#TerçaGringa: o mistério dos peruanos do Los Panchos Hoasqueros

por - 11:07

Los Panchos Hoasqueros


Entro a noite na internet e me surpreendo com uma mensagem do D Mingus perguntando se eu conhecia “o som dos peruanos loucos que certa vez hospedei aqui em casa.” Ele falava do trio peruano Los Panchos Hoasqueros, uma banda pouco conhecida e bastante misteriosa, que inclusive faz parte do cast de artistas do selo pernambucano encabeçado pelo próprio Domigos e outros artistas locais, o Pé de Cachimbo Records. Junto com esse texto estava a imagem que vocês estão vendo aí em cima e um link do Mediafire com o primeiro e único (?) EP lançado pelo grupo.


Até falei para que ele escrevesse está TerçaGringa que aparece agora pra vocês, mas ele me disse que a banda não gosta de aparecer. E não tem muito que informar, ou seja, é proposital. Tanto que no release do grupo em seu Myspace os integrantes tem codinomes, são eles: Ernesto del Bibio, Pablo Chachapoyas y Coyote Kid. Deixam claro também que as apresentações da banda são raras e normalmente realizadas em eventos underground (poderia ter ao menos um vídeo, não?).


 Não existe clareza sobre quem toca o que, mas isso não importa. Os sons dos instrumentos são uma viagem xamânica, com uma mistura de sons típicos dos Andes, mas com um pouco mais do que apenas o chá da coca. A psicodelia trazida com os efeitos sonoros faz com que o som dos violões, guitarras, percussões e flauta tradicional soem bem distante do que conhecemos como um som tradicional do Peru. Segundo eles, a Pichfork classifica como a nova onda de música xamânica peruana (isso é real?). Eu consigo ver uma conexão forte no som da guitarra e a psicodelia lo-fi trazida por D Mingus em seu primeiro álbum solo (ouça Colméias), mas a certeza é que o som do grupo bebe em diversos rios distintos e é difícil de distinguir no que isso vai levar.



O único registro da banda, um EP com duas músicas e quase nove minutos, funciona bem como uma introdução do que o trio pode ser capaz, se um dia você conseguir ver eles ao vivo, ou souber mais sobre a banda, ouvir novas músicas, etc. O primeiro som, "Chacrona", me lembra um pouco aquela atmosfera brasileira perdida nos anos setenta, entre o Clube da Esquina e o Walter Franco. A segunda faixa, "Jagube" começa mais raiz, remetendo um pouco a guitarrada e o som tradicional dos Andes, porém termina numa vibe meio rock progressivo sujo e barulhento, mostrando a mistura de influências. Essa música fez parte da trilha sonora do filme pernambucano O Ano Passado em Itamaracá, de German Ra.


Eis aqui mais um som louco do mundo, que essa famigerada rede de computadores nos fornece, por mais que as dificuldades continuem a existir, agora é esperar que mais sons desses loucos peruanos apareçam, mas enquanto isso, não acontece, clique aqui em baixo para sacar do que estou falando.


EP

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