultimamente não ter formado uma legião de justiceiros que caçam ladrão de galinhas e batedor de carteiras. Quer dizer, a galera que adora linchar gente algemada pela polícia está por aí, mas me refiro ao povo que sair para prender os infratores da lei, com frase de efeito e que dá entrevista pra Sonia Abrão logo depois. Quem sabe assim as tardes ficam mais interessantes. Ou nem tanto, afinal, acho difícil surgir da massa uma figura de referência quando o assunto envolve valores mais acentuados. Não estou dizendo que a geral não os têm, só analiso o comportamento de massa como algo isento de reflexões e movido pelas emoções coletivas mais instintivas. E no fim das contas, é melhor assim. Como já diria a Tina Turner com aquele cabelo sensacional balançando, “não precisamos de outro herói”. Tampouco de jornais sensacionalistas vespertinos.


Gil Gomes

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1 comentários

  1. "(...) mas me lembrei do julgamento do massacre do Carandiru que rolou em 1992 e que só foi rolar essa semana. Mais de dez anos pra se fazer um julgamento?"

    Mais de VINTE, cabra. Estamos em 2013.

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